Capítulo 42

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Pov's Agatha

Já se passaram algumas semanas desde a transfusão de sangue. Clarice tem apresentado melhora e se continuar assim durante hoje, amanhã mesmo ela poderá ir para casa. Gustavo tem vindo todos os dias visitá-la e o Gabriel parece estar aceitando isso, claro do jeito dele.
Hoje eu vou conversar com o Gustavo, queria conversar quando a Lice, saísse do hospital, mas não dá para adiar mais. Precisamos conversar sobre o futuro dela. Gabriel tirou o dia de folga e vai ficar com ela no hospital, para eu poder conversar tranquila com ele. Marcamos de nos encontrar em um café próximo ao hospital, as duas e meia. Já são duas e quinze e eu estou esperando ele chegar. Sou muito ansiosa, e por isso cheguei antes. Não demorou muito e ele chegou.

Guto: Deculpe a demora.- disse se sentando. Olhei no relógio e não eram duas e meia ainda, mas deixei quieto.

Eu: Vamos logo ao assunto, como quer resolver isso?- disse direta e ignorando seu pedido de desculpa.

Guto: Quero ser o pai dela, quero assumir ela legalmente. Quero fazer coisas que pais e filhos fazem. Quero recuperar o tempo perdido.

Eu: Gabriel é pai dela. Você a abandonou antes mesmo dela nascer, não pode querer simplesmente chegar e querer ser tratado como pai.- respondi fria.

Guto: Você me mandou ir embora, lembra? Eu me arrependo todos os dias de não ter ficado com vocês, de não ter sido o homem que você precisasse que eu fosse, de não ter sido o pai que ela merece. Eu fracassei por medo.

Eu: Eu estava grávida com 16 anos de idade. Acha que eu não estava com medo de fazer tudo sozinha? Que não estava com medo de educá-la? Ou de ir para a sala de cirurgia para tê-la?- disse irritada e comovida por lembrar de tudo que eu passei.

Guto: Eu deveria estar com você, ter te passado segurança, ter acalmado você. Eu sinto muito por não ter sido quem você precisasse que eu fosse. Mas eu quero recuperar o tempo perdido com ela. Eu jamais vou conseguir alterar o que foi feito, mas eu quero tentar ser o pai que ela precisa.- ele disse com certeza e convicção.

Eu: Eu juro, que se você a magoar ou fizer ela sofrer, eu te mato. Ela é tudo o que eu tenho.- disse deixando as lágrimas descerem.

Guto: Eu não vou magoa-la e nem a você. Só preciso que me dê uma chance de recuperar o tempo perdido.

Fiquei pensando em suas palavras. Será que são verdadeiras? Não sei se ele merece outra chance, mas como ele mesmo disse, eu o mandei embora. Portanto, sou igualmente culpada por sua falta de paternidade. Mas estamos falando da Clarice, ela merece saber a verdade, mas eu quero que ela saiba que isso não vai afetar o relacionamento dela com o Gabriel. Ele sempre será pai dela.

Eu: Tudo bem. Mas você não ouse se meter no relacionamento dela e do Gabriel. Ela cresceu com ele, ela o conhece sendo seu pai, e ele a ama como sua própria filha.- disse com certeza na voz.

Guto: Eu nunca faria isso. Ele foi o pai dela durante oito anos, não ousaria estragar a visão dela sobre ele. Mas eu também quero ser reconhecido como seu pai. Quero ir as apresentações da escola, quero buscá-la, quero estar presente de agora em diante.- disse convicto e firme diante de suas promessas.

Eu: Se ela não tiver nenhum problema durante o dia de hoje, e nem durante a noite. Ela vai continuar o tratamento em casa. E ai podemos pensar em lhe contar.- ele acentiu.

Eu: Já ia esquecendo, como vai fazer com sua carreira em Portugal?

Guto: Eu vou dar um jeito nisso. Se for preciso eu peço demissão e mudo de volta para cá, caso não consiga transferência, o que é bem difícil no meu ramo. Mas eu não vou escolher de novo entre a carreira e minha filha.

Minha vida secreta ...Onde histórias criam vida. Descubra agora