Ninguém me esperava quando chegara a casa. A minha mãe não estava na cozinha a preparar o almoço, o meu pai estava a trabalhar e os meus irmãos não pareciam estar nos seus quartos. Provavelmente a minha mãe saíra e levara os miúdos. Aos fins-de-semana, o Mark costumava estar com a Anna. Quanto à Martha, não fazia a menor ideia. Porém, o desaparecimento momentâneo da minha família era uma boa notícia: não havia nada melhor do que estar completamente sozinha em casa.
Depois de tomar um banho daqueles que lavava até a alma, vesti o meu pijama; não iria voltar a sair de casa e o pijama era a roupa em que me sentia mais confortável para estudar. Ainda tinha o projeto de Educação Sexual para preparar e um relatório para Físico-Química, que era prioritário. O meu fim-de-semana vai ser dedicado a tais trabalhos e à preparação para os meus próximos testes, nomeadamente o de Inglês na sexta-feira e Biologia na semana seguinte.
Enquanto desentrançava o cabelo em frente ao espelho (depois de ter usado o champô caro da Martha à socapa), observei o meu reflexo. As minhas olheiras metiam inveja a um guaxinim, mas nenhum ritual de sono milagroso apagava as trincheiras debaixo dos meus olhos. Faltava-me a paciência necessária para esconder as sardas todas as manhãs e fazer sobressair a cor das pestanas. A minha imagem nunca fora uma preocupação - e ainda não era. Porém, surgia a questão: sentir-me-ia eu mais feliz se gostasse do que via no espelho?
Suspirei, largando a escova do cabelo sobre o lavatório. Claro que eu não seria mais feliz se gostasse do que via no espelho, porque isso não importava. Atenuar olheiras e pintar pestanas eram uma distração que eu não podia alimentar. O único motivo pelo qual eu prestava atenção a tais futilidades era o comentário feito pelo Malik na nossa primeira aula de Educação Sexual, que não significou absolutamente nada. Era uma mera disputa entre dois rapazes estúpidos.
Ao sair da casa-de-banho, cruzei-me com a Martha no corredor (pelos vistos eu já não era a única alma a assombrar esta casa). Pela sua reação, a Martha também devia pensar que estava sozinha em casa. Só depois de ver o seu rímel borratado, o cabelo desgrenhado e aquilo que me parecia ser exatamente a mesma saia que ela tinha vestida ontem à noite é que me apercebi de que a minha irmã não tinha dormido em casa.
"Onde estiveste?" Interroguei, nada contente com o que acabara de descobrir. Obviamente que não iria contar aos meus pais, mas saber tornava-me cúmplice.
"Porque é que estás a gritar?" Reclamou, esfregando as têmporas com a palma das mãos.
Ótimo, não só dormiu fora como estava de ressaca.
"Martha, tu tens quinze anos." Relembrei, irritada. Um dia, ela vai meter-se numa alhada de onde não vai conseguir sair. "Onde estiveste?"
"Fui à festa de anos da Stephanie. Aquilo ficou mais louco do que o que eu estava à espera e o Bryce estava a dar-me atenção." A Stephanie que ainda há dias tinhas insultado?
Abanei a cabeça negativamente. Não me competia a mim dar-lhe um raspanete - porém, as pessoas responsáveis também não o iriam fazer por falta de conhecimento. Alguém tinha no mínimo de aparentar estar desiludido na tentativa de que ela ganhasse algum juízo.
"Não me chibes aos pais, por favor. Estou finalmente a dar-me bem com a Stephanie outra vez e o Bryce está a mostrar interesse."
"Quem é o Bryce?"
"Tu não irias perceber, só sabes julgar." Resmungou a minha irmã, revirando os olhos e passando por mim em direção ao seu quarto.
Ignorei o comentário maldoso e entrei no meu quarto, por onde tinha passado um furacão. Antes de começar a arrumar o quarto, coloquei Paramore a tocar no meu portátil e abri a janela, deixando que o ar frio entrasse. Juntei a roupa que era para lavar num cesto, fiz a cama e organizei as páginas soltas em cima da minha secretária. Quando me sentei para dar início ao meu estudo rigoroso, alguém abriu a porta do meu quarto sem aviso prévio.
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(Em revisão) Physical Education Teacher Z.M.
Fiksi PenggemarSe me perguntarem se alunos e professores se podem envolver, vou responder "depende". Depende de quando fazem a pergunta: em qualquer outro momento da minha vida, ou agora?
