Capítulo XV - Bianca - "Fail, fail, fail and another fail"

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Eu tinha escutado direito?

- Como? – perguntei já sentindo um frio percorrer minha espinha.

Helena parecia estar suando quando me respondeu:

- Q-quando fugimos do grupo dele... – ela pôs a mão na nuca, claramente desconfortável – Eu o vi... Quando estávamos perto da base...

- Você... Viu o Rezende? – dei um passo à frente, cerrando os punhos – E não fez nada!?

Lua parecia querer entrar no chão de nervosismo.

- Escuta, Bianca... É melhor falarmos disso depois. – Helena disse em voz baixa.

- Depois o caralho, Helena! – elevei meu tom – Você tem noção da gravidade da situação!?

- P-para por favor! – Lua colocou as mãos na cabeça e implorou para mim.

Helena olhou-me com pena. Eu estava me descontrolando. Lembrei-me da promessa que fizera à ela na noite em que Cellbit acordou. Eu não tornaria aquele grupo uma ditadura. Eu precisava me acalmar. Ou pelo menos, fingir que estava calma. E eu estava conseguindo.

Até agora.

Helena segurou minha mão com paciência, mas eu me desvencilhei dela.

- N-nós conversamos... Depois... – sussurrei e saí dali antes que fizesse algo mais.

Cheguei na borda de nosso lago e olhei para minha imagem refletida. Eu tremia quando toquei na superfície da água.

"- Do que estava rindo? Da minha cara de trouxa?"

"- Também! Mas era da piada que meu amigo me contou!"

Apertei com força a grama abaixo de mim.

"- Rezende. Ele está vivo. E não vai demorar a ter a vingança dele."

Sorri com sofrimento. O que eu estava pensando? Demônios não morrem rápido.

Joguei água em meu rosto ao sentir outro Ataque chegando. Estavam cada vez mais frequentes, mas agora eu os sentia antes que a coisa ficasse feia.

Ouvi o barulho de passos atrás de mim e me virei a tempo de ver Sasa vindo em minha direção. Quando me viu, porém, a garota imediatamente se virou e apressou-se para longe.

- E-ei! Sasa! – chamei-a pelo apelido numa tentativa de chamar sua atenção, mas ela me ignorou e continuou se afastando.

Baixei o olhar. Ela ainda tinha medo de mim, pelo visto. Era isso o que eu queria? Não era exatamente a melhor sensação do mundo.

Observei Polado se aproximar após alguns minutos, mas permaneci estática. Ele sentou-se ao meu lado e permaneceu quieto também.

Após longos segundos, eu abaixei minha cabeça e ri.

- Que idiota. – sussurrei.

- Não precisa ofender. – Polado brincou, mas não teve efeito.

Silêncio.

- Ei. – tocou meu ombro após um tempo – O que foi?

- Tudo isso é idiota. – olhei para ele, me recusando a chorar – Estamos morrendo... E eu sou obrigada a lidar com sentimentos!? – desviei o olhar – Foda-se isso.

Ele pareceu pensar um pouco antes de responder:

- Bom... De que adianta sobreviver se, no fim, você não viveu? – rebateu.

No One LeftHistórias para pegar e não largar. Descubra agora