Parte 39

141 7 0
                                        

’23 de Março

Hey. Já sei o que tenho. É óbvio que não estou feliz. Sei que vou morrer com este bicho que permanece em mim. Este cancro não tem cura. Persegue-me a todo o tempo. Fica me destruindo aos poucos, até não aguentar mais. Queria acompanhar Diogo, Niall, minha mãe, minha irmã Alice, Tiago e meus amigos. Eu os amo tanto. São quem me têm apoiado mais nestes últimos tempos, e eu, nunca poderei agradecer tudo o que têm feito por mim.

Custa-me ver sofrer quem mais amo. Sofrer por minha culpa. Nunca gostei disso… Disso de ter a atenção só para mim, não dando tempo para pensar neles próprios. Sinto ‘apertos’ no coração só de pensar que poderei ir embora de vez, sem dizer tudo o que pode ficar por dizer, ou até mesmo, sem me despedir como deve ser.

Diogo, apesar da idade que tem, sabe da doença que tenho, e o que me pode vir acontecer. É. Ninguém disse que a vida seria fácil, não é verdade? Algo de mal um dia teria de acontecer.

Passo na rua, e vejo muitas pessoas da minha antiga escola. Aquela escola que eu fui deixando de ir por amor à minha família. Muitas dessas pessoas limitam-se a sorrir-me por me ‘conhecerem’, outras riem baixo, ainda me gozando pelo que sou, e sempre fui. Ou até pelo que me tornei. Pelo que me tornei até hoje. Muitos deles começam a sentir pena. Porquê? Eu não sei. Se é bom sinal? Talvez sim. Talvez não…

Escrevo aqui. Nestas folhas, onde está toda a minha vida. Nestas últimas folhas, onde a minha letra começa a ficar tremida devido à perda de força que tenho. Talvez hoje. Talvez amanhã. Poderia até ter sido hoje a última vez, que iria escrever aqui.’

Steps To A Better FutureOnde histórias criam vida. Descubra agora