Já se passaram quinze dias desde que eu e Gabriel conversamos e nos entendemos. Eu e Clarice voltamos para casa, e ela voltou a escola. Tudo estava em seu lugar, exceto por um porém: Gustavo!
Ele tem feito pressão todos os dias pra ver a Clarice, e quer sempre saber se eu já contei a ela. Eu não contei, e tenho medo de contar. Medo da reação dela quanto a isso, mas sei também que não posso ficar adiando isso para sempre, uma hora eu vou ter que lhe contar a verdade.
Está na hora de ir buscá-la na escola, mas antes vou passar na sala do Gabriel para ver se ele terminou o trabalho.
Agatha: E ai? Terminou?- me sento na cadeira em frente a sua mesa.
Gabriel: Não, estou todo atolado com essas encomendas.- ele diz focado na tela do compuador.
Coloco a caneta de volta no porta lápis e me levanto indo até ele.
Agatha: Vou buscar Clarice e te esperamos em casa!- depositei um beijo em sua cabeça e me viro para ir.
Gabriel: Hey, na cabeça não vale.- ele diz me puxando e me dando um beijo.
Agatha: Se for beijo, ta valendo em qualquer lugar.- pisco o olho e saiu da sala.
No caminho para a escola, vou pensando em diversas formas de contar para Clarice a verdade, enquanto ouço música no rádio.
Ela tem oito anos, não é bebê, mas não é grande também, tenho certeza que isso vai impactar na vida dela, até mesmo em como ela verá o Gabriel e o Gustavo de agora em diante, e a mim. O que ela irá pensar de mim.
Meu celular vibra enquanto estaciono para ir buscá-la. Olho o ecrã e respiro fundo antes de atender.
Agatha: Alô.
Gustavo: Agatha, precisamos conversar. Quando vai contar a verdade para ela?- ele fala alto do outro lado da linha.
Agatha: Não sei Gustavo! Não é como se eu tivesse contando que ela acabou de ganhar um cachorrinho! Ela é uma criança que vai ter sua vida virada de cabeça para baixo.- retruco andando em direção a escola.
Gustavo: Eu estou aqui a mais de um mês e nada! Você está enrolando e eu to tentando ser paciente, mas não ta funcionado. Não quero tomar medidas maiores.- ele me ameaça.
Agatha: Olha só, não vou ficar te dando corda. Se quiser esperar ótimo se não quer foda-se. Quer ir no juíz? Vai! Duvido que ele tire a guarda dela de mim.- grito e desligo assim que chego na escola.
O nome dela é chamado pela moça que fica no portão, e ela vem saltitando toda suada.
Clarice: Oi mãe!- ela me dá um beijo na bochecha e me entrega a mochila.- Tchau tia!- acena para a moça da portaria.
Agatha: Como foi a aula?-pergunto fazendo o caminho até o carro.
Ela vem me contando do dia dela, até chegarmos na rua de casa. Havia uma movimentação diferente na porta da minha casa, quando vi quem era, meu sangue ferveu! Como ele tem a coragem de vir aqui,na minha casa.
Gustavo estava parado com sua namorada e um homem de terno com algumas folhas em mãos. Já sabendo do que se trata, abro a garagem e assim que estaciono, mando uma mensagem para Gabriel vir pra cá o mais rápido possível.
Clarice: Mãe, porque o Gustavo e a Carol estão aqui?-ela me pergunta soltando o cinto de segurança.
Agatha: Não sei filha, entra e vai tomar seu banho enquanto eu vejo o que eles querem.- peço soltando meu cinto.
Clarice: Posso dizer oi?- ela pede.
Agatha: Prefiro que entre filhinha. Por favor!- peço olhando pelo espelho retrovisor.
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Minha vida secreta ...
RomanceTudo na vida tem um propósito... precisamos apenas compreende-lo.
