Dirigia em silêncio até Alice comentar a foto que Paloma à entregou junto ao endereço e dossiê dos Pacheco.
- Ela é tão bonita e jovem. Paloma deve sofrer muito.
- Sim, acho que essa filha é a única coisa que fala mais alto do que a adoração pela Adriana e seu pai - respondi, tirando a atenção da estrada para a encarar.
- Isso é doentio!
- Não é nada comparado à Adriana.
Pensei que Alice iria questionar mais sobre Adriana, mas ela simplesmente calou. O silêncio dela me deixa nervoso, pois parece que ainda não consegui finalmente alcança-la.
Próximo ao meio dia, já estávamos no Rio de Janeiro e minha preocupação só aumentava.
- A boate só fica há alguns minutos.
- Nossa, a ida para a casa de praia demorou uma vida devido aos imprevistos. Chegamos aqui tão rápido - ela comentou com certa animação na voz.
- Vamos para lá, ou você quer fazer algo antes?
- Precisamos almoçar e comprar roupas.
- Comprar roupas? - perguntei divertido.
- Você não espera se misturar em uma boate de luxo vestido assim, espera?
- Você prefere sem roupas? Olha que as meninas não vão resistir, talvez seja até mais fácil atrair a filha da governanta usando apenas uma gravata.
- Realmente mulher nenhuma iria resistir - falou irônica e em seguida fechou a expressão.
- É tão fácil te irritar - falei.
- Vamos ao restaurante japonês próximo à minha empresa, bem na frente há uma loja, podemos procurar algo para vestir.
- Prefiro você nua.
- Prefiro você calado - ela falou não conseguindo conter o riso.
Comemos e seguimos para a loja. Experimentei vários blazers para a advogada ver, mas quando foi sua vez, Alice nem saiu do provador para que eu avaliasse e me imaginasse arrancando a peça de roupa. Droga! Ela nem saiu do provador e meu amigo já está duro.
- Pensei que não era para hoje! - falei irritado. Não estou irritado pela demora e sim por ela não ter saído com aqueles vestidos provocantes para eu ver. - Nem pediu minha opinião.
- Não precisa! Sempre fui bem decidida.
Saímos da loja e fomos direito para a boate, olhamos tudo e não vimos outra saída à não ser a principal e a de incêndio, que provavelmente também possui segurança.
Troquei de roupa no banheiro do posto de gasolina e fiquei quase 1 hora esperando Alice.
- Você está muito sexy - ela falou atrás de mim, me fazendo virar em seguida.
A advogada usava um vestido preto que aparecia um pouco das costas, muito dos seios e bastante das coxas.
- Sei que estou vulgar, mas acho que assim vou me misturar melhor.
- Definitivamente você não vai passar desapercebida - ela gargalhou e saiu em direção ao carro - Rebolando essa bunda, juro que não vai sobrar vestido!
Chegamos à boate, compramos as entradas e fomos para a fila.
- Mulheres não entram sem acompanhante - disse o homem de quase 2 metros.
- Estou a acompanhando - falei e sai puxando Ali, antes que ela começasse um discurso inflamado.
A boate era incrivelmente luxuosa, e muito grande, havia pequenos palcos com mulheres dançando espalhados por todo local. Não foi difícil avistar quem estamos procurando, ela estava de lingerie vermelha com muito brilho dançando no pole dance.
- Como vamos conversar com ela? - questionou Ali, que mais pareceu um pensamento alto.
- Vou leva-la para o quarto, óbvio.
- Para de ser ridículo!
- Calada, doutora! Sorte sua se eu não fizer com ela o que você não quis fazer comigo de manhã.
Segui para onde a garota estava e sentei na poltrona bem à frente. Muitos homens jogavam dinheiro e eu apenas a encarava intensamente. Ela passou mais alguns minutos dançando quando finalmente desceu, e veio em minha direção.
- Quero você, essa noite! - falei convicto. Ela realmente é linda. Passaria a noite com ela se não precisássemos resolver urgentemente minha situação e achar Taylor, sem falar no principal, Alice! Não conseguiria deitar com outra mulher, pois não consigo tirar a advogada birrenta na minha cabeça. Olhei para o lado antes de seguir para o quarto e Ali virava um copo do que parecia ser tequila.
Entramos no quarto e a moça começou a tirar a roupa.
- Espera! Não tira a roupa - falei.
- Você quer tirar?
- Não, quero conversar, apenas.
- Não sou psicóloga, bem que pretendia, mas agora sou prostituta.
- Não vai mais precisar ser - falei e ela gargalhou.
- Você pretende me comprar? Já tentaram, só sairei daqui morta, isso se não me enterrarem aqui.
- Sua mãe, Paloma me mandou aqui. Minha advogada e eu estamos recolhendo provas contra os Pacheco, precisamos de você!
- Eu faço qualquer coisa para sair daqui! - ela falou já soluçando, o que me fez perceber que estava com os olhos marejados desde que entramos no quarto
Retirei o blazer e coloquei nela, pois quarto estava frio.
- Escuta, preciso te tirar daqui.
- Não! Você não vai conseguir e ainda pode estragar a investigação que estão fazendo.
- Eu prometi à sua mãe e vou fazer.
- Não, não vai! Vão matar a gente! Acredite, várias mulheres daqui já morreram assim. Eu posso ajudar de outra forma. Se tudo der certo, logo logo encontro minha mãe.
- Tudo bem - dei-me por convencido - Pensei que você poderia gravar conversas dos responsáveis pelo local ou até mesmo conversa entre você e as mulheres. - falei retirando do bolso o gravador que a governanta nos deu junto ao pen drive.
- Eu faço, mas caso aconteça algo comigo, eu deixarei o gravador com a Gabi, é a mulher loira logo no primeiro palco. Grave a imagem dela.
- Vai dar tudo certo - falei colocando o gravador em sua mão para levantar em seguida.
- Espera! Não fazem nem 20 minutos que estamos aqui, vão desconfiar.
Ficamos conversando por cerca de meia hora. Ela falou dela e o que fará quando sair de lá. Falei de Alice e da minha nova vida como fugitivo.
Ao sair do quarto, fui em direção ao bar onde vi Ali pela última vez.... lá estava ela, gargalhando com alguns homens ao redor. Cheguei um pouco mais perto e constatei o esperado, ela está embregadada. Droga! Se no normal ela dá trabalho, imagina neste estado.
Começou a tocar Bailando do Enrique Iglesias e Alice começou a cantar vindo em minha direção....
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Defesa Quase Perfeita
Romance"- Sou advogada, não tô sendo paga para manter sua segurança, muito menos para servir de babá- disse, batendo meu pé impacientemente. - Babá? Não sou criança. Quem está agindo com birra é você.... mas se você quiser me dar banho... - retrucou Math...
