As minhas tardes nada mais eram do que serões planeados de estudo; eu era daquelas pessoas que adiantava a matéria, preparava as apresentações, e, de facto, fazia os trabalhos de casa. O último ano do secundário implicava uma redução no horário escolar, para que os alunos tivessem mais tempo para estudarem para os exames e a minha intenção era aproveitar cada oportunidade ganha. Medicina era a meta que eu iria cruzar daqui a menos de um ano, com a nota perfeita, na universidade perfeita - ou assim esperava. Porém, parte das minhas tardes desapareceram, agora que teria de as preencher com aulas extra de Educação Física. Não tinha sequer palavras para expressar o quão ridícula era esta situação.
O Diretor Horan dissera que os alunos do último ano que quisessem subir a nota de Educação Física podiam inscrever-se nas aulas extra. Quantos o fizeram? Zero. Porquê? Porque ninguém estva tão desesperado como eu para subir esta nota, porque uma média de dezanove e meio não era a mesma coisa que uma média de vinte. Não podiam ter esperado um ano para aprovar essa medida? Um ano!?
Portanto cá estava eu, nos bancos de trás do carro do Mark; A Anna ia ao seu lado, no lugar de pendura, a presença dela a contrastar com a do meu irmão. Ainda que filhos dos mesmos pais, o Mark não fora abençoado com a mesma cor de olhos e cabelo - e eu não fora abençoada com as skills sociais e a altura. O meu irmão era um rapaz esguio com olhos cor de avelã e cabelo escuro espetado para todas as direções menos para a mesma, e era um camaleão social de metro e oitenta adaptável a todas as circunstâncias. Veio o caminho todo a reclamar de qualquer coisa a que não dei importância, enquanto a Anna assentia e fazia valer o seu ponto contrário. As ondas naturais que lhe caiam pelos ombros refletiam a luz, quase como a enfatizar o facto de que a Anna Watson era um raio de sol ambulante. A Anna tinha a capacidade de equilibrar os extremos do meu irmão, que desconhecia qualquer número que não o oito ou o oitenta.
"Vais fazer desporto, lunática?" Troçou ele, encarando-me através do espelho retrovisor, depois da pseudo-discussão ter acabado. Provavelmente perdeu e está a usar-me como forma de se esquivar do assunto anterior.
Não respondi, apenas desviei olhar e foquei-me no tempo que levava o semáforo a passar para verde.
Aquele abismo de discrepâncias entre o Mark e a Anna não se baseava apenas no caos de um e serenidade doutro, nem tão pouco em questões de higiene. A Anna era a única pessoa que eu conhecia que lava as solas dos sapatos. Por sua vez, o Mark tinha uma coleção de chávenas usadas na mesinha de cabeceira. Era a Anna quem puxava o travão quando o Mark exagerava nas piadas que fazia comigo e quem tinha sempre uma palavra amável para me dar. Contudo, a Anna também era a desculpa do Mark para quando ele era bom comigo. No fundo, fazia tudo por mim, mas jamais admitirá que era de livre vontade; era sempre vontade da Anna e ele, como bom namorado, só ia atrás.
"Diverte-te." Gracejou Mark, ao parar o carro junto à entrada da escola. "Quando te despachares, liga-me."
Apenas com a mochila de treino ao ombro, entrei na escola e passei o cartão no leitor da portaria. Desci as escadas até ao rés-do-chão e fiz o meu caminho até ao pavilhão Gimnodesportivo, que ficava na outra ponta da escola, para lá dos três pavilhões de aulas e do pavilhão da cantina.
A arquitetura do liceu era questionável, segundo a minha opinião sem fundamentos. Os quatro pavilhões tinham três andares, sendo o último uma divisão corrida assente sobre os quatro pilares. No primeiro pavilhão era a cantina, a sala dos professores e o anfiteatro; o segundo pavilhão tinha salas de aulas e a biblioteca no terceiro andar; o terceiro pavilhão também tinha salas de aulas, mas era coroado pela secretaria e a administração. O último pavilhão era o meu favorito, pois era onde estavam as salas de desenho e os laboratórios. A direção da escola ficava no terceiro andar, e admirava-lhes a coragem de estarem mesmo por cima do local onde alunos de todas as idades brincavam com potássio e água.
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
FanfictionSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
