- É que...eu - é interrompido por repetidas batidas na janela do carro.
Olho e vejo que é minha mãe do lado de fora.
- Entrem crianças. - diz e entra em casa.
- Viu, mãe. - falo e ela entra de novo em casa - Continue, Lu.
- Já está tarde, é melhor você entrar. - fala desviando o olhar.
- Tá já vou, mas termine o que você ia falar.
Por um curto espaço de tempo o vi ficar tenso, olhando para um ponto fixo no chão do carro, será que está passando mal? Até que seus músculos relaxam e em seguida olha para mim franzindo o cenho levemente.
- É que... espero que você seja feliz em Nova York. - fala com seu par de olhos esverdiados marejados .
Não sei o que deu em mim, por um momento esperei que ele dissesse outra coisa, mas não disse.
Olho para ele e assinto, antes de sair do carro deposito um beijo nas suas bochechas, as quais em fração de segundos ficam coradas.
Sentirei sua falta, Lucas.
Domingo de madrugada...
Acordo com o alarme do meu celular aos berros e por um segundo esqueci completamente que iria viajar. Levanto, faço minhas higienes bem rápido e oro.
- Desce logo Sophi, você vai acabar se atrasando! - meu pai grita
Desço correndo, já tinha deixado as malas perto da porta para não perder tempo na hora de sair.
Entramos no carro e meu pai dá a partida em direção ao aeroporto.
Que frio na barriga.
Durante o caminho para o aeroporto, me pego pensando o quanto irei sentir falta da minha casa, da minha família e dos meus amigos. Mas lembro que estou fazendo a coisa certa, estou seguindo os meus sonhos e principalmente os planos de Deus para a minha vida e isso me conforta ao ponto de diluir toda a sensação de dei O na barriga.
O dia ainda está escuro por estar por volta das três horas da manhã. Abaixo o vidro da janela e aproveito para apreciar o clima frio e incerto, em que predomina uma neblina que cobre o horizonte, revelando vez ou outra algumas árvores pelo caminho até o aeroporto, o tipo de clima perfeito para quase toda viagem.
Em meia hora chegamos ao aeroporto e estou a cada minuto dando-me pequenas beliscadas, apenas para constatar que tudo isso é real e não um surto da minha mente.
- Minha princesinha... - fala meu pai com os olhos marejados, me abraçando e chorando logo em seguida.
- Não fica assim, pai. Vou vim visitar vocês e vocês a mim. Não perderemos contato - Digo o abraçando forte.
- Sophi...e...eu vou sentir ta...tanto a sua falta. - Amber fala aos prantos.
- Não fica assim, amiga! A gente vai se falar todos os dias, esqueceu?
Abraço um por um e faço o máximo de esforço para guardar o cheiro deles na minha memória. Não preciso nem dizer que choro horrores a cada "sentirei sua falta".
Depois das despedidas vou em direção a área de embarque e só para garantir que guardarei cada pedaço da fisionomia de todos eu me viro para dar a uma última olhada neles e sigo meu caminho, já que aquela voz no auto-falante chamou trilhões de vezes os passageiros para embarcar.
Eu nunca viajei de avião, sem dúvida é uma experiência única para mim. Para não fazer feio e nem pagar um mico imito os passageiros que estão na minha frente, eu não faço ideia se tenho que mostrar o passaporte agora ou depois, por isso presto bastante atenção.
Olho meu passaporte e confirmo, poltrona 20.
E aqui estou eu no avião. Como eu disse nunca havia andado em um antes e confesso que pensei que iria amar, mas não estou tendo o privilégio de ter uma boa primeira impressão de uma viagem aérea. De fato é como pensei ser por dentro, mas o problema é que estou sozinha, se eu passar mal quem vai me socorrer?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Não Existe Acaso
Spirituale#1 ESPIRITUAL (10/09/16) Sophia é uma jovem de 18 anos, é evangélica e tem grandes sonhos para o seu futuro... É compromissada e ama a sua família, as vezes se precipita tendo consequências um pouco ruins. Nicolas tem 19 anos, tem uma personalid...
