Capítulo XX - Helena - "Good options, bad choices"

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  Levamos um pouco mais de uma semana para finalmente colocar tudo nos trilhos novamente. Começamos a plantar coisas, e dali a um tempo, teríamos uma alimentação (quase) normal de novo. A queda de água à frente da casa era maravilhosa, e eu achava um tanto quanto terapêutico me sentar nas pedras, fechar os olhos e ouvir o barulho incessável da cachoeira batendo no riacho turquesa logo abaixo, enquanto sentia o sol esquentar minha pele. Aquilo ali era um paraíso perto do que passamos há dias atrás. Era como um oásis no deserto. Só que um deserto cheio de zumbis. E pessoas más.
De repente, a ideia de cambalear pelo deserto do Saara com apenas uma garrafa d'água na mochila não pareceu tão ruim comparado ao fato de estarmos sofrendo um apocalipse zumbi.
- Lelena, não acho boa ideia você ficar carregando peso desse jeito- Luísa me tirou dos meus devaneios, se pondo à minha frente e cruzando os braços. A ruga entre suas sobrancelhas quando ela franzia a testa era perfeitamente igual à da mamãe, o que me fazia ter a sensação de que ela estava conosco, mesmo que indiretamente.
- Lu, é só uma mochila, tá legal? Não faz tão mal assim à minha perna- respondi, pegando minha muleta e ajeitando a alça em meu ombro.
- Você disse isso das últimas quatro vezes que eu perguntei. Vamos, me dê isso, vá tomar um ar, sei lá. Maethe disse pra você repousar.
- Luísa, se fosse pra eu ficar manca, eu já tinha ficado, não acha?
- Meu Deus, mais cabeça dura que isso, impossível.- minha irmã revirou os olhos e pegou um cesto grande com um punhado de frutas, acenando para o Whindersson assim que ele passou.
- Hum, que que isso entre você e ele ali, heim?- brinquei, balançando o ombro em sua direção.
- Ham... como assim?- ela comprimiu os lábios, obviamente se fingindo de desentedida- Não sei do que você está falando.
- "Não sei do que você está falando"- repeti, distorcendo a voz- Deixa de ser idiota, vamos, diz aí.
- Ai... bem, eu acho... é, eu acho que eu estou começando a gostar dele, sabe. Um... pouquinho, e tudo mais- ela olhou pra mim e fez uma careta como se eu estivesse prestes a dar um tapa no seu rosto. Mas aquela situação era tão engraçada...
- Meu bebê tá crescendo!- berrei, afagando seu cabelo.
- Ei!- Luísa fez sinal para eu abaixar o tom de voz- Se você não calar a boca eu juro que jogo esse mamão nessa sua cara feiosa!
- Estraga-prazeres.- murmurei, dando de ombros. Nosso quarto tinha duas beliches, então eu e Luísa iríamos dormir junto da Maethe e da Gabs. Atravessamos o enorme corredor, e subimos um pequeno lance de escadas até chegar no segundo andar. O lugar era tão enorme e conservado, tão lindo, que eu quase me senti num mundo normal novamente. O nosso grupo estava tão pequeno que chegava a sobrar vários quartos. Coloquei minha mochila na beliche de cima, e olhei para a minha irmã- Mas me conte, como começou esse lance?
- Puxa vida, esse cesto está realmente pesado- Luísa grunhiu, saindo do quarto e descendo as escadas novamente- Sabe, falando em mamão, deu vontade de comer. Tem tempos que eu não...
- Você está mudando de assunto- falei, e ela deixou cair os ombros, colocando o cesto em uma mesa- Sabe, se não quiser falar agora, tudo bem, eu...
- Helena!- Bianca entrou pela porta da cozinha perdida em alguns papéis. Ela olhava em volta e parecia conferir algumas coisas, tomar nota. Em seguida, virou para trás, levando a ponta da caneta aos lábios rachados- Alguém viu o As... ah, está ali, tudo bem, então.
