~Bruna~
Guardei o telefone na bolsa enquanto me levantava.
— Mel, eu preciso sair, tá bem?
— Quem era nas mensagens?
— Nathan. Lembra que te falei dele, né? Vou dar uma palavrinha com ele... Lá em casa — pisquei e sorri — Até mais — dei um beijo estalado em seu rosto e saí porta afora.
Talvez Mel não engula a história, mas eu poderia pensar nisso mais tarde. Dei partida no carro e fiz o trajeto todo com um sorriso no rosto. Desci do carro e encontrei Nathan perto do carro dele, em frente ao meu prédio. Ele tinha algo nas mãos. Um caderno preto.
Ele me abraçou e roubou um beijinho.
— Me conta essa história direito.
— É meio longa, entra no carro comigo — ele disse.
Entramos no carro dele, ambos no banco de trás. Ele abriu o caderno que estava em suas mãos e minha respiração falhou. Era o caderno que Mel havia falado.
— Como... Como você tem isso?
— Lembra quando te contei que fui preso, e que meu colega de cela havia se tornado meu amigo, então quando fui solto, fui morar com ele e com a mãe dele? Quando a mãe dele morreu, ele decidiu voltar para cá e eu voltei junto com ele.
— Gabriel.
— