Capítulo 1 (Revisto)

8.2K 402 53
                                        

Bradford, Inglaterra

Quase que podia jurar que estava já a sorrir quando o despertador me acordou às sete e meia da manhã neste que era o primeiro dia de escola. As férias pareciam sempre mais longas do que o que já eram, mas à medida que os dias iam passando, mais feliz eu ia ficando. Talvez parecesse estranho, mas dedos manchados de tinta de caneta, cadernos de folha quadriculada para disciplinas além de Matemática e o cheiro de manuais novinhos estavam no topo da lista dos meus favoritos. Escola era algo em que eu era boa, ao contrário de beber chá gelado em esplanadas.

Lancei as pernas para fora da cama, aterrando em cima dos chinelos de dedo e fiz o meu caminho até à casa-de-banho o mais rápido que pude. Éramos sete nesta casa, por isso correr até à casa-de-banho era praticamente mandatório. No corredor, ultrapassei o Mark pela esquerda e fechei a porta atrás de mim com sucesso, ligando a água do chuveiro para que fosse aquecendo enquanto despia o pijama.

"Raios te partam, lunática, eu cheguei primeiro!" Resmungou ele do outro lado da porta, claramente irritado. 

Era o primeiro dia de aulas. Não me posso atrasar  (um pensamento ridículo de se ter quando saímos todos de casa à mesma hora).

"Sabes que os gajos acordam com uma enorme vontade de ir à casa-de-banho! Aposto que tiraste a merda de um 20 num teste de biologia qualquer onde falaram deste assunto."

"Há mais casas-de-banho nesta casa." Relembrei.

Não demorei muito no banho. Cinco minutos depois já eu estava a arranjar-me em frente ao espelho, com a roupa que tinha escolhido ontem. Sempre fora uma pessoa muito prática, característica que sobressaía nas calças de ganga largas escuras e na blusa preta previamente selecinadas. Os meus gostos elegiam roupa confortável, tendencionalmente preta e branca.

Ao sair da casa-de-banho, deparei-me imediatamente com a Martha a disputar o meu lugar com o Mark. Favoreci a entrada dela, desviando-me. Quanto ao Mark, este acabou por desistir e desceu as escadas, talvez em direção à casa-de-banho do primeiro andar. A Catherine, de quem nem me tinha apercebido até falar comigo, manteve-se na fila.

"Estás muito linda, Bella!" Elogiou. 

Sorri em agradecimento e passei por ela, em direção ao meu quarto. 

A mochila estava pronta e eu também! Por esta altura já a minha mãe estaria na cozinha a fazer o pequeno-almoço para a sua numerosa família, constituída pelo seu segundo marido e cinco filhos. O Mark e eu éramos filhos de um homem que nunca conhecemos, pois divorciara-se da minha mãe pouco tempo depois do meu nascimento e desaparecera por completo. Das histórias que fui ouvindo ao crescer, a minha mãe teria perdido o emprego, as dívidas teriam crescido e a casa não seria nossa; foi exatamente por isso que nos mudamos de Londres para Bradford, a cidade natal do novo marido da minha mãe, cujo sobrenome adotamos. Pouco tempo depois vieram a Martha e a seguir a Catherine e o Peter. E aqui estávamos, prestes a discutir pela melhor fatia de bacon.

"Bom dia, Bella." Disse a minha mãe.

Toda gente me dizia que eu era uma fotocópia da minha mãe. Ambas tínhamos o cabelo dourado e liso, com olhos azuis, o mesmo nariz arrebitado adornado com sardas claras e sobrancelhas arqueadas dificilmente domavéis. Até na altura éramos iguais, embora a minha mãe fosse um ou dois centímetros mais alta. Contudo, quando falamos de personalidade, vamos do preto para o branco. A personalidade da minha mãe foi herdada pela Martha: ambas bastante sociáveis, com o seu quê de ingenuidade. Facilmente gostavam das pessoas e as pessoas gostavam delas - mas a rapidez com que passavam a gostar de alguém era a mesma com que passavam a detestar.

Bem... não lamentava sermos diferentes.

A seguir a mim chegou a Martha, com o Mark a correr atrás de si para roubar o primeiro pedaço de bacon que a minha mãe tirava da frigideira. 

(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora