Capítulo 50

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Na manhã seguinte da briga, eu estava completamente devastada pela reação do Gabriel. Não digo que ele está errado, ou que eu esperasse outra reação, o sonho dele era ser pai outra vez. Ele não acompanhou a gestação da Clarice, nem a viu nascer, então isso aumentava o desejo dele de ter outro bebê, principalmente porque iria herdar seus genes. Gabriel sempre foi compreensivo com essa minha questão, quando fomos morar juntos eu já tinha deixado claro que não queria outro filho, eu não queria passar pela experiência traumática que foi a gestação, de novo. Nos primeiros anos ele respeitou minha vontade, e se concentrou na Clarice, afinal, ela trazia alegria para a casa e preenchia o coração dele. Mas de uns dois anos pra cá, ele vem se tornando insistente no desejo, e não fez mais questão de esconde-lo, por mais claro que eu deixava, ele não desistia. Confesso que por algum tempo eu temia que ele fosse desistir de mim, já que ele queria ter filhos e eu não, achei que ele fosse me trocar por alguém que compartilhava esse mesmo sonho. Cheguei a conversar com ele sobre esse medo, mas ele sempre disse que jamais me trocaria por ninguém, que nos tínhamos nossa filha, e ele jamais desistiria da nossa família. Eu queria acreditar, na verdade acreditei, mas aquela pontinha de dúvida e receio sempre me cutucava.

Já eram oito horas da manhã, eu não consegui dormir direito a noite, apesar de pegar no sono, acordava de hora em hora sentindo sua ausência. O dia estava nublado e chuvoso, ajudando mais ainda meu estado deprimido. A casa estava em silêncio, Clarice ainda não tinha acordado. Aproveitei que a casa estava em silêncio, e comecei a pensar em tudo que me atormentava. Comecei pontuando meus problemas, começando pelo mais complicado, a gravidez.

Não sei quanto tempo fiquei pensando, mas foi tempo suficiente para despertar dos meus pensamentos com o som de mensagem no meu celular.

*Bom dia, tudo bem? Posso passar aí para buscar ela?

Era uma mensagem do Gustavo, quando percebi que já eram nove e meia, me assustei e levantei rápido enquanto digitava uma resposta rápida.

* Bom dia... Eu me atrasei um pouco, pode chegar as dez e meia?

Enquanto enviava a mensagem sai do quarto, indo em direção ao quarto da Clarice para começar a arruma-la, mas não havia ninguém no quarto. Olhei confusa a cama vazia, a cortina aberta e fiquei imaginando se ela já estava acordada a muito tempo. Enquanto descia as escadas, ouvi o som da televisão ligada.

Agatha: Bom dia! Acordou cedo hoje, já tomou café?- dei um beijo em sua testa.

Clarice: Já, papai fez meu café da manhã e já me arrumou. Ele saiu, disse que não sabia a hora que iria voltar.

Eu entendo. Ele estava tentando lidar com a situação do jeito dele, não julgo e não fico brava, eu não tenho esse direito.

Agatha: Ele disse a onde foi?

Ela negou com a cabeça sem tirar a atenção do desenho.

Agatha: Já escovou os dentes?- ela acenou com a cabeça, ainda vidrada no desenho.

Mandei uma mensagem para o Gustavo avisando que ele podia vir as dez horas, já que ela estava pronta. Fui para a cozinha e fiz um café enquanto esperava Gustavo chegar. A chuva não parava de cair, lá fora e aqui dentro. Já sinto a falta dele, eu sempre falho com ele, por mais que eu tente acertar e seguir em frente.

Eu pensei em mandar uma mensagem, para saber quando ele voltava para casa, mas desisti, deletando o que eu tinha escrito. "Ele precisa de um tempo" era o que eu pensava toda vez que digitava alguma mensagem.  Talvez o dia de hoje seja mais proveitoso se estivermos separados. Pensar com calma nas coisa ditas, na situação em si, e principalmente nessa gravidez inesperada.

A companhia tocou me tirando do transe. Me enrolei no roupão e fui até a porta, tentando ao máximo ignorar meu estado deplorável.

Agatha: Bom dia!

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⏰ Última atualização: Apr 30, 2021 ⏰

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