- Me chamou?- cheguei perto dela, dando uma olhada rápida em seus rabiscos apressados.
- Ah, sim. Olha, eu estava pensando. Estamos todos exaustos, e esse lugar aqui é perfeitamente escondido... o que você acha dessa noite não ter ninguém de guarda?- ela balançou a cabeça, claramente cansada de ficar pensando em tudo- Ou acha uma péssima ideia?
- Cara, você sabe que a gente não pode ficar contando com a sorte, não é?- ergui as sobrancelhas, em tom de advertência- O universo conspira contra nós. A gente não pode pensar "tudo bem", NUNCA.
- Você é exagerada- ela cerrou os olhos- Mas tem razão. Eu fico hoje.
- Nem pensar! Olha seu estado, Bianca. Você tem é que dormir. Eu fico.
- Não, Helena- sua voz se alterou, o que indicava que ela estava nervosa- Eu vou proteger nosso grupo de qualquer jeito, ok? Se corrermos algum tipo de perigo, eu vou estar lá, e eu vou lutar. Não... n-não vou dormir.
A encarei. E quando a olhei, percebi que debaixo de toda aquela raiva, ela tinha um medo terrível. Medo do que ela tinha sido obrigada a passar; medo do presente; medo do que estava por vir, e eu não podia culpa-la. Quero dizer, várias pessoas do grupo já faziam isso. E o fato de ela não poder dormir... pesadelos? Com certeza. Eu sabia exatamente como era isso, já que estava lutando há uns bons dias para que o Rezende abandonasse minha mente.
- Tudo bem.- dei de ombros- Mas eu fico com você, tá?
Ela franziu o cenho, mas no final acabou assentindo, percebendo que não me convenceria a deixá-la sozinha. Apenas saiu de perto de mim e começou a berrar algo do tipo "mas cadê o Cocielo, hein? Alguém viu aquele viado? Ele ia me... ei, alguém ajuda aqui com as caixas!"



O sol já começava a esconder atrás das colinas, e eu estava sentada perto dos muros, recostada sobre duas rochas. Com minha adaga recentemente amolada, estava pronta para terminar de esculpir meu novo arco de madeira. Eu estava trabalhando nele havia uns bons dias, geralmente era o que eu fazia no meu tempo livre. Queria que ele ficasse tão bom quanto o de prata, mas eu sabia que sua resistência nem chegaria perto, então era obrigada a me contentar com um arco "aceitável". Ah, claro, sempre amaldiçoava Rezende mentalmente por ter derretido a minha arma.
Um pouco mais tarde, Bianca chegou e se sentou à minha frente. Seus cabelos estavam puxados para trás, sua pistola e facão presos ao cinto. Mas seus olhos eram delineados por sombras escuras, o que a deixava com um aspecto horrível; era notável seu cansaço.
Não conversamos muito. Ela apenas me disse algumas coisas, mas as palavras saíam meio entorpecidas, e ela sempre esfregava os olhos com certa agressividade. Já eu estava muito ocupada em gravar minhas iniciais no arco com a ponta da faca, não sabia direito o motivo. Como se algum zumbi fosse roubá-lo. Há-há, que irônico.
- Ei, agora que eu percebi!- comentei, enquanto olhava extasiada para as duas letrinhas miúdas gravadas- Minhas iniciais são H.D.! Meu Deus, que coisa mais ridícula.
- Sério que você passou, tipo, 30 anos da sua vida com seu nome e sobrenome e só agora que descobriu?
- Bah, eu não tenho trinta anos.- respondi, agora tentando prender o elástico ao arco.
- Mas pense pelo lado bom.- disse Bianca, sempre otimista. Quase sempre- HD significa High Definition. Então você tem uma... alta... definição.
A fitei por um tempo, com o elástico entre os dentes, enquanto empurrava uma extremidade do arco com o pé.
- Hum, acho que essa observação não soou muito bem.- comentou, e eu apenas concordei com a cabeça.
