Apoio ao Cliente: vives em q zona
Bella: Heaton, perto do cemitério
Apoio ao Cliente: apanhote na rua de terra batida ao lado do cemiterio as 9
Perdi a conta do número de vezes que tinha lido aquela mensagem.
Não abordamos assunto nenhum, estas duas mensagens foram tudo o que recebera. A falta de coragem para responder era colossal, portanto fiquei-me pela releitura de uma frase ortograficamente incorreta.
Passara o resto da semana presa nestas mensagens e no constante sentimento de culpa e ansiedade que me seguiam como uma sombra. Conseguira realizar o teste de Matemática com algum sucesso, mas não sem a companhia de uma densa dor de cabeça que se prolongara até ao final do dia de ontem.
A Carly pedira a minha ajuda para as compras de Halloween ontem à noite. Tive de batalhar contra a teimosia dela, porque eu não estava de todo capaz de sair de casa. Qualquer luz era um incómodo e qualquer barulho era como uma martelada a ressoar por entre as minhas têmporas. As minhas amigas estavam habituadas às minhas enxaquecas - tinham começado por volta do nono ano e, ainda que não fossem recorrentes, quando apareciam, o objetivo era matar o resto do dia. Ainda pensei que esta enxaqueca fosse o meu corpo a dizer-me para ficar em casa hoje, que o que eu estava prestes a fazer era errado. Porém, acordara com a cabeça leve e cheia de energia.
Em mãos, o problema era a minha mãe. Nunca fora boa a mentir, porque como nunca tivera essa necessidade, nunca a treinara. O mais provável era ela nem reparar no tempo que eu iria ficar fora de casa, mas eu era uma crente convicta na Lei de Murphy - se podia correr mal, ia correr mal. A Martha era a única pessoa que era alvo de um interrogatório sempre que saía de casa, mas como a Lei de Murphy era real, hoje serei eu o alvo. Sentia-o com força, e apertava-me o coração. Precisava de inventar uma desculpa caso ela perguntasse onde iria, e correr no parque não era viável. Neste momento, não corria o suficiente para justificar as duas horas passadas fora de casa.
Todas as minhas brilhantes ideias eram terríveis. Não podia dizer que ia estudar com a Carly e com a Miranda na biblioteca, porque a minha mãe as conhecia e sabia que, a um sábado de manhã, isso não iria acontecer. Ir simplesmente passear é uma anomalia demasiado grande na minha rotina para ser credível.
Vi as horas no meu telemóvel, que me tinha roubado todos os meus preciosos segundos. Daqui a dez minutos ele iria aparecer em frente ao cemitério e eu tinha de me despachar se queria chegar a horas.
Respirei fundo e saí do quarto, com uma pequena mochila às costas onde levava o meu telemóvel, uma garrafa de água e uma toalha, caso precisasse. Desci as escadas o mais silenciosamente possível para não chamar a atenção nem de uma mosca, e atravessei o corredor. Assim que a porta da sala emoldurou a minha figura, a minha mãe ignorou a televisão e chamou-me:
"Onde vais, Bella?" Perguntou ela, num tom de voz inquisitivo.
"Vou a casa da Carly ajudá-la com a festa de Halloween. É já na próxima sexta-feira."
Para uma desculpa inventada em cima do joelho, não me tinha saído nada mal.
"O que vão fazer?" O seu rosto iluminou-se com a curiosidade. A minha mãe adorava festas (o ADN da Martha não veio das pedras da rua) e como a maternidade a impedia de ir a uma, matava as saudades através dos detalhes das nossas.
"É uma festa normal. Disfarces, música, decorações temáticas."
"Já tens disfarce?" Eu preciso de ir embora, mãe!
"Ainda não, é uma das coisas que vamos decidir hoje."
"Quem te leva?" Virou-se novamente para a televisão, o interesse na minha conversa dissipado.
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
Fiksi PenggemarSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
