Adormecer de madrugada fora mais complicado do que acordar esta manhã.
Encontrei a casa em pleno silêncio quando chegara, ao contrário do que teria sido de esperar. O Mark não estava a assaltar o frigorífico, e o meu pai não tentava ganhar o sono trocado pelos turnos irregulares ao ver televisão. Tudo o que conseguia ouvir era o vento no exterior e o ressonar distante que vinha do andar de cima.
Nenhuma posição me deixava confortável o suficiente para o cansaço se instalar. A almofada estava muito quente, e depois estava muito fria. Três cobertores eram demasiado, dois não chegavam. E por que estava o meu braço a ficar dormente se era assim que eu dormia todas as noites? O meu corpo implorava descanso à minha mente desperta.
Algures entre as três e as quatro da manhã, desliguei e pude recuperar minimamente da longa noite. Porém, o meu relógio biológico despertou-me por volta das oito horas, mesmo antes de o alarme tocar, com os primórdios de uma dor de cabeça a formarem-se e um bocejo que envergonhava gaivotas. De zero a dez, a minha vontade de sair da cama era negativa, mas o senso de responsabilidade rebentava a escala. Tinha menos de uma hora para me preparar, tomar o pequeno-almoço e atravessar as valetas inundadas que me levariam até ao cemitério. Estava cansada, com sono, e com o período.
De facto, encontrar a casa sossegada às duas da manhã de uma sexta-feira era chocante, mas não tanto como encontrar a casa em balbúrdia às oito da manhã de sábado. Toda a minha família estava acordada: a Catherine e o Peter a comer cereais de chocolate diretamente da caixa em frente à televisão, a Martha a desfalecer num dos sofás e o Mark a discutir com os nossos pais. Não estava de todo apta para enfrentar tal algazarra matinal, pelo que ignorei por completo a sala-de-estar e dirigi-me à cozinha, procurando algum pedaço de bacon esquecido ou um resto de café.
Não sei com que força iria enfrentar as próximas duas horas de treino intensivo - ainda por cima com esta chuva. O pedaço esquecido de bacon estava queimado e o restinho de café já estava quase frio, um dueto de desgraças para começar bem o dia. Um trio, aliás, se lhes juntarmos a discussão acesa que era a minha trilha sonora.
Depois de porem um ponto final na conversa, a minha mãe apareceu na cozinha, irada de vermelho da ponta dos cabelos aos dedos mindinhos dos pés. A surpresa decorou-lhe o rosto quando me viu sentada à mesa.
"Bom dia, querida." Disse ela, exibindo um sorriso. "Não reparei que já tinhas acordado."
"Bom dia, mãe."
O olhar curioso dela percorreu o meu corpo: "Vais correr com este tempo?"
"Não tenho muitas opções." Respondi eu, com um encolher de ombros preguiçoso.
A minha mãe era uma crente fiel no uso de pijamas quando se está por casa; ela tinha pijamas para dormir e pijamas para andar por casa que não eram de todo intercambiáveis. No entanto, cá estava ela, com uma camisa branca abotoada até ao pescoço, calças de sarja azuis escuras e umas botas de cano alto camel, indicativos de que ela não ficaria por casa muito tempo.
"Onde vais?" Perguntei.
"Vamos aos avós."
A minha mãe vestiu uma gabardina que estava sobre as costas de uma das cadeiras e deu-me um beijo rápido na cabeça; de seguida, saiu da cozinha e desapareceu da minha vista, certamente dirigindo-se à garagem com o meu pai e as crianças. Não houve uma única pergunta quanto à minha noite. Tudo o que eu pedia era uma mera demonstração de interesse: como correu?, divertiste-te?, como vieste para casa se os teus irmãos chegaram sozinhos? Mas as nossas interações seguiam sempre o mesmo roteiro.
Paz e sossego eram dois estados de espírito muito efémeros na família Evans. Ainda a porta de acesso à garagem não tinha batido e já o Mark entrava pela cozinha adentro como um furacão.
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
FanficSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