Passado um bom tempo, eu conseguira prender o elástico e me ocupava em esculpir pequenos bordados na parte superior do arco. Logo eu, que zombava da minha mãe por gostar de passar o tempo criando bordados com seu incansável crochê. Era um fato até deprimente, se for parar pra pensar.
Entretanto, percebi que Bianca não estava obtendo muito êxito em manter-se acordada. Seus olhos se fechavam lentamente, e quando a cabeça pendia e caía sobre o peito, ela imediatamente a levantava de novo, com olhos arregalados, forçando-se a manter a ativa. Sem sucesso, suas pálpebras teimavam em ficarem pesadas, e cada vez mais pesadas, e então o ciclo todo recomeçava.
- Durma.- ergui as sobrancelhas para ela- Agora.
- Não.- ela rebateu, tentando erguer o olhar em minha direção.
- É uma ordem.
- Não, não, não- suas palavras soaram atormentadas, arrastadas. Ela cobriu o rosto com as mãos, e percebi que ela estava pior do que eu imaginei- Helena, por favor, não faz isso comigo. Eu sei que você me entende. Toda vez que eu fecho os olhos, eles estão lá. Me assustando, me atormentando, eles me dão medo, e eu não posso fazer nada... Dormir é como mergulhar em um oceano obscuro e profundo. E aí, eu nado, nado, mas nunca consigo alcançar a superfície. E quando estou quase me afogando, eu acordo.
- Eles? Eles quem?
- Ai, eles.- Bianca ergueu as mãos e balançou a cabeça algumas vezes, com aflição, mas não respondeu minha pergunta- Eu não vou dormir. E eu posso estar sendo covarde por não ter coragem de enfrenta-los, mas não posso fazer isso. Você sabe do que eu estou falando, não sabe? Eu não estou louca.
- Não Bianca, você não está doida.- me inclinei para frente, pousando minha mão em cima da sua- Mas eu estou aqui, do seu lado, então nada vai acontecer com você. E se estiver alguma coisa errada, eu te protejo, o.k.? Confie em mim. Vai, dorme.
- Prometa... que vai me acordar.- sua expressão era tão preocupada que eu apenas assenti. Sabia como era estar em um pesadelo do qual você não consegue sair.
Bianca recostou sua cabeça em uma pedra e caiu no sono em questão de segundos. Enquanto me ocupava da minha função de esculpir flechas, a observava de soslaio, e sua expressão não poderia ser mais serena. Seu sono pesado fazia aquela pedra debaixo da sua nuca parecer um travesseiro macio feito de penas de ganso.
Quando abri os olhos, o céu estava começando a clarear. Eu tinha uma impressão esquisita, como se tivesse ouvido algo. Olhei em volta, atenta. Geralmente, minha audição tinha me mostrado que era bem eficiente em ouvir coisas que ninguém mais ouve.
Minhas duas mãos estavam pousadas no meu colo, uma segurando uma flecha inacabada e a outra segurava minha adaga, o que mostrava que o sono tinha me pegado desprevenida. Do meu lado, meu grande arco novinho em folha repousava na parede, e minha coleção de flechas o fazia companhia. Bianca ainda dormia, imóvel, e sua expressão não apresentava indícios de sonhos ruins, então preferi não acorda-la.
Me levantei com cautela, prendendo minha adaga ao cinto e o arco às costas, me perguntando se eu iria estreia-lo. Me afastei um pouco de onde estávamos, me dirigindo às árvores que cercavam o acampamento. Quanto mais eu me aproximava, mais eu tinha a certeza de que tinha alguém por ali, até que por fim, ouvi o que era claramente um gemido de dor, o que me deixou em estado de alerta. Peguei meu arco e alojei uma flecha, me preparando para um ataque zumbi, mas acompanhado de outro gemido, uma voz que acalmava.
Por mais que eu tentasse, eu não conseguia ver ninguém, mesmo o Sol se levantando no céu e iluminando tudo. Os gemidos estavam cada vez mais incessantes e altos, e eu notei que a pessoa que tentava manter a situação sob controle não alcançava êxito.
