Capítulo 14

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- Nicolass...- elevei um pouco a voz, o suficiente para que ele virasse na intenção de ver quem era. Sua feição muda drasticamente, um misto de sentimentos, que mais uma vez não consigo decifrar.

- Es..estou atrasado para a aula. - Diz sem firmeza.

- O que aconteceu ontem a noite com você? - Pergunto sem rodeio.

- N...nada.

- Nicolas! Não sou demente sabia? - Falo incrédula. - mas...- suspiro, talvez fosse algo pessoal, e ele não queira contar. - Irei entender se não quiser falar.

Ele esboça um sorriso de canto como agradecimento. Mas logo retoma um misto de rigidez e seriedade.

- Tenho que ir. - diz e se vira para sair.

- Espera..- digo, segurando sua mão, acabo recebendo uma pequena carga de eletricidade e me pergunto se ele também sentiu. O olho e ele transmite um pequeno espanto, mas continua com o olhar rígido. - tenha um bom dia. - desisto de qualquer tentativa de diálogo no momento.

- Se afaste de mim. - diz cabisbaixo. - Por favor...- fala e sai.

Porque ele está agindo dessa maneira? Esse não é o Nicolas que eu conheci no avião, aquele garoto seguro de si.
Ele está estranho, e com certeza eu quero descobrir o porque.

~~~

Passo a observar a rua, com a cabeça encostada na janela do ônibus, rumo a igreja, depois de um dia cheio. Tudo parecia calmo, sem sinal de chuva ou sinônimo de tal. Vi famílias, casais e grupos de jovens fazendo diversas atividades juntos, desde estar em um restaurante, até em uma pracinha. Quando uma brisa maravilhosa invade meu ser, à aproveito e inspiro o máximo possível para oxigenar o meu corpo.

Deus é bom e sabe o que faz, sabe o que o coloca no nosso caminho e sabe o que tire dele. Que minha vida seja sempre guiada por ele.

Eita rimou.

Deus, sei que na tua palavra diz que a sua vontade é boa, perfeita e agradável. E eu te peço Senhor, que a tua vontade prevaleça na minha vida, mesmo que para mim seja um absurdo ou até mesmo que eu não concorde ou que eu fique triste, sei que será para o meu bem. O senhor sempre quer o nosso bem.

Finalizo essa minha conversa com Deus, quando vejo que já está na hora de descer do ônibus.

Começo a cantarolar baixinho, enquanto caminho para o meu destino.

(...)

- Tchau, Sophi. - Jéssica diz me abraçando.

- E..er Jéssica. - Otávio aparece de supetão na nossa frente. Parece que o garoto brotou do chão.

- Paz do Senhor, Otávio. - diz corando levemente. - Opa, opa, opa. É o que eu to pensando?

- V..você gostaria que eu te levasse em casa ? - pergunta atrapalhado e nervoso. Estou rindo litros, internamente.

- Bom, claro que pode. - diz intusiasmada.

Fala sério, eles formam um lindo casal, um casal atrapalhadinho, o que só faz aumentar a minha admiração. Enquanto Jéssica é toda extrovertida e parece que seu cérebro está perto da boca, falando tudo o que vem a mente, a torna mais especial e querida por todos, porque sabemos que não faz por mal. Já Otávio é o seu oposto, o que me leva a gastar vários minutos na teoria dos "opostos se atraem". Ele é muito tímido, e percebo que pensa bastante antes de vir a falar algo, noto isso quando o grupo de jovens da igreja se reúne em algum lugar, ele é um dos que pouco fala, compensando isso em ser um "pouquinho " desastrado. Nisso ele e Jéssica tem em comum. Para mim formam um casal belo.

Não Existe Acaso Histórias para pegar e não largar. Descubra agora