Situação Difícil.

99 5 0
                                        

Andressa e eu nos esquivavamos entre as pessoas que dançavam e bebiam.
Quando passamos ao lado do bar, um homem que não parecia ter muita idade puxou And.
Parei para observa-lo, o homem bem mais velho que eu que aparentava ter menos de sessenta anos. Seus cabelos tinham rastros de poucos fios grisalhos. Ele vestia um terno cinza, era o único que não estava de preto em todo o bar. Ele tinha uma barba rala como se estivesse dizendo " preciso fazer a barba, mas isso me deixa mais gato". Seus olhos eram duros e seus lábios rosados. Seus dentes eram inteiramente perfeitos, em uma formação sem igual, retos e brilhantes.
Seu rosto também um pouco pontudo ficava perfeito com seu corte de cabelo. Ele era inteiramente elegante. Velos, mas muito atraente para sua idade.
- And. - o homem cumprimentou Andressa sem tirar os olhos dos meus.
- Sr, como vai? - Perguntou Andressa.
- Bem. - Onde estão indo? - O homem estava sentado em um banco que rodeava o bar.
- Estávamos indo ao banheiro. - And colocou um dos fios de cabelo dela atrás da orelha.
Andressa tratava o homem como se ele fosse muito importante, e realmente, ele aparentava ser.
- Você poderiam sentar e me fazer companhia. - O homem sorriu.
Eu não estava realmente com vontade de usar o banheiro,apenas não queria mais atrapalhar Gabriel. And me olhou como se pedisse permissão e então eu fiz que sim com a cabeça.
- Claro. - Andressa sorriu como resposta para ele.
- Óh, que educação a minha. - Ele agora olhava inteiramente para mim; o homem se levantou e deu um passo em minha direção. - Eu deveria ter me apresentado antes. Prazer me chamo Marcelo. - ele estendeu a mão para mim.
- Alice. - Respondi entregando minha mão.
Marcelo segurou ela um pouco forte e a beijou.
- Vi a senhorita na mesa do Bruno. - Marcelo agora me guiou até um banco ao seu lado.
Andressa nos olhou como se fôssemos um casal, tanto que ela se levantou de seu banco nos pedindo licença e saiu entre as pessoas.
- Sim. - Respondi.
- Aceita uma bebida? - Marcelo perguntou.
- Não, mas fico agradecida. - Sorri.
Olhei em volta procurando por Gabriel mas não o encontrei.
Marcelo se inclinou para chegar mais perto de mim e então senti um cala frio percorrer o meu corpo.
- A senhorita é muito bonita. - Marcelo olhava dentro dos meus olhos.
Tentei vir um pouco mais para tras, posso dizer que essa aproximação com Marcelo não me agradava.
Minha mão estava em cima do balcão, Marcelo estendeu a mão dele e tocou na minha.
- Alice, você está acompanhada? - Marcelo acariciou meus dedos.
Foi então que senti uma mão na minha cintura, uma mão quente e familiar.
- Sim Marcelo, ela está acompanhada. - Era Gabriel, ele olhou para a mão de Marcelo em cima da minha, então a puxei.
- Sr. Swan. - Marcelo fingiu um sorriso educado.
- Vocês se conhecem?- Pergunto para Gabriel.
- Sim, e parece que vocês também. - Gabriel olhava Marcelo com uma expressão nada agradável.
Marcelo tinha em sua frente um copo e uma garrafa de whisky, ele apertou o copo cheio entre seus dedos.
- Veio fazer negócios com qual dos Hills dessa vez Gabriel? Bruno ou Nicholas?- Marcelo falou desafiador.
Gabriel continuava com seu rosto firme e sem expressão, então puxou um banco e se sentou ao meu lado.
- Só estou visitando velhos amigos. - Gabriel puxou um copo virado para baixo e o encheu com a garrafa de Marcelo.
- Namorada nova? - Marcelo apontou com os olhos para mim. - O que aconteceu com a outra? Enjoou de fazer sexo com ela?
Pensei que Gabriel estava realmente irado. Marcelo sabia bem o que dizer. Mas Gabriel apenas sorriu falsamente.
- Cuidando da vida dos outros como sempre né? - Gabriel bebeu um gole de seu whisky.
Marcelo realmente não tinha gostado do comentário.
-Já que está por aqui Swan, podemos fazer negócios. - Marcelo falou.
