Capítulo 15

15.4K 1.3K 59
                                        

Acordei todo dolorido por dormir na poltrona, sem falar que acordei várias vezes durante a noite para checar se Alice estava com febre, felizmente não.

Minha paciente ainda dormia, então aproveitei para tomar um banho no quarto próximo ao dela, onde deixei minhas coisas. Enquanto me vestia escutei um barulho no corredor, olhei para o relógio e era exatamente cinco horas da manhã. Será que aconteceu algo?

Sai devagar pelo corredor, e a porta do quarto de Alice estava entreaberta. Essa teimosa deve estar tentando fazer  algo sozinha, mesmo não podendo. Entrei no quarto sorrateiramente, meu objetivo é assusta-la, mas quem levou o susto foi eu.... não era a advogada, ela ainda dormia... Lia? O que ela faz aqui?  Fiquei parado, em posição de observador, para poder descobrir.

- Droga! Não sei nem qual o nome! - ela sussurrou.

Estava abaixada, procurando algo na maleta de medicamentos, (que a equipe de segurança nos deu) no chão do quarto.

- Anticoncepcional ou pílula do dia seguinte? - perguntei sorrindo.

Lia se assustou ao ponto de cair para trás. Ela usava a blusa do Iago, estava toda descabelada. Brincando de boneca ela não estava!

- Matheus?

- Sim cunhadinha, esse é meu nome.

- Eu já estou indo. Desculpe, juro que não te vi aí.

Ela puxava a blusa do meu irmão para baixo na tentativa de cobrir suas pernas. Lia é uma mulher linda, isso ninguém pode negar, entretanto, é como uma irmã mais nova. Tenho todo o cuidado, carinho e respeito por ela, esse é um dos motivos para iniciar uma conversa sobre o que ela fez noite passada.

- Vocês usaram preservativo?

- Não, eu confio nele - respondeu de cabeça baixa.

- Não é questão de confiar. Vocês são jovens, não podem ter filhos. Não tens idéia da quantidade de pacientes adolescente grávidas que eu atendo.

- Ela já está nervosa! Pare de falar essas coisas! Transamos sem camisinha, ou seja, fomos irresponsáveis. Se nós, experientes, cometemos erros, que dirá, eles! - disse Alice que já estava sentada na cama.

- Vocês... meu deus - comentou Lia incrédula.

- O que fizemos foi errado, não há  desculpas para isso, e não se repetirá! Preservativo é essencial! - tentei argumentar meio constrangido com o comentário infeliz da advogada.

- Não vai se repetir, até porque eu não ficaria com você de novo.

Que mulher marrenta! Passei a noite cuidando dela, e ela me agradece fazendo eu perder minha moral.

- A questão é que eu me preocupo com vocês dois - falei, e a garota abaixou a cabeça envergonhada.

- Abra minha bolsa, lá tem pílula do dia seguinte e preservativo - disse Alice, apontando para cima da cômoda.

- Obrigada.

Lia correu, pegou o que Alice sugeriu e quando estava saindo, eu brinquei

- Da próxima, geme mais baixo para eu poder dormir.

- Eu fiz barulho? - perguntou inocente.

- Fez escândalo - respondi.

Ela saiu correndo,e não contive a risada.

- Muito engraçado, Dr. Ávila, agora ela vai ficar com vergonha de nós.

- Você que deveria ter vergonha por falar da nossa intimidade.

- Não temos uma intimidade - falou, levantando e mancando até o banheiro.

- Eu te dou banho - disse, seguindo-a.

- Obrigada por ontem. E não, não vais te aproveitar de mim novamente.

Ela sorriu e fechou a porta na minha cara. Que ousadia! Mas ela tem razão, o que fizemos foi loucura, no entanto, não vou mentir, ainda me sinto tentando a repetir a dose.

Desci com objetivo de preparar algo para o café da manhã. Infelizmente não sei fazer nada na cozinha, o dom culinário foi todo para Iago. Reparei que havia pães quentes em cima da mesa, provavelmente os seguranças vieram deixar. Gostei deles! Fazem a segurança, dão remédio, pães. Só faltam lavar a louça que sujaremos.

Minutos depois Iago desceu as escadas, acompanhado de Lia.

- Bom dia mano.

-Bom dia mano? Ontem teve né! - falei brincando.

-Matheus, por favor - pediu Lia.

- Ela está de mau humor, você não deve ter feito direito.

- CALA A BOCA! - exigiu irritado.

- Parem de provocações! Guardem as energias para o treinamento de vocês! - disse Alice chegando na cozinha, vestindo roupa de ginástica, que marcava bastante seu corpo...

- Você precisa se recuperar direito - falou Lia.

- Não se preocupe, não farei tanto esforço. Hoje vou ensinar vocês a atirar para ferir, e atirar para matar.

Nem vou contrariar, de certa forma, eles dois não são mais crianças e com essa nova vida, é necessário aprender a se defender.

Defesa Quase PerfeitaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora