No volume I de nossa obra, especificamente no capítulo segundo, falamos sobre Jesus e a religião Cristã. Naquela parte do livro introduzimos algumas informações valiosas a respeito do Mestre amado, e sugerimos que, para um melhor aproveitamento deste assunto, que aqui será tratado, o leitor releia aquele capítulo referido.
A nossa proposta aqui é a de tentar explicar Jesus na sua condição de Espírito, filho de Deus, assim como nós, e que também foi criado simples e ignorante, num momento que estamos muito longe de conhecer. Isto porque, sua criação aconteceu em épocas imemoriais, fora do planeta Terra, já que esta ainda nem tinha sido criada. Por aí o leitor já deve imaginar o quão antigo é esse angelical Espírito.
A essa altura do entendimento do leitor, no que diz respeito aos seus Primeiros Passos na Doutrina Espírita, já está claro que todos os Espíritos são fadados a evoluírem, e que também, todos eles, sem exceção, chegarão a atingir a condição de puro Espírito.
Deus, nosso Pai e Criador, estabeleceu que assim o fosse, e, de acordo com sua justiça, todos os seus filhos possuem os mesmos privilégios, não existindo nenhuma exceção a essa regra.
Jesus, como dissemos anteriormente, também precisou passar pelas fieiras reencarnatórias, desde que também foi criado como princípio inteligente, até galgar a condição de Espírito, e depois, graças ao seu progresso espiritual, atingiu a condição de Espírito puro. E não poderia ser de outra forma porque, como ele próprio mencionara, em passagem anotada pelos evangelistas, "Eu não vim para destruir a lei, mas para que ela seja cumprida", o que atesta que nada na obra de Deus foge aos padrões designados por Ele, que é Todo Poderoso, Justo e Sábio.
Como não poderia ser diferente, iremos aqui também nos valer dos ensinamentos dos Espíritos nobres, que assistiram à Kardec na Codificação Espírita.
Vejamos o que eles responderam a Kardec nos itens 625 e seguintes:
- 625 - Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
- Jesus.
"Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava. Quanto aos que, pretendendo instruir o homem na lei de Deus, o têm transviado, ensinando-lhes falsos princípios, isso aconteceu por haverem deixado que os dominassem sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regulam as condições da vida da alma, com as que regem a vida do corpo. Muitos hão apresentado como leis divinas simples leis humanas estatuídas para servir às paixões e dominar os homens".(Nota de Kardec).
Continuando com as obras da codificação, transcreveremos também, do livro A Gênese, em seu capítulo XV, as explicações dadas por Kardec sobre alguns fatos conhecidos sobre a passagem de Jesus aqui pela terra.
SUPERIORIDADE DA NATUREZA DE JESUS
"2. Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação neste mundo forçosamente há de ter sido uma dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros diretos confia, para cumprimento de seus desígnios. Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um Messias divino. Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (cap. XIV, nº 9). Sua alma, provavelmente, não se achava presa ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla vista, não só permanente, como de excepcional penetração e superior de muito à que de ordinário possuem os homens comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa forca magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem. Agiria como médium nas curas que operava? Poder-se-á considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto o médium é um intermediário, um instrumento de que se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava de assistência, pois que era ele quem assistia os outros. Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal, como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus."
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Primeiros Passos na Doutrina Espírita - Volume IV
Non-FictionTodos os dias, nas Casas Espíritas, aporta uma quantidade regular de irmãos, interessados no conhecimento do Espiritismo. Curiosos uns, desesperados outros, enfermos aqueloutros, porém, todos eles, de uma forma geral, são carentes e necessitados da...