- Ainda está tentando roubar a boate de Nicholas? - Gabriel perguntou.
Pelo visto Gabriel não iria ceder a essa guerra imposta por Marcelo.
- Claro que não Gabriel, lá é um ponto forte, onde eu mais ganho dinheiro. Porquê eu iria ter interesse em destruir isso?. - Marcelo tinha uma expressão nada agradável. - Por acaso sua nova amiguinha já conheceu o comércio do Nicholas? E eu não estou falando da boate.
Agora quem ficou sério foi Gabriel, o sorriso vencedor em Marcelo apareceu.
Nicholas tinha algum comércio? Eu não sabia nem da boate direito.
De repente eu senti meu peito apertar, com uma vontade de ir para casa.
- Vejo que você não mudou nada. Continua a paquerar garotas mais novas. - Gabriel sorriu.
- Você não pode falar nada sobre mudanças Swan, porque você continua o mesmo. - Marcelo continuava sem preocupações.
Eu apenas observava os dois, Marcelo sorria para mim de um modo galanteador. Gabriel parecia ter notado.
- Pare com isso Marcelo, você está sendo muito indiscreto. Primeiro, Alice tem idade para ser sua filha. Segundo, ela é minha. Você não deveria ficar de olho no que é dos outros. - Gabriel agora se segurava para não sorrir.
Marcelo apenas continuou elegante. Aquela conversa não estava mais me agradando.
- Com licença cavalheiros, vou ao toalete. -Me levantei.
- Primeira a esquerda querida. - Marcelo falou.
Acenei e então virei a esquerda como Marcelo havia dito.
Duas portas uma para mulheres e outra para homens, em um corredor escuro.
Estava cheio de pessoas fora do banheiro rindo, fumando e bebendo. Tossi um pouco com a fumaça e abri a porta do banheiro feminino.
O banheiro estava vazio, suspirei e me senti feliz por não ter ninguém lá dentro fumando igual lá fora.
Apoiei os braços sobre a pia e me olhei no espelho, me senti cansada. Joguei água no rosto e então puxei um papel toalha para seca-lo. Voltei a me encarar no espelho, me sinto cansada dessa vida de armações do Gabriel. Eu queria saber mais sobre o seu passado, queria saber sobre sua família. Mas talvez eu não queria saber sobre a vida dele, e sim fazer parte dela...
Pelo espelho vi alguém do meu lado. Um homem da minha altura com olhos vermelhos e rosto pálido, cabelos espetados para cima.
Me virei para olhar ele.
- Desculpe moço, mas aqui é o banheiro feminino. - Falei com calma.
- E é aqui que se encontra as delicinhas igual você. - Disse ele.
- Não entendi. - Digo.
O homem chegou muito mais perto, que senti o cheiro de cigarro vindo dele.
- O que você está fazendo? - perguntei sem resposta.
Ele apertou suas mãos em cada um dos meus braços.
- Não toca em mim. - Falei.
Tentei puxar meus braços para trás. Porém, o homem não era alto, mas era forte.
- Não tenha medo gracinha, se você colaborar vai ser mais fácil. - Sorriu o homem com seus dentes amarelos.
- Colaborar com o que? - Perguntei sem entender.
O homem me apertou contra a pia, apertou mais ainda meus braços, tanto que doíam.
Ele trouxe sua boca até meu pescoço, me trazendo uma grande agonia.
- Me solta! - Gritei.
- Ninguém vai te escutar. - Ele disse com os lábios na minha clavícula.
Sua mão apertou minha coxa direita.
- Por favor, alguém me ajuda. - Gritei me debatendo e tentando me soltar.
Sua mão agora tentava conter meus braços.
Eu gritei por ajuda de novo, e agora o homem veio até minha boca e tentou me beijar, enquanto eu esperneava, gritava e pedia por ajuda. Com a minha perna direita tentei acertar seu pênis, mas ele segurou minha perna.
- Socorro! - Continuei a gritar.
- Menina má. - Falou com aqueles olhos escuros e vermelhos.
- Por favor, Ajudem! - Me senti exausta para parar.
Senti o desespero correr por todo meu corpo enquanto o homem passava sua mão pela minha barriga.
- Ninguém vai te ajudar loirinha. - Ele disse agora de volta ao pé do meu ouvido.
