Anos se passaram e eu vivi momentos de tristeza profunda e agonia extenuante, assim como relacionamentos efêmeros que fizeram a minha estória ser, de certa forma, colorida.
Um novo relacionamento tinha acabado de iniciar e eu estava bastante satisfeita com ele, imaginando que eu teria finalmente o meu "felizes para sempre". Querendo agradar ao novo partido, passei a me vestir conforme os desejos dele. Sandálias mais altas e roupas mais justas entraram pelos meus armários empurrando para trás os tênis e roupas largas.
Em uma agradável tarde de cinema, enamorados, fomos passear no shopping. Para minha sorte, eu estava arrumada porque, em nossa direção, vieram o carinha e aquela mesma namorada. Como eu odiei ela naquele momento. Não pude deixar transparecer para não constranger ou irritar o meu acompanhante. Dessa vez, empinei o peito e segui em frente. Queria mostrar superioridade, desinteresse. Cruzamos e nem um olhar foi trocado. Bom, eu olhei. Ele, acho que não. "Que idiota!", pensei; não sobre ele, sobre mim mesma.
Uma passagem longa de tempo me colocou cara-a-cara com o Orkut. Eu, que nunca me propus a visitar redes sociais, mesmo pelo ciúme que o namorado sentia, resolvi abrir uma conta para ver do que se tratava. Me sentindo como o polo negativo de um ímã vital, fiz a busca pelo nome dele. Por quê? Porque, provavelmente, sou uma idiota completa. Ou talvez seja aquele gosto pelo proibido que eu tanto zelava na adolescência refletindo em uma jovem de 26 anos. Talvez, eu me sentisse finalmente desafiada com relação a ele. Mas digamos que tenha sido mera curiosidade, de forma que eu não fique tão mal na história que ora conto.
A imagem dele era associada a um personagem de um seriado de televisão que eu achava, básica e simplesmente, ridículo. Para mim, era o retrato do capitalismo e das utopias do sonho americano. Novamente, voltei a pensar nos defeitos dele – uma forma de consolo para mim mesma. "Fútil!", concluí, me sentindo satisfeita com as decisões da adolescência pela primeira vez. Cancelei a conta na tal rede, e respirei aliviada e muito bem resolvida. "Viu? Você estava certa de terminar com ele!", pensei. Lógico que eu nunca assumi para mim mesma que, pelas contas, ele tinha terminado comigo muitas vezes – todas as vezes que eu quis, em vão, que ele me visse.
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Devaneios Curtos
RomanceNão é uma história, são várias. Ficção, romance, sexo ou o que mais passe pela minha cabeça.