A campainha tocou pela quarta vez em menos de cinco minutos. Estavam a testar um novo toque menos irritante, diziam por aí, toque esse que não tardará muito a tornar-se insuportável pela quantidade de vezes que se fez ouvir num curto espaço de tempo. Entretanto, com este maravilhoso som de fundo, eu travava um duelo com o meu cacifo, porque era a primeira vez que estava a precisar dele neste ano letivo e a combinação para o abrir estava enfiada algures numa gaveta da minha mente. Era qualquer coisa como 27-8-12, mas as variações dessa combinação foram todas rejeitadas e acabei por desistir seis toques depois de ter começado a tentar.
Dirigi-me à minha sala de aula e aguardei a chegada do Professor James para a aula de inglês. O meu Macbeth estava em estivação no meu cacifo desde o final do ano letivo anterior e pelos vistos era lá que iria ficar até me lembrar da combinação do cadeado. Junto da porta, encontrei a Carly e a Miranda e sentei-me no chão junto delas, a tentar captar o assunto da conversa.
"É que não estou a ver ninguém mais capaz do que eu!" Explicava intensamente a Carly, a falar com a boca e com as mãos. "Eu tenho tantas ideias!"
"Eu não duvido das tuas capacidades, quero ver-te é a convencer mais onze pessoas a juntarem-se a ti." Respondeu a Miranda.
"Isso é o mais fácil..."
"Estamos a falar do quê?" Perguntei eu, interrompendo a conversa.
"A Carly quer ser Presidente da Associação de Estudantes."
"Aham. A Carly vai ser a Presidente de Associação de Estudantes." Corrigiu a Carly. "Já estive a ver o que preciso de fazer e as atividades obrigatórias. A equipa tem de ter doze pessoas e, obrigatoriamente, tenho de organizar a viagem e o baile de finalistas. Posso fazer o que quiser, desde que aprovado previamente pela direção e a escola não financia nenhuma das atividades, pelo que todos os fundos têm de ser angariados por nós."
"E quais são as tuas ideias?"
Se alguém tinha ideias para dar e vender, essa pessoa era a Carly. Não percebia como funcionava a cabeça dela, e, honestamente, espero que a ciência não evolua o suficiente a tempo de conseguirmos compreender, pois creio que será algo deveras assustador. Por exemplo: todas as festas de aniversário da Carly foram temáticas, e o que começou por ser um décimo segundo aniversário em que cada menina era uma princesa culminou no ano passado com um Murder Mystery escrito, produzido e realizado pela própria aniversariante: a Carly morrera e um dos convidados fora o assassino. Nos verões vai apanhar percebes nos rochedos da praia mais próxima e o seu passatempo preferido era pintar as bonecas de porcelana da avó.
Do outro lado do corredor, uma multidão começou a formar-se. A Carly esticou o pescoço para tentar perceber o motivo de tal alarido, mas era impossível ver ou ouvir qualquer coisa do lugar onde estávamos. Decidimos ignorar e dar continuidade à conversa, mas a meio de uma das ideias para uma festa de natal a Katherine aproximou-se de nós e tocou no meu ombro.
"Acho que a tua irmã desmaiou, Bella."
Franzi o sobrolho, confusa. Porém, levantei-me e segui a Katherine até ao aglomerado de pessoas que uma funcionária tentava dispersar. Quando consegui ultrapassar a primeira fila, dei com a Martha sentada numa cadeira, já desperta, com uma funcionária a afagar-lhe o cabelo, outra a segurar um copo de água com açúcar já a meio, e o Professor Malik ajoelhado no chão em frente dela.
"Não me interessa, a Dona Amber já foi chamar uma ambulância." Disse ele num tom severo, e, de seguida, virou-se para a funcionária que segurava o copo. "Emmaline, veja se a rapariga tem família na escola para a acompanhar ao hospital e avise os pais."
"Eu estou aqui, sou irmã dela." Anunciei e dei um passo em frente. "O que aconteceu?"
"Vamos levá-la para a enfermaria enquanto esperamos pela ambulância e já falamos." Retrucou o Professor Malik. "Martha, consegues levantar-te?"
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
FanfictionSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
