Sequestro

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A saga continua...

Corri o mais rápido que pude até a avenida mais movimentada.

Minha cabeça explodiria em um milhão de pedacinhos, a qualquer momento, meu coração também, o órgão maldito batia em um ritmo perigoso. É óbvio que estou irritada, puta da vida.

Lexa praticamente me largou no meio do nada.

Não pretendia perdoá-la.

Foi extremamente ofensivo da parte dela, me seduzir daquele jeito e então...

- Você está bem? - A moça do Uber perguntou, seu olhar curioso encontrou com o meu pelo retrovisor.

- Sim. - Ela acena e volta a dirigir.

Os borrões das luzes da cidade prenderam minha atenção, estava me sentindo estranha, uma confusão completa. Havíamos nos beijado. Foi tão bom quanto eu imaginava que fosse.

Clarke Griffin encontra-se dividida, insegura, frágil. Era a TPM.

Minha TPM era selvagem, e tinha um péssimo timing. É como se a maldita tivesse um sensor que apitava todas as vezes que minha cabeça estava fodida.

Silenciosamente, rezo para que Abby esteja em casa. Queria colo, queria o colo da minha mãe.

Precisava fugir. Viajar pro Marrocos, colocar alguns milhares de quilômetros de distância entre Lexa e eu. Isso não tinha nada a ver com o beijo. Era por tudo. Lexa não era confiável. 

Cada dia que se passa, mais me convenço de que ela está envolvida com coisas criminosas, ou algo muito perto disso.

Por outro lado, sentia como se fosse minha responsabilidade descobrir todos os seus segredinhos sujos. Assim, teria uma desculpa plausível para não me envolver com ela. E pelos deuses, eu queria muito, me envolver com ela.

A casa estava quieta quando cheguei. Já passava da meia noite. O casal havia saído para jantar, e Murphy dormia tranquilamente no sofá. Na bancada da cozinha, tinha uma lata de cerveja e duas fatias de pizza quatro queijos.

Você demorou, então comi tudo, menos isso.

Ele escreveu na caixa da pizza.

Observei-o dormir, quase nu, não fosse a calcinha fio dental lilás, contive o riso. Era a coisa mais ridícula que já tinha visto. Tirei uma foto.

Enquanto mastigava, fui rolando a galeria, então algo me atinge. As peculiaridades. Estavam espalhadas nas fotos, nos cantos da minha casa, em todos os lugares onde meus amigos estavam. Todos eram bastante peculiares, e isso tornava-os essenciais. Era esse o meu maior medo em relação a Lexa, que ela acabasse se tornando essencial.

Abby havia me ligado. Disse que estava em um motel de beira de estrada e que voltaria assim que conseguisse sair "daquela espelunca." Quase que digo em voz alta o quanto eu senti a falta dela.

Passei a noite inteira sonhando com:

lábios carnudos

olhos verdes

e fugas.

Acordei de mal humor. 

O cheiro delicioso de ovos, panquecas e bananas fritas invadiu minhas narinas assim que entrei na cozinha. Octavia e Raven preparavam o café animadamente.

Noto que a  presença das duas aqui não me chateava mais.

- Bom dia. - Cumprimentei entre um bocejo.

Fiquei com seu númeroOnde histórias criam vida. Descubra agora