Capítulo 30 (Revisto)

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O passar do tempo foi cruel para esta casa-da-árvore.

A casa não era nada mais do que quatro paredes, um chão e um teto feitos em madeira que começara a lascar com a idade e as mudanças de estação. Numa das paredes, o meu avô serrara um buraco para que pudéssemos ter uma janela com vista para a casa do vizinho que costumava ter ovelhas. Com dez anos, o Mark era, segundo ele, demasiado crescido para brincar na casa-da-árvore, então eu e a Martha passávamos horas e horas a contar as ovelhas e a dar-lhes nomes próprios. Não havia forma de identificarmos cada animal corretamente, portanto com certeza havia mais do que uma ovelha Magda.

Apesar de ter resistido durante quase uma década, ainda que com algumas cicatrizes, a casa-da-árvore não acompanhara o nosso crescimento. O espaço onde eu passara o meu tempo confortavelmente de pé era, agora, demasiado baixo para mim, e ainda mais para o Malik, que tinha de imitar um ângulo de noventa graus para se conseguir movimentar. Depois de fechar o alçapão, também ele em madeira, sentei-me num dos cantos da casa-da-árvore e respirei fundo, analisando os potenciais passos seguintes. O Malik deslizou pela parede e deitou-se no chão frio, sendo obrigado a dobrar os joelhos pela falta de espaço.

"Faz-me um favor." Solicitou ele, com a cabeça tombada para trás e os olhos fechados. Ele retirou do bolso da sweat o seu telemóvel e entregou-mo. "O código é zero-um-um-dois. Procura o Liam no Whatsapp e pede-lhe para ele me ligar quando a Madison for embora."

Peguei no seu telemóvel e fiz o que ele pediu, perguntando-me sobre se o código tinha algum significado, ou se era só uma combinação aleatória de números. A conversa do Liam era logo a primeira, com uma mensagem enviada às sete e um quarto a informar o Malik de que ele estava a sair de casa. Escrevi a mensagem nos moldes ditados pelo Malik e enviei-a. Ainda aguardei uns segundos antes de bloquear o telemóvel, não fosse o Liam responder de seguida, mas tal não aconteceu.

Como ainda estava ligeiramente magoada com a nossa última troca de palavras, não ousei falar, e o Malik também não parecia estar muito conversador. O único ruído vinha das folhas a roçagarem umas nas outras com o vento e da chuva a cair, o que formava a melodia perfeita para uma pessoa sob um efeito pesado de álcool e drogas adormecer. O espaço na horizontal também era escasso, tanto que se eu esticasse as minhas pernas, estas ficariam paralelas às dele.

O cheiro da madeira húmida misturado com o da terra molhada fizeram-me constatar o facto de que eu nunca estive suficientemente perto dele para perceber se ele tinha algum odor característico. A que cheiraria o seu perfume de eleição? Aquele cabelo seria mantido com um champô nove em um? Qual seria o detergente que ele usava na roupa? Simplesmente tinha a certeza de que se me aproximasse dele, ele teria um cheiro divinal e irresistível. Tudo o que eu desejava fazer neste momento era apagar a distância entre nós e deitar a sua cabeça no meu colo, para que ele pudesse dormir descansado, enquanto eu lhe afagava o cabelo e acariciava o rosto.

Era um tipo de dor que eu nunca havia experienciado.

"Acho que o Liam respondeu." Informou o Malik, voltando a estender-me o seu telemóvel.

"Sim." Respondi, depois de ler a mensagem. "Ele diz que a Madison está com intenções de ficar na festa."

Ele bufou: "A Madison não é estúpida. Ela sabe perfeitamente que eu estou aqui."

Mas como? Pela reação dos seus amigos quando a campainha tocou, não diria que a Madison fora convidada. Assumindo que ela tinha os seus meios de obtenção de informação e, por conseguinte, descobriu a data e o local da festa através desses meios, nada nem ninguém podia obrigar a Anna a abrir a porta.

"Foda-se." Murmurou o Malik, levando uma mão à cara. "Talvez tenha exagerado no álcool."

"Sentes-te bem?" Perguntei, preocupada.

(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora