Capítulo 22 (Revisto)

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"E sim! Eu sei que devia estar a tentar ultrapassar isto e que ela é uma invejosa." Concedeu a Miranda, enquanto se deixava cair sobre o sofá com uma pale lager na mão. "Mas não quero. Quero estar irritada e chamar-lhe nomes."

Havia uma reunião da lista marcada para esta noite na casa da Carly. Não era uma reunião em que eu tivesse pensado em participar, mas tendo em conta o que se tinha passado na aula do Malik ao final da tarde, talvez a Miranda precisasse do meu apoio. E, efetivamente, a minha amiga já ia na terceira cerveja retirada à socapa do frigorífico do pai da Carly, e o tópico voltava a convergir na Victoria sempre que outro tema era puxado.

A Miranda lidava bem com estes bate-bocas - em boa verdade, o normal era ganhar todas as discussões e esquecê-las no momento a seguir. Portanto, não conseguia perceber o porquê desta insistência. Sentir-se-ia exposta por ter sido em frente a um professor? Terá finalmente sido a gota de água?

"Ela vem hoje?" Questionou ela.

"Achas mesmo?" Respondeu a Carly, a voz mais esganiçada do que o normal. "Não as vamos voltar a ver tão cedo!"

Em contrapartida, a Carly estava descontente por outros motivos além de terem magoado a nossa amiga. Quando a Victoria e o seu bando foram convidados para a lista, a Carly acreditara verdadeiramente que seria possível manter um bom ambiente entre todos. Esta quezília era mais do que uma pedra no caminho, antes um pedregulho que o ocultava por completo. Depois de um grande sucesso, era necessário prepararmos o próximo. No entanto, cá estávamos nós, com a equipa dividida entre as pessoas que ficaram ofendidas, as pessoas que estavam atrasadas, e nós as três.

A minha presença, todavia, não passava de uma mera decoração, pelo menos para já. Enquanto a Miranda mandava abaixo cerveja atrás de cerveja, a Carly teclava furiosamente no seu portátil, e eu limitava-me a esperar pela seguinte troca de palavras. Conseguia ver na perfeição o esforço da Miranda em morder a língua para deixar que o assunto da Victoria morresse, mas também era perceptível o momento em que ela perdia a batalha.

"Acho que vou mesmo jantar com o Scott."

A Carly revirou os olhos e bufou: "Credo, Miranda, admite só que gostaste mais do que estavas à espera. Nem as merdas da Victoria te conseguiriam convencer a sair com um gajo qualquer de quem não gostaste."

A Miranda ergueu as sobrancelhas, em choque com a resposta.

Mas a Carly tem razão. E é por isso que a Miranda está tão incomodada com a discussão e não a consegue ultrapassar.

"Não foi péssimo, mas também não foi incrível."

"Isso é um comentário bastante positivo vindo de ti." Contrapôs a Carly. "Está tudo bem, já te vi com gajos piores..."

Concordei em silêncio. Efetivamente, era verdade. Falar dos primeiros namorados da Miranda não valia a pena - estaríamos a falar de namoricos que começaram por volta dos treze anos e que não passaram de mãos dadas com intensidade num banco de escola. Mas poderíamos falar do Dylan Stevenson, por exemplo, um rapaz com quem a Miranda namorou há dois anos e que era supervisionado pela mãe durante todos os seus encontros. Ou, talvez, do Andrew Smith, um aluno que estava agora na turma de Artes e que perguntara à Miranda se a podia pintar nua. Mas o pior fora, de longe, o Jacob Duarte. Bem, o Jacob Duarte era um crente convicto em pastilha elástica de menta, tão convicto que inutilizou o uso de pasta dos dentes na sua rotina.

A Miranda encolheu os ombros e deu mais um gole na sua cerveja: "Pronto! Talvez eu tenha ficado curiosa... Ele fez-me rir umas quantas vezes e é jeitoso. Dá para passar bem o tempo, e se calhar já está na hora de eu assentar um bocadinho."

(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora