Matheus dirigia vidrado no trânsito (que está bastante movimentado por ser quinta feira, por volta das 10:30). Iago disse que estava na biblioteca nacional fazendo uma pesquisa para o colégio.
Estou tão aflita, mas preciso demonstrar segurança e calma. Caso contrário meu cliente vai enfiar o carro no primeiro porte que ele avistar.
- Chegamos - avisou-me estacionando o carro um pouco afastado da entrada da biblioteca.
Droga! Como vou entrar numa biblioteca desse jeito? Olhei para meu blusão que ia até metade da minha coxa e tênis.
- Vou ligar para eles saírem, e você irá busca- los. Meu dedo estará no gatilho, qualquer coisa suspeita não hesitarei em atirar.
Falei e ele concordou. Liguei e pedi para que Iago saísse calmamente junto com sua amiga, e assim fizeram. Logo vi uma moça de cabelo loiro até o ombro sair ao lado do Ávila mais novo, porém, bem atrás deles está um homem moreno de terno azul marinho e óculos escuros. Droga! Os dois são a isca para pegar o peixão idiota.
-Matheus!!! - gritei, mas ele não ouviu.
Quando Iago avistou o irmão, empurrou a amiga nos braços dele. Numa tentativa de afasta-los do homem, que ao perceber puxou o garoto para mais perto e colocou uma arma na cabeça dele.
Fui me aproximando aos poucos, com a finalidade de obter uma mira segura. Calculei o tempo que levaria para chegarmos até o carro. Não tem outro jeito. Coloquei o revólver escondido no short, por baixo do blusão e cheguei perto do Matheus e da garota.
- Escutem, eles te querem vivo - falei olhando para o Ávila mais velho - Caso contrário já teriam o matado, sendo assim você é a única chance de sairmos vivos daqui, mas terás que confiar cem por cento em mim. Pode ser? - sussurrei no ouvido dele.
- Tudo bem - falou, mas sei que ele está se esforçando muito para manter a calma.
- Não dá pra chorar agora - falei para a menina - Mantenha a calma e não saia de perto do Matheus - que ainda continuava estático frente a cena do irmão como refém.
- Quem é você ? - perguntou o homem de terno, que está com a arma na cabeça do Iago - Volte para onde você estava e não atrapalhe meu serviço.
- Você falando desse jeito, atrapalha minha concentração.
Disse isso e atirei na perna dele, era o local que corria menos risco de acertar o garoto.
- Abaixa! - gritei e Iago se jogou no chão, e foi se arrastando até o irmão. Olhei para a direita, desceu de um carro luxuoso três homens, e atrás do que foi atingido apareceu mais um. Corri até Matheus, e apontei a arma para a cabeça dele.
- O que você está fazendo?- perguntou Iago.
- Quanto vocês me pagam por ele?- falei alto o bastante para que todos os homens de terno ouvissem.
- Larga ele vagabunda! - gritou um deles.
- Vocês querem ele vivo, então eu quero um milhão por ele e quinhentos mil pelas crianças.
- Entrega logo eles e você sairá viva.
- Vocês vão me matar, eu sei demais. Não há outro jeito!
Ouvimos viaturas da polícia se aproximando. Todos os homens entraram no carro luxuoso, mas a polícia cercou e o tiroteio começou.
Matheus, as crianças e eu entramos direto no carro. Quem está no volante agora sou eu. Segui pela contra mão, olhei pelo retrovisor do carro e não havia ninguém nos seguindo. Todos os polícias estavam em meio aos tiros.
- Tem câmera, vão achar que você nos sequestrou. A polícia vai vir atrás da gente - falou Iago nervoso.
- Sim, a polícia, a imprensa, os capangas da família Pacheco. Já podemos fazer uma lista - falou a menina. Gostei do sarcasmo dela.
- Precisamos sair do rio de Janeiro - disse Matheus - Fala alguma coisa Alice!
- Diferente de vocês, eu estou agindo - disse sem tirar os olhos da rua.
- Temos que contar à polícia toda a verdade!- sugeriu Iago.
- Eu já te expliquei! Tem gente na polícia que são subornados pelos Pacheco. Precisamos juntar provas por conta própria - retrucou a menina. Admito, ela é muito esperta.
- Qual seu nome? - perguntei à ela.
- Lia Ferraz.
- Prazer, Alice Sanclear.
Continuei dirigindo até a casa da minha mãe para trocar de roupa e conseguir comida e armamento. Precisamos sair da capital o quanto antes. Eu não tenho escolha. Ou eu reverto essa situação, ou minha carreira já era.
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Defesa Quase Perfeita
Romantik"- Sou advogada, não tô sendo paga para manter sua segurança, muito menos para servir de babá- disse, batendo meu pé impacientemente. - Babá? Não sou criança. Quem está agindo com birra é você.... mas se você quiser me dar banho... - retrucou Math...
