Capítulo 10

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Bati a porta com tanta força que os porta retratos tremeram com a intensidade da batida.Eu estava com raiva e muito decepcionada,não com ele mas comigo,por acreditar nas palavras dele.Me sentei no chão e encostei na porta.Tudo o que estava acontecendo parecia surreal.Queria gritar,chorar,desaparecer... Uma mistura indescritível de sentimentos, estava me possuindo.Mas tudo o que eu fiz foi secar minhas lágrimas e fixar meu olhar na escada em frente a porta.Tudo o que passamos nesses três dias ,foram simplesmente jogados de lado quando ele beijou aquela garota loira.É como dizem os experientes, tudo o que é bom dura pouco.A magia sempre acaba,tudo voltará ao normal quando o relógio badalar 00:00.Isso significa que minha vida voltará ao normal?Eu não queria isso.Só queria nunca ter o conhecido... O que estou dizendo? Claro que eu gostaria de ter o conhecido. Ele me fez tão feliz em apenas três.Em apenas três dias eu me senti renovada,me sentir capaz de ser eu mesma.Não preciso mudar por ele,e nem por ninguém quando estou com ele.Como ele me afeta tanto? Não sei o que é isso.Nunca senti nada disso, nunca.

Me levantei e subi as escadas sem animo nenhum.Entrei no meu quarto e fui ao banheiro lavar meu rosto.Tinha que voltar para a pracinha, minha avó não aguentaria trazer a Valentina no colo.Aposto que ela já está com sono.Assim que a água gelada entrou em contato com minha pele agressivamente quente,senti um arrepio.Sequei meu rosto e desci. Assim que abri a porta um vento gelado percorreu meu corpo me fazendo arrepiar.Fechei levemente a porta e fui em direção a praça.Não tinha sinal do Guto... Gustavo. Continuei caminhando para a praça.

Quando cheguei lá, levei um susto que nunca na minha vida imaginaria levar.Minha avó não estava lá.Ela havia deixado a Valentina sozinha na pracinha. Corri até ela,ela estava sozinha só havia umas duas crianças lá. Por sorte ela estava calminha brincando na areia quando me aproximei.

Eu:Oi bebê. O que você faz aqui sozinha?-disse a pegando em meus braços.

Valentina:Vovó sumiu.-ela disse colocando as mãozinhas no rosto.

Eu:Pois é, vovó ta doida.-disse fazendo cócegas em sua barriga.

Andei pela vizinhança atrás da minha avó, mas nada.Ela realmente havia sumido.Estava prestes a ligar para minha mãe, quando vejo uns cabelos grisalhos do outro lado da rua.Atravessei a rua a fui ao seu encontro.

Eu:Vó onde a senhora foi?-disse arrumando a Valentina nos braços.

Rita:Eu fui encontrar seu avô, mas acabei me perdendo.

Eu:Vó, vovô morreu a 17 anos.Eu nem cheguei a conhecê-lo.-disse enquanto nos sentavamos em uns bancos que haviam ali.

Rita:Ele morreu?Meu deus,meu marido...-ela começou a chorar desesperadamente e não tinha como fazê-la parar.

Eu:Vó,calma.Vai ficar tudo bem.Vamos para casa.

Rita:Eu o amava tanto.-ela disse com as mãos no rosto.

Eu:Eu sei vó. Vai ficar tudo bem.

Ela não queria se levantar, e eu não podia ajuda-la,pois Valentina estava no meu colo.Não sei se foi sorte ou o destino brincando comigo.Ele estava do outro lado da rua nos olhando com uma cara de preocupado.Ele vem em nossa direção e meu coração acelera.É engraçado como meu corpo reponde a cada passo,sorriso ou respiração sua.É muito curioso.

Guto:O que está acontecendo?

Eu:Minha vó está chorando pelo meu avô.Mas ele já faleceu tem 17 anos.Ela está confusa.

Guto: Alzheimer.-ele diz se sentando a meu lado.

Eu:Não, é claro que não.-disse passando a mão de leve nas costas da minha avó.

Guto:Tudo bem.Quer ajuda?-ele diz olhando para Valentina que dormia como um anjo em meus braços.

Eu:Não. Obrigado.Talvez você devesse ir,sua namorada pode estar te esperando.

Guto:Aghta por favor,eu não tenho nada com ela.Ela me pegou desprevinido.Eu só me importo.com você.

Aghta:Tá bem.Veremos isso depois. Agora leva a bebê que eu vou levar minha avó.

Eu entreguei Valentina para ele,e comecei a conversar com minha avó. Quem sabe eu consiga convencê-la que ir para casa é o melhor a se fazer.

Felizmente obtive sucesso e consegui levá-lá emboram.Caminhamos em silêncio até em casa.Quando chegamos em casa,meus pais ainda não tinham chegado.Dei um calmante para minha avó e o Guto colocou a Valentina na cama.Quando desci as escadas encontrei Guto me esperando perto da mesma.

Guto:Como ela esta?-ele perguntou visivelmente preocupado.

Eu:Bem.Esta dormindo.-disse cruzando os braços.

Guto:Que bom.Será podemos conversar.

Eu:Não. Acho melhor não.-disse desviando o olhar.

Guto:Por favor.Mesmo que não queira mais me ver preciso esclarecer o que você viu.-ele diz olhando para mim.

Eu:Eu sei o que eu vi.Não precisa explicar.-disse indo para a sala.

Guto:Eu estava pensando en você quando ela me beijou.

Quando essas palavras atingiram o meu ouvido.Meu cérebro mandou um recado para meu corpo todo parar. Eu gelei,fiquei sem reação diante da quelas palavras.Será que é verdade? Será que estou sendo muito precipitada em não ouvi-lo?É provavelmente. Estava tão perdida em meus pensamentos aleatórios, que nem percebi sua aproximação.

Guto:Eu estava pensando em você o tempo todo.Eu não pude recusar a companhia da Karina porque ela é depressiva,além do mais não seria nada de mais, apenas uma caminhada.-ele diz atrás de mim.Posso sentir sua respiração em meu pescoço.

Eu:Só eu e você podemos caminhar juntos.-minha voz saiu como de uma criança triste.

Guto:Está bem,criancinha.-ele disse me virando de frente para ele.

Eu:Não quero te ver.-disse tapando os olhos com as mãos.

Guto:E por que não?-ele disse.

Eu:Por que estou irritada com você.-disse abrindo um pouco meus dedos e espiando entre a fresta.

Guto: Não fique, por favor.-ele diz me abraçando.

Eu:Eu não consigo.-disse retirando minhas mãos dos olhos mas mantendo-os fechados.

Ele se aproximou e senti seus lábios encostarem nos meus.Seu hálito era menta e canela.Uma mistura deliciosa.Estava tão furiosa com ele,mas toda essa raiva parecia ter diluído.Estava tão confortável em seus braços que,não sentia mais raiva nenhuma.Assim que nosso beijo acabou ele me disse que nunca mais faria nada para me magoar,ou me enfurecer,já que eu era péssima para lidar com "problemas amorosos".

já eram 13:30, e ninguém tinha almoçado.Me despedi do Guto,acho que já posso chamá-lo assim novamente,e fui arrumar alguma coisa para fazer de almoço. Minha mãe mandou uma mensagem dizendo que não vai almoçar em casa.Bom parece que sou só eu... De novo.

Minha vida secreta ...Onde histórias criam vida. Descubra agora