Medo e solidão - 5° Dia

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O céu começa a escurecer, encosto meu carro num beco, e durmo no banco de tras, só consegui dormir por duas horas, tenho medo do escuro e da solidão. Esses são os piores medos. Me olho no espelho do carro, estou horrível, meu cabelo preto está molhado pelo suor, minha pele está pálida e meu olhos estão com um contorno de preto, conhecido como olheira. Começo a revirar em minha mente outros lugares perto da praia para me instalar, Droga, eu adoro o planetário. Resolvo instantaneamente que é para lá que eu vou.

Ligo o carro, e começo a andar pela cidade vazia, sempre imaginei que quando toda a população desaparece a primeira coisa que iria fazer era tomar o sorvete mais caro e mais gostoso, isso parece besteira perto do que estou enfrentando nesses dias. Não acharei sobreviventes tão cedo, essa cidade está vazia por enquanto.

Vou em direção a praia, paro o carro na areia, saio dele, tiro meu tênis, e sinto a areia em meus pés, vou para a água, fria mas não prazerosa, continuo andando lente a agitação das ondas, a água está agitada hoje, mais que o normal, e eu estava certo é a gravidade. Quando a altura do mar está na minha cintura mergulho de cabeça, sinto o choque termino, sinto meu corpo sendo levado pelas ondas cada vez mais fundo, sinto meu corpo entrando em contato com as rochas submersas e em seguida a dor, sinto vozes gritando meu nome.

Água transborda do meu pulmão, e vômito para fora de minha boca, essa é a primeira sensacão que tenho quando acordo. Abro os olhos lentamente, em minha frente vejo Gomez rígido feito pedra e Lia chorando, ela fecha o punho e bate em meu peito.

-Você é louco. Faz idéia no tanto que me deixou preocupada - diz ela por entre as lágrimas.

Soluço um pouco, estou tonto o bastante para não poder raciocinar agora, meu corpo sofre com o frio e meu cérebro com a dor de cabeça, fecho os olhos novamente.

Acordo no planetario, reconheço esse teto, meu corpo está enrolado em cobertor e não consigo mexe - lo, movo o braço e a perna lentamente depois de alguns minutos me levanto desengonçado, tropeço algumas vezes, mas por fim, consigo. Vou até a sala principal, encontro todos lá dormindo, quando fecho a porta sem delicadeza, todos acordam.

- O que aconteceu ? -pergunto

-Para um cara que sabe de tudo essa pergunta é um pouco duvidosa. - exclama Gomez

-Voceis mexeram no meu carro? - pergunto.

-Não ele está onde deixamos. - diz Gomez.

Saio da sala, e do planetário, vou ao meu carro, pego a chave jogada na areia, e ligo ele. Quando olho para trás todos vieram comigo.

-Voceis fogem de mim e depois me salvam, o que voceis querem? - grito

-Nós temos medo de você Seth - diz Lia finalmente.

-Então fiquem longe.

-Você poderia ter morrido - grita ela

-Eu não pedi que me salvasse. Eu não sou uma criança, não quero lugar no grupo de voceis, estou por conta própria agora, então saiam do meu caminho.

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