Capítulo II - Bianca - "Weak"

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Após buscarmos os mais novos integrantes do grupo, todos que não estavam ocupados na base se reuniram para conhecê-los e conversar um pouco. Isso era o que eu mais gostava ali. Não importava o caos que estivesse, alguém sempre teria alguma ideia para poder relaxar e esquecer, nem que por pouco tempo, o que acontecia mundo afora.

Passei um tempo conversando com os novatos, mas aquele tumulto me dava uma sensação ruim no estômago, provavelmente pelo fato de que, sempre que havia muitas pessoas juntas, algo dava errado. Aquelas náuseas não pararam até eu me afastar.
Sentei-me perto do lago ao lado de nossa base. Por alguns segundos, pude sentir o frescor no ar que batia em meu rosto. Eu não ligava de ficar fora do que ocorria em nossas "comemorações". Pelo menos, já estava sabendo os nomes dos novatos. Ou apelidos, tanto faz. Eram... Gusta, Kéfera, Júlio e Cellbit? Bom, quem era eu para julgar seus nomes, afinal.

Coloquei meus pés nas águas limpas do lago e fiquei olhando o tempo passar. Há três anos, quando os governos caíram na proporção que o desastre ocorria, eu tinha sentido que havia perdido o rumo. Nenhum dos países dava auxilio ao outro, e não havia mais regras ou leis.

Tudo o que sobrara do governo estava, agora, escondido em algum lugar, talvez esperando que o mundo voltasse ao seu curso normal num passe de mágica, como quase sempre faziam. Pelo menos, é o que sabia sobre o Brasil. Como a maior parte das tecnologias não tinha mais utilidade, não existia contato externo para sabermos a situação de outros países.

Mas, agora, pensando nisso e olhando a família desastrada em que eu me encaixara, o governo não fazia falta. Nós fazíamos as regras, as leis. Nós fazíamos o mundo.

Um toque em meu ombro despertou-me de volta para a realidade.

- Desculpe-me atrapalhar suas divagações... – Felps desculpou-se – Mas Gabs e Alan voltaram agora de um reconhecimento, e precisamos de mais gente para fazer uma busca em alguns lugares que acharam. Já que você é uma das únicas que não está na roda de conversas...

- Sem problemas. – sorri de canto e tirei meus pés da água, me levantando – Grupo de três está bom? – perguntei.

- Creio que sim. Não detectaram praticamente nenhum zumbi na área. – ele virou para a torre de vigia e gritou para Damiani e Emisu lá em cima – Chama pra mim o... – ele pensou um pouco – O lixo barbudo e o cueio, aí!

Emisu fez um sinal positivo com a mão e virou-se para as pessoas dentro da base.

- Mago do photoshoop e cueio, se apresentem, por favor. – ele gritou e Zelune e Ronaldo saíram do meio do pessoal e olharam para cima, tapando a luz do sol com a mão.

- Qual é? – Zelune perguntou.

- Mantimentos. Grupo pequeno. Três mochilas grandes e armas brancas. Sem zumbis na área. – Felps disse á eles como um código já conhecido e ambos foram para dentro da casa enorme de três andares que chamávamos de lar.

Alguns minutos depois, voltaram com as mochilas e as armas. Ronaldo jogou uma das mochilas para mim e um revólver carregado. Coloquei-o no cinto junto a meu facão e pus a mochila nos ombros. Felps se despediu de nós e voltou para base.

Nosso destino não era muito longe, mas teríamos que andar um pouco para chegar até lá. No caminho, deixei Zelune e Ronaldo conversando, enquanto eu seguia na frente com o mapa improvisado da cidade.

De fato, achamos apenas dois zumbis no caminho, que matamos de forma silenciosa, guardando nossas balas somente para urgências.

Depois de uns dez minutos, chegamos ao que parecia ser um antigo prédio residencial com apenas quatro andares.

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