De repente escutamos um barulho forte, o som da porta se abrindo. O homem e eu nos viramos para olhar, ele ainda me segurava enquanto eu tentava me soltar.
Gabriel entrou correndo no banheiro.
- Solta ela Filho da Puta. - Gabriel gritou puxando o cara tão facilmente de mim.
Quando o homem já não tinha mais suas mãos em mim, deslizei até o chão e dobrei minhas pernas, passei meus braços por elas e comecei a chorar sem me controlar.
Gabriel segurou o homem com a mão esquerda e o socou com a direita.
- Qual é a sua cara?. - O homem perguntou tentando se livrar de Gabriel.
Gabriel jogou o homem no chão e ajoelhou sobre ele, o segurando pela gola da camisa e o socou novamente.
- Qual é a minha cara? Você tenta estrupar a minha mulher e me pergunta qual é a minha? - Gabriel gritava e minhas lágrimas rolaram mais e mais.
- Para de ser careta. - O homem riu.
E Gabriel acertou outro soco agora em seu maxilar.
Seu nariz escorria sangue, e ao sorrir a boca dele também estava ensanguentada.
- Bom gosto ela é uma loirinha gostosa. - O homem disse.
Gabriel se levantou enquanto ele estava jogado e o chutou diversas vezes na coluna, barriga e onde mais seu pé acertava.
Gabriel levantou o homem que já estava mole, e em momento algum conseguiu se defender das agressões de Gabriel.
Gabriel jogou o rapaz contra a parede e o socou mais diversas vezes, dobrou o joelho até o pênis do homem que se contorceu de dor.
O homem já estava inconsciente, mas Gabriel tinha fogo nos olhos e queria por mais.
Ele estava numa variação de chutes e socos no rapaz.
- Para por favor! Gritei baixo entre soluços, mas Gabriel me escutou.
Gabriel olhou tão rapidamente para mim, jogou o homem de canto e veio rápido em minha direção.
Ele se ajoelhou e passou os braços em minha volta, apoiei minha cabeça em seu peito sentindo seu cheiro familiar e confortável de novo. Foi então que meus soluções aumentaram e as lágrimas escorreram mais rápido.
- Pronto, eu estou aqui. Estamos juntos de novo. - Gabriel disse passando a mão sobre meu cabelo.
Eu o amava por isso, ele não me disse que ia ficar tudo bem ou que tinha passado. E sim que estávamos juntos. Ele sabia que para mim não importava mais nada se estivessemos juntos, depois de tudo que eu passei eu só queria estar com ele.
Ficamos alguns minutos ali abraçados enquanto eu chorava, e o homem continuava inconsciente no chão. Penso que se Gabriel tivesse continuado a bater nele, ele estaria morto.
- Quero ir para bem longe daqui. - Sussurrei.
Gabriel me olhou e confirmou com a cabeça, ele se levantou e deu a mão para mim me levantar também.
Fomos em direção a porta, o homem estava deitado em frente a ela.
Gabriel o chutou na coluna por uma ultima vez. E voltou a me abraçar, saímos dali assim. Passamos por pessoas gritando e pulando mas sem nós soltarmos.
Quando chegamos até a moto, Gabriel me encostou ali.
Pegou o celular e mandou uma mensagem. Em menos de um minuto Bruno estava ao nosso lado.
- Vim assim que li sua mensagem. - Falou Bruno.
- Eu preciso do seu carro. - Disse Gabriel.
- Claro. - Bruno tirou as chaves do bolso. - Como ela está?
- Já esteve melhor. - Respondeu Gabriel pegando as chaves.
- Amanhã mando trazerem seu carro. Disse Gabriel.
Bruno confirmou com a cabeça, Gabriel passou seu braço em volta de mim e então demos alguns passos até chegar perto de um carro esticado da cor prata. Ele abriu a porta para mim e então deu a volta no carro entrando no banco do motorista.
Coloquei o cinto e Gabriel fez o mesmo. Bruno estava do lado de fora da porta de Gabriel, ele abaixou o vidro.
- Valeu cara, e só pra avisar, tem um vagabundo jogado no chão do banheiro feminino. Disse Gabriel piscando.
- Pode deixar, vou resolver isso. - Bruno sorriu e acenou também.
Gabriel ligou o carro e então seguimos em silêncio pelo mesmo caminho de volta.

Por AmorHistórias para pegar e não largar. Descubra agora