Capítulo 26 (Revisto)

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O meu anjo da guarda de nome Carly Shay foi buscar as minhas coisas ao restaurante, uma vez que era impensável eu fazê-lo. Não ia conseguir aguentar todos os olhares postos em mim, nem as perguntas incessantes. Se alguém quisesse saber o porquê da minha ausência, a Carly dir-lhes-ia que eu já me estava a sentir mal desde manhã, portanto o mais provável era eu estar a chocar alguma doença e, por isso, devia ir para casa.

Agora que ganhara a noção do que estava a sentir, era gritante a quantidade de vezes que o Malik me passava pela cabeça sem eu reparar, nas mais irrelevantes e variadas circunstâncias possíveis. Como por exemplo, agora mesmo estava a questionar-me se ele também se juntaria ao coro de vozes que interrogavam a Carly e a Miranda sobre a minha saída à socapa. O mais certo era ele não querer saber - eu era só uma aluna inconveniente ao seu dia-a-dia. Ele iria continuar a comer o seu hambúrguer e a beber o seu refrigerante e a falar com a Daisy sobre como ela era mil vezes melhor do que eu. Para não falar da amiga que lhe levava girassois, que não podia ser só uma amiga, com certeza ela ocupava a cabeça dele, não eu.

"Queres que esperemos contigo pelo Mark?" Perguntou a Miranda, com o seu braço à volta dos meus ombros.

"Não é preciso, obrigada." A minha amiga apertou-me num abraço e, depois, voltou com a Carly para o restaurante.

Por muito que estivesse grata pelo que a Carly e a Miranda fizeram por mim, o que eu mais queria neste momento era estar sozinha para poder começar a processar o que tinha acabado de acontecer e como o poderia evitar no futuro. Apesar de nunca ter passado por esta situação, eu sabia que não podia simplesmente desligar os meus sentimentos por ele, ainda por cima com todas as aulas que tínhamos a sós. Estava a tentar convencer-me de que era normal eu me ter apaixonado porque o contexto era propício a isso - um rapaz não tão mais velho do que eu, que eu achava atraente desde o primeiro dia em que o vi, com quem passava muito tempo sozinha. Um rapaz que me perguntava como eu estava, que me ajudava, que pedia a minha opinião.

Raios! No que me fui meter? Sou tão estúpida.

Ainda por cima não podia evitá-lo - eu precisava das aulas extra.

Um peso saiu de cima dos meus ombros quando vi o carro do Mark a entrar no estacionamento e a contornar o passeio. Entrei assim que o carro parou à minha frente e coloquei o cinto.

"Queres ir para casa?" Perguntou ele, com a atenção voltada para a estrada e não para mim, felizmente.

Não sabia se ir para casa era uma boa ideia, porque o mais provável era eu enfiar-me na cama ou tentar estudar e nenhuma das opções me iria ajudar. Talvez devesse aceitar que hoje o dia não iria ser produtivo, por muito que me custasse.

Após alguns segundos sem resposta, o Mark preencheu o silêncio por mim: "Queres ir ao novo sítio de Bubble Tea?"

"Nunca bebi Bubble Tea."

"É hoje, então." Decidiu.

Como os meus ataques de pânico aconteciam com frequência, o Mark já tinha aprendido a reconhecer determinados padrões no meu comportamento. Algum detalhe no meu rosto, na minha voz, ou na minha respiração transmitiu-lhe na perfeição que eu não queria ir para casa e que talvez quisesse beber ou comer alguma coisa. As folhas de alface não mataram a minha fome, portanto teria de compensar o meu estômago de alguma forma.

Não fazia ideia de onde estávamos a ir, apesar de já ter ouvido falar imensas vezes sobre o novo sítio de Bubble Tea. Pelos vistos era a nova tendência em Inglaterra e as lojas estavam a brotar às dezenas pelo país. Também não sabia o que era um Bubble Tea, logo estava a assumir que era um chá doce com gás, o que não fazia sentido nenhum, mas não via outra opção. O caminho estava a ser percorrido em silêncio, com olhares sorrateiros do Mark.

(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora