De momento, nada me aborrecia mais do que este mini projeto de Educação Sexual. As tardes perdidas com Educação Física eram, pelo menos, um meio para um fim. Já este projeto de Educação Sexual em nada me seria útil - nem para notas, nem para a vida, nem para o que quer que fosse. Além do aborrecimento, frustrava-me o quão desnorteada estava com o tema. Por mais sarrabiscos que borratassem folhas soltas, não conseguia escrever nada minimamente satisfatório. E como se já não bastasse a frustração causada pela minha incapacidade de fazer um bom trabalho, também tinha de lidar com o facto de não conseguir simplesmente ignorá-lo e focar-me no que interessava. O meu nome é Bella Maya Evans e eu não sei dar menos do que cem por cento de mim em tudo o que faço.
O que é o amor? Na teoria? Na prática? Metaforicamente falando? A pergunta não pedia uma resposta objetiva, e talvez fosse esse o obstáculo no meu caminho. Poderia eu falar da minha interpretação do amor perante o que via nos que me eram próximos? Seria amor a minha mãe fingir estar cheia para que o meu pai pudesse ficar com o que sobrava do prato dela? Seria amor o Harry ficar na escola até mais tarde para poder convenientemente oferecer boleia à Martha? Seria amor o porta-luvas do carro do Mark nunca ter falta de toalhitas e álcool gel para quando a Anna precisasse? E seria aceitável eu descrever estes detalhes que captava inconscientemente num projeto escolar?
O que irão os meus colegas escrever? Tendo em conta que o trabalho é para entregar na penúltima semana do período, duvido que alguém tenha sequer perdido dois segundos a pensar no assunto - e o facto de não valer absolutamente nada para a média final também não ajudava.
Além disso, as avaliações estavam à porta. Não me foi possível adiantar a matéria como havia planeado e a ansiedade percorria o meu corpo como um formigueiro sorrateiro que não era nem suficientemente forte para chamar a minha atenção, nem suficientemente fraco para que eu pudesse fingir que não o sentia. O que a experiência me cochichava ao ouvido era que eu precisava de me organizar, porque o que hoje era um mero formigueiro seria amanhã um terramoto.
Ainda só eram sete e meia e já o meu cérebro estava a todo o gás. O piloto automático só comandava o meu corpo, porque a minha mente não se permitia a si própria fazer uma pausa. Quando dei por mim, já me tinha vestido e lavado os dentes, e estava a caminho da cozinha para tomar o pequeno-almoço. A minha mãe já tinha saído de casa, mas não o fizera sem deixar bacon frito numa frigideira e café fresco. Mais uma prova pura de amor que eu não seria capaz de explicar por palavras.
O Mark chegou à cozinha com uma T-Shirt roubada do estendal, as marcas das molas ainda visíveis por baixo das axilas, e a dormir em pé, a sonhar com a sua cama no andar de cima. Ao contrário dele, a Martha desfilou em direção ao frigorífico com o salto alto a ecoar atrás de si e as lantejoulas do top a refletirem as luzes do teto. Os minutos da Martha não têm o mesmo número de segundos que o resto da humanidade - ela acordava depois de mim e fazia o equivalente às oito horas laborais de um salão de estética antes do pequeno-almoço.
"E então!?" Guinchou ela, abraçando um Mark muito sobressaltado com a demonstração repentina de afeto.
"Então o quê? Larga-me!" Resmungou o meu irmão, destrançando-se dos braços da Martha.
"O que tens planeado para esta noite?"
Quinze anos de existência e a Martha ainda não percebera que não se podia fazer muitas perguntas seguidas ao Mark de manhã.
"Ahn?"
A resposta do Mark não fora do agrado da Martha. O sorriso dela desvaneceu e, de seguida, cruzou os braços, impaciente.
"Que dia é hoje, idiota?"
"Sei lá, quinze de outubro?"
A Martha inspirou fundo, irritada: "E...?"
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
FanfictionSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
