CATÁSTROFES
Uma das questões mais intrigantes para mim, quando me tornei espírita, foi sobre as catástrofes que ocorrem por todos os lugares do nosso planeta, e dizimam tantas pessoas. Além delas, sempre tive muitas dúvidas sobre determinados acidentes trágicos, como os que ocorrem na aviação por exemplo, onde também muitos são os que neles desencarnam.
Eu sempre me perguntava, "por que Deus permite que isso aconteça?"
Confesso que, ainda hoje, mesmo com todas as explicações que já tive, tanto na literatura espírita como também através de alguns orientadores espirituais, ainda trago algumas dúvidas a respeito do assunto. No entanto, preciso entender que muitas coisas sobre os desígnios de Deus estão fora ainda do nosso alcance intelectual, e sei que ainda falta muito para podermos compreender, na íntegra, de que forma atua a lei de causa e efeito sobre os Espíritos. Não que minhas dúvidas sejam concernentes a Deus e a Sua justiça. Elas se dão apenas na questão de tentar compreender como pode, um ou mais espíritos, se comprometerem tanto assim, a ponto de ter que sofrerem tamanha dor.
Na Doutrina Espírita, através de sua Codificação, em especial no Livro dos Espíritos, podemos encontrar as explicações dadas pelos Espíritos a Kardec. No capítulo intitulado: Flagelos Destruidores, temos o seguinte:
737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?
"Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos." (744)
738. Para conseguir a melhora da Humanidade, não podia Deus empregar outros meios que não os flagelos destruidores?
"Pode e os emprega todos os dias, pois que deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal. O homem, porém não se aproveita desses meios. Necessário, portanto, se torna que seja castigado no seu orgulho e que se lhe faça sentir a sua fraqueza."
a) — Mas, nesses flagelos, tanto sucumbe o homem de bem como o perverso. Será justo isso?
"Durante a vida, o homem tudo refere ao seu corpo; entretanto, de maneira diversa pensa depois da morte. Ora, conforme temos dito, a vida do corpo bem pouca coisa é. Um século no vosso mundo não passa de um relâmpago na eternidade. Logo, nada são os sofrimentos de alguns dias ou de alguns meses, de que tanto vos queixais. Representam um ensino que se vos dá e que vos servirá no futuro. Os Espíritos, que preexistem e sobrevivem a tudo, formam o mundo real (85). Esses os filhos de Deus e o objeto de toda a sua solicitude. Os corpos são meros disfarces com que eles aparecem no mundo. Por ocasião das grandes calamidades que dizimam os homens, o espetáculo é semelhante ao de um exército cujos soldados, durante a guerra, ficassem com seus uniformes estragados, rotos, ou perdidos. O general se preocupa mais com seus soldados do que com os uniformes deles."
b) — Mas, nem por isso as vítimas desses flagelos deixam de o ser.
"Se considerásseis a vida qual ela é e quão pouca coisa representa com relação ao infinito, menos importância lhe daríeis. Em outra vida, essas vítimas acharão ampla compensação aos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar."
VOCÊ ESTÁ LENDO
Primeiros Passos na Doutrina Espírita - Volume IV
SaggisticaTodos os dias, nas Casas Espíritas, aporta uma quantidade regular de irmãos, interessados no conhecimento do Espiritismo. Curiosos uns, desesperados outros, enfermos aqueloutros, porém, todos eles, de uma forma geral, são carentes e necessitados da...
