Deixamos o corpo jogado no chão, e andamos até o meio da rua, quando viro novamente para olhar para trás, o corpo não está mais lá, ele desapareceu. Reparo na preocupação de Lia e em como seus olhos azuis ficaram cinzentos.
-Então é isso que acontece quando uma pessoa morre, seu corpo some e sua alma evapora, como se nunca tivesse existido - sussurra Lia ao meu lado, o vapor de sua respiração está quente, e aproveito cada segundo de suas palavras.
-Não importa, apenas vamos sair daqui, esta escurecendo - digo puxando o braço dela, mas Lia se recusa a ir.
-Não importa? Seth eu perdi meu pai e meus dois irmãos eu estou sozinha no mundo - diz ela como se eu não estivesse ao seu lado.
-Lia, a cada minuto os últimos sobreviventes estão morrendo, você não está sozinha, mas estará em 1 ano, se você não fizer algo útil e me ajudar a descobrir o que está acontecendo. -digo em um tom rude e ameaçador, fazendo a recuar com medo.
Começo a sentir uma dor agonizante vinda do meu estômago, pessoas normais sentem borboletas na barriga, no meu caso estava mais para piranhas beliscando cada órgão do meu corpo. Coloco a mão no meu estômago e tento parar a dor, caio no chão, Lia vem até mim e coloca a mão em meu braço, seu toque desperta algo em mim, minha dor de cabeça volta, sinto me mais forte, então deixo que ela me consuma. Minha visão fica preta, mas ainda sinto minha respiração, a potência de um novo poder, não só vidência mais a conecção com o passado.
POV Lia
Me assusto quando Seth começa a ter uma covulsão, ele fica pálido e uma espuma branca sai de sua boca junto com a tremedeira que se espalha pelo seu corpo. Viro sua cabeça de lado deixando sua barriga ainda para cima, a espuma escorre, coloco a mão a alguns centímetros da sua boca e não sinto saída de ar, coloco meus dois dedos em sua garganta e puxo sua língua para longe da uvula, fazendo com que ele não se engasgue com ela. Seth abre os olhos lentamente, e dou lhe um abraço de felicidade, ele ainda está pálido e fraco.
-O que aconteceu? Pensei que fosse morrer. - digo a ele.
- Nada - diz Seth me ignorando.
POV Seth
Levanto me do chão, Lia segura meu braço e recuo com o seu toque, ela se assusta com gesto.
-Eu estive pensando Seth, você sabe de muito mais, esta esconde coisas de mim, e eu não gosto disso. Você é tudo o que eu tenho agora, não quero segredos entre nós. - diz ela, se aproximando.
-Não a nada para falar. - digo em resposta, vendo os olhos semicerrados de Lia perfurando minha alma.
-Você teve uma convulsão Seth, eu acabei de te salvar, isso não é normal, você não é normal. - grita ela
-Obrigado.
-Eu não quero ouvir isso, quero saber o que está escondendo de mim, caso você não tenha percebi tudo aconteceu 15:37 da tarde, os relógios pararam de funcionar nesse exato momento e sabe em que dia você nasceu? 15 de março de 1997 isso não é uma coincidência Seth. - Tem razão, eu nunca havia pensado nisso, mas era verdade, olhei no relógio em meu pulso e observei por alguns minutos os ponteiros, mas eles não se mexeram.
14 Esse número esteve em minha mente, quando eu esta tendo meu ataque de convulsão. 14 pessoas, entre os 140 milhões de sobreviventes estão em minha cidade, alguns são perigosos outros são covardes, mas é minha missão é guiar lhes para o caminho que querem seguir.
-Temos que ir a cidade, conto tudo no caminho, vamos pegar a caminhonete do seu pai. - digo indo em direção a sua casa, e pegando as chaves do pai de Lia de dentro de sua calça jogada no chão. Jogo as chaves para Lia enquanto ela vai em direção a garagem.
-Seth temos um problema - grita ela da garagem. Vou até lá.
-O que foi? - pergunto.
-O carro não funciona, acho que assim como o relógio, toda a tecnologia parou. Mas porque o caminhão estava funcionando. - perguntou ela pensativa.
-Talvez ele fosse engenheiro e o fogo tenha ajudado. Vamos entrar na casa, quero ver umas coisas. - saímos correndo para casa, peguei o controle remoto e tentei ligar a TV mas ela só ficava preta, fui até o telefone, estava mudo. Pego a espingarda do pai de Lia e coloco nas minhas costas.
-Para que uma espingarda? - pergunta Lia
-Teremos companhia, e eu não tenho poderes para enfrentar alguém e sobreviver - digo com um sorriso entristecido. Pegamos as bicicletas dos irmãos mais novos de Lia, e vamos pedalando até o centro da cidade.
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98%
Teenfikce12 de setembro de 2016 15:37 da tarde 98% da população desaparece E aqueles que permanecem vivos, ganham uma tatuagem numérica no pulso. Seth tem o número 367 e Lia tem 1017 E junto com a tatuagem certos sobreviventes ganham poderes misticos. E apa...
