Outubro era um mês muito estranho. Além da dúvida constante quanto ao tempo (de manhã era ivnerno, à tarde era verão), os dias iam ficando cada vez mais curtos e as vontades misturadas, porque ora me apetecia ver uma comédia romântica, ora um filme de terror daqueles tão maus que eram bons. O foco da Carly era o Halloween enquando o da minha mãe e o da Catherine era comprar decorações de Natal e o meu era tentar lembrar-me de que dia era. Só sabia que segunda-feira tinha um teste de História e quinta-feira, um de Matemática.
Durante o dia de ontem, fui-me mentalizando de que hoje não poderia ficar a derreter na cama, pois havia muitos exercícios para fazer, cartões para memorizar e (infelizmente) um treino no parque de Bradford que eu teria de encaixar no primeiro horário da manhã para o arrumar de uma só vez. E como se eu já não tivesse bastante ocupada, as mensagens no meu telemóvel não paravam de cair.
A lista da Carly fizera a campanha na quinta-feira passada, e ontem a escola escolhera o seu vencedor. A viória foi esmagadora, e a lista da Carly ganhou com mais de quatrocentos votos, contra os cinquenta e dois da lista da oposição. Eu não participara na campanha, pois isso implicaria eu faltar às aulas da manhã e isso não iria de todo acontecer. E apesar de ficar contente pela minha amiga, não podia deixar de me sentir desagradada com a inevitável consequência da sua vitória: orçamentos para gerir, eventos para organizar, reuniões para participar, e tudo o resto.
Contudo, nem tudo era negativo. A Associação de Estudantes tinha a sua própria sala no bloco do refeitório e acesso à rádio escola, onde eu poderia passar música com moderação (a Miranda tinha medo da minha música). Também poderíamos participar nos eventos sem pagar entrada, mas não penso que vá dar uso a essa regalia.
Com tudo o que era necessário planear para a festa de Halloween em tão pouco tempo, o grupo do WhatsApp que a Carly criara ontem à noite estava agitado. Felizmente, fui dispensada do planeamento em troca de resumos para o teste de História de segunda, e de explicações para o teste de Matemática de quinta. No entanto, o vibrar persistente do meu telemóvel não deixava de me irritar. Desliguei as notificações.
Fiz um rabo-de-cavalo solto e apertei o casaco até a o queixo. A neblina que cobria o quintal nas traseiras da casa deixava bem claro que a temperatura exterior não estava amigável, pelo que me preveni antes de sair. A última espreitadela no espelho foi demorada, o meu olhar preso no meu reflexo, a estudá-lo como se de uma estátua se tratasse num museu.
Vá, Bella, recompõe-te.
Com uma banana no estômago e um pouco de café a acompanhar, fiz o meu caminho até ao parque de Bradford, a dez minutos de minha casa. A caminhada serviria como aquecimento.
Já no parque, o nevoeiro tinha recuado e o sol começava a iluminar o relvado através das folhas teimosas que ainda não tinham abandonado as suas árvores para decorarem o chão. Não era a única maluca que tinha vindo correr para o parque, mas seria certamente a única que o fizera contra a sua vontade. Liguei o cronómetro no meu telemóvel. O objetivo era correr cinco minutos seguidos durante cinco rondas intercaladas com uma caminhada de dois minutos. Segundo a internet, esta era a forma correta de constriruir resistência. Pus a Avril Lavigne de 2002 a gritar nos meus ouvidos e comecei a correr. Vamos lá, Bella.
Depois dos primeiros cinco minutos, o pensamento intrometido de que deveria simplesmente ir para casa apareceu e desapareceu como um relâmpago. Eram pensamentos intrusivos que eu contrariava com veemência, caso contrário ceder-lhes-ia.
"Aposto que pensaste que, se não viesses, eu nunca iria saber que não tinhas vindo." Comentou alguém atrás de mim.
Virei-me para trás, sobressaltada, e dou de caras com o Professor Malik nuns calções largos e uma t-shirt branca de manga cava húmida, claramente a meio de uma corrida bem mais longa do que cinco minutos.
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
FanficSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
