Aviso: capítulo com temas extremamente sensíveis. Favor prosseguir com cautela.
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O mundo virou de cabeça pra baixo incrivelmente rápido.
Ali estava eu, pateticamente sentada e indefesa, apenas á espera do último golpe. Minha cabeça latejava e minha visão era apenas um borrão, me impedindo de pensar em algo com clareza além de tentar proteger meu crânio de outro ataque com meu braço.
O capanga de Rezende ergue sua arma mais uma vez ao mesmo tempo em que uma flecha zune sobre minha cabeça e acerta seu peito, fazendo-o cair no chão, já sem vida. Olhei para trás em êxtase, encontrando Helena com seu arco vazio em mãos e o rosto mostrando que ela também estava impressionada por seu feito. Meu sorriso foi provavelmente o mais sincero da minha vida.
Mas não durou muito. Uma mão desconhecida me pegou pela gola e virou-me para si, e eu fui surpreendida por outra visão daquelas máscaras negras. Ainda assim, eu já estava fora de meu transe e coloquei toda minha força no soco que desferi em seu rosto. Sons das batalhas ao redor me tiravam a concentração. A garota desconhecida me soltou e cambaleou para trás, o que me deu tempo para recuperar minha machete. Peguei minha arma e a ataquei.
Esperando minha investida, ela ergueu a adaga em sua mão e bloqueou o ataque o suficiente para sair ilesa. Porém, eu era mais treinada e rápida, e aproveitei seu movimento para segurar seu pulso e torcê-lo. A garota gritou e soltou a adaga, no que eu usei minha machete para atravessar seu peito. Minha última visão foram seus olhos aterrorizados.
Uma outra mão segurou meu ombro e eu me virei pronta para batalhar, mas parei ao ver o rosto enfurecido de Cocielo. Meus ouvidos ainda zumbiam, então tive que me esforçar para ouvir suas palavras:
- Eu.... Rezende... tem que... - eu não estava entendendo.
- O quê!? - gritei.
- Cuide da Helena! Eu volto logo! - ele gritou e eu assenti.
Virei para a direção em que tinha visto Helena pela última vez e a visão foi no mínimo pertubadora. A garota tinha um corte profundo e ensaguentado em seu abdômen que me permitia ver mais do que eu queria dentro de seu corpo. A poça de sangue no chão não ajudava a cena.
- Helena.. - sussurrei e fui ao seu encontro, sem me importar se estava desprotegida.
Coloquei seu corpo sobre meu colo, espalhando seu sangue sobre minhas calças.
- E-Eu vou te levar pra um lugar seguro. - senti minhas lágrimas chegando, mas as impedi de continuar - V-vai ficar tudo bem, eu vou te... - rasguei uma grande parte da minha regata para colocar sobre seu ferimento e estancar o sangue enquanto meu choro começava a tomar lugar - N-nós vamos... - e foi então que eu reparei. Em meu torpor e desespero para ajudá-la, eu não tinha observado.
Ela não respirava. Seu peito não subia ou descia.
- H-helena!?
Desejando estar errada, coloquei dois dedos em seu pescoço para ouvir seu pulso... Mas não tinha nenhum.
Soltei o ar em partes pela minha boca, incrédula.
- Não, não... Ele não pode ganhar, Helena! - parei para conseguir soluçar com força - T- tanta gente se foi nesses anos! Mas não nós! Nós sempre sobrevivemos, Helena... S-somos as líderes, afinal...
Olhei para sua forma estática em meus braços por tempo demais. Tremendo, segurei seu corpo em um abraço fraco e soltei logo em seguida.
- Me deixa te salvar como você me salvou, droga! - praticamente gritei. Eu estava chamando atenção demais, mas não conseguia pensar nisso.
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No One Left
Fiksi Penggemar"O mundo não era mais dividido em quem influenciava as pessoas e em quem era influenciado. Agora, o mundo era dividido em quem matava e sobrevivia, em quem morria, e em quem era fadado a permanecer no mundo como um monstro. Três anos atrás, o mund...
