Capítulo XVII - Bianca - "I am not asking"

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- Ah, vocês estão aqui. – falei me aproximando dos dois novatos perto do lago.

Ashton me cumprimentou com a cabeça e eu me sentei ao lado de Serena, que parecia fascinada com o nada à sua frente. Ela sequer piscava.

O garoto estalou os dedos frente à seu rosto e ela pareceu 'acordar'.

- Hm!? – olhou para mim – Ah, foi mal. Eu... Ahn... Costumo 'voar' de vez em quando. – parecia envergonhada disso.

- De boa. – disse num suspiro e então todos ficamos em silêncio.

Com tudo que estava acontecendo, era difícil manter os ânimos. Já que os dois não tinham se apegado a nós ou ao grupo ainda, eu gostava de conversar com eles. Era como se estivessem mais afastados dos problemas do que todos.

Eu não sabia a situação de Helena, mas a nossa também não estava boa. Havia se passado... Dois dias, talvez? Pareciam anos para mim.

"O que faremos agora, Bianca?"

"Devemos procurar por comida?"

"Não teremos água para todos hoje."

"Não temos ninguém apto a sair da base."

"Eles sabem nossa localização."

"O Felps piorou."

"Não achamos nada."

"Nós... Vamos morrer?"

Apertei minha cabeça dolorida, esperando que houvesse efeito.

Droga... Eu não sabia... Eu não sabia.

Eu era só uma!

Luba ainda parecia em choque com a morte da garota do grupo que tinha nos atacado.

Eu estava sozinha naquela.

A líder. A forte. A única.

"Como você pôde fazer aquilo com a Helena?"

"Nós vamos buscar minha irmã?"

Até fingir um sorriso estava difícil naqueles momentos.

- Ei. – Ashton passou a mão à frente de meu rosto – Estás parecendo a Serena! – ele riu.

Eu também ri com desânimo.

- Desculpe. Eu costumo 'voar' de vez em quando. – repeti a frase da garota e ela sorriu de canto. Espreguicei-me, tentando afastar minha dor nas costas – Então... Vocês nunca me contaram suas histórias...

- Isso importa? – Serena rebateu.

A resposta foi inesperada.

- O-o quê?

Ela jogou uma pedrinha que quicou uma vez na água antes de afundar.

- Todos vamos acabar como meros corpos decompondo. Ou como infectados nojentos. Uma hora, ninguém vai se importar mais. Ninguém vai se lembrar mais. A vida vai continuar com assuntos mais importantes que nós. Que diferença faz a minha história pra você? Ou pra qualquer um? – ela parou e baixou a cabeça.

- E-eu... – fiquei sem fala.

- Bruh... – Ashton olhou-a com repreensão – Don't be rude, gosh. (Não seja rude, caramba.)

- N-não, tudo bem. – falei sem graça – Tudo bem não querer falar... Eu só achei que seria bom desabafar e...

- Eu fiquei órfã quando ainda era uma garotinha. – ela me interrompeu e eu me calei – Perdi minha mãe no parto e meu pai em um acidente de carro alguns anos depois. Então, fui morar com minha avó materna até a faculdade de psicologia que fiz. Q-quando tudo isso começou... Minha avó, ela... Eu cheguei tarde demais. – pude ouvi-la soluçar, mas ela ergueu a cabeça e parou no mesmo instante. Serena não gostava que sentissem pena dela – Eu fiquei na casa dela, como uma base só minha. Mas ser um solitário nesse mundo... – ela riu – Nada justo. Então, o Ash chegou até minha 'base' um dia. Ferido, confuso, pouco entendia do português. Quem seria eu se não o acolhesse? Viramos grandes amigos. E ele virou um pouco meu aluno também. E eu nunca... Nunca vou deixar que alguém faça algo à ele. Eu não vou falhar de novo. De novo não. – seu olhar tinha uma determinação impressionante.

No One LeftHistórias para pegar e não largar. Descubra agora