Capítulo Quarenta e Cinco

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A enorme multidão de Sinistros caminha para fora do condomínio. Os carros nos esperam do outro lado da rua. Todos estão com o motorista dentro, já preparado para sair.

Surpreendentemente, fomos organizados para os carros. Mas quando chego perto de um dos carros, sou levada por uma onde de pessoas e acabo entrando no carro errado. Sou empurrada para o banco do meio, batendo contra a pessoa que está do outro lado. Uma garota entra e se senta do lado esquerdo. Cruzo os dedos para que ninguém saiba que eu esteja proibida de estar aqui.

Mas meu coração dispara ao ouvir:

— O que está fazendo aqui?

Eu rapidamente olho para a pessoa que eu esbarrei, que foi a pessoa que disse essas palavras. Harry me encara.

— Eu tinha que vir... — digo.

O motor do carro liga e em alguns segundos começamos a andar. Acho que somos um dos carros da frente.

— Você não podia estar aqui! — diz Harry, que parece estar bravo. — Você vai se encrencar!

Todos prestam atenção na nossa conversa, menos o motorista, que dirige o carro sem demostrar nada além de tédio.

Encaro os olhos de Harry.

— Se eu vou me encrencar, o problema é meu! — digo. Por que disse isso? Não quero começar uma briga. Principalmente dentro desse carro onde tem três pessoas de plateia.

Harry se vira para o motorista e diz:

— Pode parar esse carro? Não era para Claire estar aqui. Ela foi proibida de ir para o shopping.

Eu sinto raiva dele. Como pode pedir para o motorista parar o carro?

— Desculpe, sem paradas. — Diz o motorista, colocando o cotovelo em sua janela aberta. — Ordens do chefe.

Sorrio para Harry.

— Eu vou para esse shopping com você querendo ou não! — digo.

Droga. Estou começando uma briga. Nossa primeira briga. Por que estou colocando lenha na fogueira? Pare com isso, Claire. Pare agora!

— Você já levou duas infrações? Já parou para pensar que você está arriscando deixar sua irmã se for pega? — ele fala como se estivéssemos as sós.

Quero parar com isso agora. Mas parece que minha boca ganhou vida própria.

— Já parou para pensar que você está cuidando muito da minha vida? — digo em alto e bom tom.

Não era para eu ter falado isso. Desculpa!

— Eu só quero a sua segurança!

— Cuide da sua segurança primeiro antes de cuidar da minha!

Estamos parecendo aqueles casais idiotas que passam na TV. Passavam.

— Isso é uma loucura! — diz a pessoa que está do nosso lado, aturando nossas vozes irritantes. — Briguem depois!

Eu e Harry nos calamos. Toda vez que eu olhava para o rosto dele, via a raiva estampada. Estou muito arrependida por ter agido assim, mas agora é tarde.

O carro vibra muito e já passamos por uns dez buracos. A vista pelas janelas do carro se baseiam em destroços, lugares abandonados, corpos no chão e prédios destruídos.

Harry e eu não trocamos uma palavra. Nem um olhar. Já deve fazer uma hora ou mais que estamos aqui nesse carro. O clima está tenso até para os ouvintes da briga, que também não arriscam trocar uma palavra.

O motorista já desviou de vários carros que estavam parados no caminho e até subiu na calçada para passar de uma árvore caída no meio do caminho.

O carro vira para uma avenida gigantesca. Daqui, os prédios se alastram do começo ao fim. A grande maioria deles está destruído. Prédios de vidro refletem o sol que aparece aos poucos. Em um prédio não muito grande, um jato militar está caído, deixando o prédio sem telhado, com imensos buracos e rachaduras.

O lugar parecia ser bem bonito antes de tudo isso. Todos os prédios estão com uma aparência horrível agora.

Em uma placa caída, eu vejo o nome do lugar que estamos.

— Senhoras e senhores, sejam bem-vindos à Avenida Paulista — diz o motorista.

Então, o carro passa por cima da placa. Destroços de um prédio bloqueiam o caminho, fazendo o carro ir pela esquerda. Nós passamos pela faixa vermelha de ciclistas e pela calçada de pedestres para chegar ao outro lado.

Continuamos o caminho. O carro da frente atropela um zumbi, que cai no chão.

Avançamos um pouco e vemos alguns zumbis rodeando a rua. Eles nem tentam avançar para o carro. Sabem que vão perder. Estão em um número pequeno.

Alguns deles até tentam atacar, mas são atropelados.

É incrível ver essa avenida vazia. Tem pouquíssimos carros parados no caminho. Isso é estranho.

O silêncio voltou novamente e continuamos o caminho.

***

Estava mergulhando em meus pensamentos quando o carro para. Eu "acordo" e olho pela janela. Vejo um enorme edifício de dois ou três andares e com uma largura gigantesca. Há estacionamento interno e externo. É o shopping.

O carro volta a seguir um caminho entre vasos de plantas — a maioria está quebrado. Então, descemos devagar uma rampa, entrando em um corredor debaixo do shopping.

O carro da frente passa por um quadrado metálico que se parece com um gol de futebol sem rede. Pelo buraco em que o carro passou, um holograma vermelho se inicia e várias armas são mostradas por ele. Um alarme agudo começa.

— Detector de armas! — diz o motorista.

Como isso ainda funciona?

Então, nosso carro passa pelo holograma vermelho e ele desliga por dois segundos, depois volta com outras armas. Entre elas, está o meu arco.

O corredor é bloqueado por uma enorme plataforma de metal, mas o carro da frente continua andando e acaba derrubando a plataforma. Assim que passamos por cima dela, vejo zumbis saírem de trás dos pilares e dos carros que já estavam aqui parados, atraídos pelo barulho do detector de armas.

As pessoas do carro da frente saem armadas. Assim que nós saímos do caminho para os outros entrarem, fazemos o mesmo.

Puxo uma flecha da minha aljava e a atiro contra um dos zumbis. Já os outros, atiram com pistolas e outras armas barulhentas. Um dos homens do outro carro ergue sua pistola e atira contra o detector de armas enquanto outro carro passava.

O barulho irritante para, mas ainda continuam vindo zumbis.

Atiro flechas nos zumbis que estão vindo rápido. Eles vêm de todas as partes.

— Vamos, para dentro do shopping! — grita alguém.

Eu corro atrás de uma mulher e três homens. Eles atiram nos zumbis vindos da esquerda. Corremos desesperadamente pelas ruas do estacionamento. Vejo a porta de vidro do shopping e corro na direção dela. O problema é que é a direção onde há mais zumbis.

Pego uma das minhas flechas e atiro na cabeça do que estava mais perto. Não tenho tempo para respirar. Meus pulmões ardem a cada passo rápido.

Atiram nos zumbis a nossa frente. Uma bala atinge o vidro da porta, o quebrando.

Passo pela porta e, finalmente entro no shopping. Coloco as mãos nos joelhos, descansando. Respiro rapidamente.

As outras pessoas que me ajudaram já estão aqui também. Olho para o estacionamento e vejo todos vindo, mais facilmente, pois limpamos grande parte do caminho.

Esperamos todos chegarem para continuarmos com a missão.

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