Pelos outros, eu sabia que ele tinha ido aqui e acolá nos fins-de-semana, que tinha viajado, que tinha feito um monte de coisas. Para mim, nem uma ligação. A sensação de ser traída, de nunca ser incluída nos passeios, de não ser convidada e de imaginar que ele, na verdade, tinha vergonha de mim, foi avassaladora. Voltamos às aulas e eu queria fazer diferente. Eu já não me sentia mais inferior a ele e já não comemorava mais a horinha que gozávamos junto no fim da aula. Isso não era mais suficiente para mim. Terminei de novo. E foi o fim.
É verdade que o meu coração sentia falta do coração dele. Algumas vezes, eu passava na porta da sala dele só para, de longe e de leve, me inebriar um pouco com aquele perfume dominante, de preferência quando ele adormecia nas aulas de História. Mas eu precisava de bem mais pra ser feliz.
Estava cada vez mais convencida de que éramos muito diferentes. Nossos papos se limitavam a uma gama curta de assuntos, não havia acréscimos, discussões produtivas, nada que me fizesse sentir desafiada por ele. Paralelamente, eu me sentia muito sozinha nos fins-de-semana. Eu esperava uma ligação, um convite, uma surpresa. Precisava estar com ele e saber que ele queria estar comigo. Precisava de um namoro de verdade.
Me decepcionei vezes até demais para continuar desejando ele. Nos afastamos. Aos poucos, parei de passar por ele e ele parou de passar por mim. De longe, eu olhava ele sorrir. E ficava feliz por ele.
Um novo namorico meu no colégio foi o tiro quefaltava para exterminar qualquer possibilidade entre nós. Na verdade, foi um tiro no meu pé, porque nemmesmo valeu a pena. Neste, além de não haver papo ou fim-de-semana divertido,não havia tesão. Durou poucos dias, tempo suficiente para trancar uma porta queestava apenas encostada.
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Devaneios Curtos
RomanceNão é uma história, são várias. Ficção, romance, sexo ou o que mais passe pela minha cabeça.