Eu estava a fazer um péssimo trabalho a gerir o jantar indigesto da Martha; qual tapete de entrada de uma casa onde se esperavam visitas, a poça avermelhada era pisada por adolescentes descontrolados que, alheios ao ocorrido, ajudavam a espalhar o problema. Quando voltei com uma esfregona e um balde com a água que trinta segundos me permitiram encher, a poça de vómito já tinha sido alastrada em todas as direções, marcada por solas de sapatos. Foram necessárias várias passagens com a esfregona para limpar o chão na totalidade, o que causou um segundo problema: o chão impecável era um chão escorregadio.
Existiam batalhas que não conseguíamos ganhar, e esta era uma delas. O calor assolador eventualmente secaria o chão, e se no tempo decorrido entretanto alguém escorregasse, não havia nada a fazer. Neste momento, a minha irmã mais nova, que não deveria de todo estar embriagada, precisava da minha ajuda. Enquanto me dirigia para a saída da segunda divisão com o balde e a esfregona atrás de mim, fui intercetada pelo Harry, também ele a inspirar oxigénio e a expirar etanol. Parte da maquilhagem já estava borratada, e o chapéu característico do seu personagem havia desaparecido.
"Bella, Bella!" Tartamudeava o Harry, com o olhar arregalado. "A Martha? Está tudo bem? Onde está ela?"
"Está tudo bem, relaxa." Respondi, inquieta. Não tinha tempo para acalmar as suas preocupações. "Não devias estar no palco?"
"É o turno do Ron." Ele encolheu os ombros e, de seguida, olhou para o meu vestido, intrigado. "Porque é que trouxeste este vestido?"
Suspirei, demasiado impaciente. "Pergunta à Miranda. Eu tenho de..."
"Não estou a perguntar porque te fica mal!" Disse ele rapidamente, quase como a desculpar as suas questões. "Não estou habituado. Estás bonita. Não da maneira que eu diria à Martha que ela está bonita, tu sabes."
"Obrigada, Harry. Eu tenho de ir." Desta vez, não lhe dei tempo de colocar uma nova questão. Contornei-o com cuidado para nem o balde, nem a esfregona embaterem nele, e saí do campo.
Após virar o conteúdo do balde na sanita e guardar o material nos arrumos, corri até à enfermaria, onde encontrei a Martha a beber uma garrafa de água até ao fim, e o Malik de braços cruzados em frente dela.
"Como é que ela está?" Perguntei. O cenário não me parecia terrível, mas eu nunca lidara com algo semelhante para saber o que esperar.
"Está tudo bem, só a trouxe para aqui para ela poder sair do calor e se hidratar."
A Martha pousou a garrafa de água vazia e estendeu-se no sofá, de olhos fechados. Só agora pude observar o disfarce dela: era um vestido preto curto, justo e sem alças, umas botas até ao joelho e umas orelhas de raposa. A maquilhagem que seria alusiva ao animal estava reduzida a bigodes apagados, a testa transpirada a agarrar os fios soltos de cabelo.
Como irmã mais velha, a minha obrigação seria levar a Martha a casa. No entanto, não tinha carro e a minha presença nesta festa era imperativa. Além disso, custava-me ver com os meus próprios olhos aquilo que eu sabia que acontecia, ainda que nunca tivesse testemunhado. A minha irmã de quinze anos era sexualmente ativa, vestia roupa demasiado adulta que com certeza os meus pais não aprovavam, e, além disso, ainda ingeria álcool ao ponto de apagar no sofá. O que raios era suposto eu fazer? Denunciar estes comportamentos aos meus pais? Avisar o Mark, que falhou como irmão mais velho ao trazê-la para esta festa? Estaria eu a falhar ao ser cúmplice destes atos? Estariam os meus pais a falhar por ser tão óbvio o que a Martha fazia e, mesmo assim, eles não repararem?
Bem, uma coisa é certa - alguém estava a falhar. Talvez estivéssemos todos.
"O que faço agora?" Questionei, completamente perdida, porque eu não sabia mesmo o que fazer - e eu odeio não saber o que fazer.
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
FanfictionSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
