32. O PODER DA FÉ

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"Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da humanidade" - Allan Kardec.

Toda e qualquer compreensão que o homem possa ter em relação à vida, está subordinada ao seu grau de evolução espiritual. Existem coisas que se encontram tão acima de nossa capacidade de entendimento, por se situarem em outros níveis de progresso moral, que só podemos ter, a respeito delas, uma vaga noção. O amor por exemplo. Se reunirmos alguns amigos e perguntar a cada um deles como definir o amor, obteremos várias explicações. Isso porque o amor, por enquanto, embora já o sintamos e o expressemos mesmo de forma acanhada, ainda se encontra numa faixa vibratória de elevação que estamos muito longe de alcançar. Dele apenas podemos entrever a "ponta do iceberg".

Partindo desse raciocínio, e com base nessas considerações, podemos também enquadrar a Fé. Esta então, tem sido motivo de tantas incompreensões; de tantas injustiças; de tanto ódio; de tantas guerras; de tantas perseguições, de tantos preconceitos; de tantas mortes; enfim, de tanto desequilíbrio por parte da humanidade. Tudo isso porque são muitos os que não a compreendem em sua plenitude. Ter fé não é acreditar cegamente. A verdadeira fé deve sempre estar embasada na razão, e deve estar sempre acompanhada de outras virtudes como: respeito, compreensão, resignação, paciência, benevolência, perdão, caridade, indulgencia e acima de tudo o amor. Só assim poderemos realmente compreender a Fé.

Para iniciar este capítulo e discorrer sobre a fé, nada melhor do que recorrer ao Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo que trata exatamente sobre esse assunto.

"1 – E depois que veio para onde estava a gente, chegou a ele um homem que, posto de joelhos, lhe dizia: Senhor, tem compaixão de meu filho, que é lunático e padece muito; porque muitas vezes cai no fogo, e muitas na água. E tenho-o apresentado a teus discípulos, e eles o não puderam curar. E respondendo Jesus, disse: Ó geração incrédula e perversa, até quando hei de estar convosco, até quando vos hei de sofrer? Trazei-mo cá. E Jesus o abençoou, e saiu dele o demônio, e desde àquela hora ficou o moço curado. Então se chegaram os discípulos a Jesus em particular e lhe disseram: Por que não pudemos nós lançá-lo fora? Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé. Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar, e nada vos será impossível. (Mateus, XVII: 14-19).

2 – É certo que, no bom sentido, a confiança nas próprias forças torna-nos capazes de realizar coisas materiais que não podemos fazer quando duvidamos de nós mesmos. Mas, então, é somente no seu sentido moral que devemos entender estas palavras. As montanhas que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, a má vontade, em uma palavra, que encontramos entre os homens, mesmo quando se trata das melhores coisas. Os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo, as paixões orgulhosas, são outras tantas montanhas que atravancam o caminho dos que trabalham para o progresso da humanidade. A fé robusta confere a perseverança, a energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos, tanto nas pequenas quanto nas grandes coisas. A fé vacilante produz a incerteza, a hesitação, de que se aproveitam os adversários que devemos combater; ela nem sequer procura os meios de vencer, porque não crê na possibilidade de vitória.

3 – Noutra acepção, considera-se fé a confiança que se deposita na realização de determinada coisa, a certeza de atingir um objetivo. Nesse caso, ela confere uma espécie de lucidez, que faz antever pelo pensamento os fins que se têm em vista e os meios de atingi-los, de maneira que aquele que a possui avança, por assim dizer, infalivelmente. Num e outro caso, ela pode fazer que se realizem grandes coisas.

Primeiros Passos na Doutrina Espírita - Volume IVHistórias para pegar e não largar. Descubra agora