- Quem está aí?- perguntei alto, sempre com o arco preparado. Com isso, as vozes pararam por longos segundos, até que ouvi gemidos abafados, como se a pessoa com dor tentasse reprimi-los a todo custo, mas fosse impossível- Apareça agora!
Após alguns instantes, uma figura foi se materializando em meio as árvores, chegando lentamente mais perto de mim. Pude notar que era um homem não muito alto, com com pouco cabelo e a barba por fazer. Ele tinha a cabeça abaixada e as mãos erguidas diante da minha flecha apontada em direção ao seu peito.
- Azaghal?- uma voz feminina e frágil o chamou de trás das árvores, e eu deduzi que era a mesma que estava gemendo- V-você está aí?
- Estou.- o homem pareceu pronunciar cada letra com lentidão, obviamente com medo de eu ataca-lo.
- De onde você veio?- minha voz era firme e imperativa; se eu perguntei, tinham de me responder. Percebi o corpo debilitado do homem (Azaghal?) estremecer.
- Olha, moça, nós não querem...
- Eu perguntei: de onde você veio?- apertei com mais força o arco, e o homem pareceu querer chorar.
- De lugar nenhum! Nós só andamos por aí, estamos perdidos, por favor nos ajude, não sabemos mais o que fazer, ela está com muita dor!- era evidente seu desespero, e eu considerei a situação.
- Veja bem...- decidi abaixar o arco, colocando minha flecha de volta na aljava- Sinto muito que sua... ahm... sei lá, foi mordida, mas não há muito o que fazer.
- Não é isso...- Azaghal se virou, adentrando o breu das árvores. Depois de um tempo, reapareceu, segurando com força uma mulher. Seus cabelos castanhos estavam colados no suor do seu rosto e pescoço, e o rosto estava transfigurado de dor. E ela tinha uma enorme barriga de grávida. Engoli em seco quando vi a cena; por algum motivo, uma sensação péssima me dominou quando a vi- E-eu não sei o que fazer. Por favor...
- Cara, não sei se posso ajudar vocês. O grupo tem uma regra rígida que proíbe a entrada de mais integrantes.
- Pelo amor de Deus, ela vai ganhar neném! Não podemos perder outro filho! - Azaghal se alterou, enquanto sua companheira segurava a barriga com força e tentava manter a respiração estável.
- Sinto muito- respondi- Vocês não podem ficar.
- Meu Deus!- uma voz atrás de mim nos surpreendeu.
Correndo em nossa direção, Maethe e Lua. Elas pareciam extasiadas por estarem vendo uma mulher grávida, e rapidamente ofereceram apoio ao casal.
- Ei, ei, o que vocês estão fazendo?- as duas olharam pra mim, parecendo desacreditadas de eu estar querendo impedi-las a ajudar alguém.
- A bolsa dela estourou- Maethe argumentou, enquanto passava o braço da ruiva por cima de seus ombros- Ela não pode dar à luz no meio de uma floresta, assim.
- Você não está entendendo- toquei seu ombro e abaixei o tom de voz para ela- Ninguém mais entra nesse acampamento.
- Helena, se a gente não ajudar ela pode morrer- foi a vez de Lua tomar partido- Vamos, só dessa vez.
- Não vou dizer nada. Depois a gente discute- foi meu ultimato.
- Tudo bem- Maethe balançou a cabeça e tornou a carregar a mulher grávida em direção à enfermaria.
- Mas se prepare para o que a Bianca vai dizer à você. Eu garanto que não é coisa boa.
- Fica calma, ela vai entender.

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- Vocês o que?- pelo que parecia, Bianca não estava entendendo a situação tão bem quanto Maethe garantira- Pelo amor de Deus, eu falei grego esse tempo todo? N-i-n-g-u-é-m mais entra, vocês sabem o significado da palavra? Eu preciso soletrar?
- Fica calma, Bia.- Maethe tinha uma paciência de ouro para sempre manter a voz num tom ameno e calmo.
- Não, ficar calma, não! Eu disse para não permitir a entrada de uma pessoa sequer, e vocês deixam duas entrarem?
- Três- Lua corrigiu, e em seguida se encolheu quando todos os olhares se voltaram para ela.
- Três!- o sono tinha ajudado na aparência de Bianca, e agora ela estava mais disposta. Mas naquele momento, seu rosto estava tão vermelho quanto um tomate. Devido àquele antigo problema, ela sempre ficava irritada com coisas pequenas, mas o fato de suas regras terem sido desobedecidas tão descaradamente daquela forma, era questão de morte- Helena, você devia ter me acordado.
- Tudo bem, tudo bem- ergui minhas mãos e dei um passo à frente- Não há necessidade pra esse fuzuê todo. Maethe e Lua quiseram ajudar a...
- Portuguesa.
- Isso. Então tá.
- Até porque temos muitos recursos médicos pra ficar ajudando Deus e o povo que aparecer por aqui, não é?- Bianca cruzou os braços, e sua ironia pareceu estressar Maethe.
- Qual é, Bianca! Ela só deitou na maca, abriu as pernas e eu peguei o neném dela! Nada demais!
- Oh... e ela não podia simplesmente abrir as pernas no meio da floresta, porque... ah, não tem porquê.
- Mil perdões se eu tive boas intenções.- Maethe bufou, irritada.
- Galera, vejam só.- tentei dar uma solução simples antes que as duas saíssem dali numa briga mais séria- Podemos fazer ambas as coisas, tá? Maethe ajudou Azaghal e Portuguesa, tudo bem. Ela fez o que acho que era o adequado. E agora... eles podem ir embora e viverem felizes para sempre, que tal? Xeque mate, ajudamos o casal e ainda respeitamos a regra do grupo.
- Ótimo!- Bianca deu um sorriso cínico, mas ainda era visível sua indignação- Quero eles dois fora. Agora.
- Portuguesa ainda não se recuperou do parto. Ele aconteceu faz uns... trinta minutos.- Lua respondeu, e Bianca a fuzilou com o olhar. Acredito que ela tenha se arrependido de ter falado naquele mesmo instante.
- Não quero saber, que caiam fora e ponto final.
- A Portuguesa e o Azaghal só vão sair daqui quando eu disser que eles estão liberados- Maethe pareceu definitiva em sua determinação, e em seguida fez sinal para Lua se aproximar- E sou eu quem decido isso agora. Passar bem.
Depois de um tempo, fui visitar a enfermaria, e vi que o casal aninhava um bebezinho em seus braços com total encanto em seus olhos. Suspirei, pensando em como antigamente eu sonhava em ter um filho, mas que agora esse acontecimento parecia tão fora de questão.
- É menino.- virei para trás, me deparando com Claire. Seu cabelo cacheado estava amarrado para trás, realçando seus olhos azuis sonhadores- Dizer "eu quero ter um filho" parece uma coisa tão ridícula de se pensar agora, não?
- Sim...- observei Claire por um tempo e percebi que ela encarava o casal com uma expressão pensativa- É impressão minha ou você... conhece eles?
- Ah, bem. Achei o rosto deles bem familiar, mas não consigo pensar de onde que eu os vi.
- Eu tenho uma sensação parecida- confessei- mas só com ela. Quando Portuguesa apareceu, me veio algo esquisito.
Claire apenas concordou com a cabeça, processando a situação. Imediatamente me lembrei do que tinha acontecido com Polado; tinha conseguido a confiança de todos, e depois, traído. E se o casal tivesse algum tipo de ligação com o Rezende? Eu tinha que saber. E eu ia descobrir.
- Claire?
- Sim?
- Precisamos vigiar esses dois.- falei. Levando minha mão ao arco- Eles não são da minha confiança.  

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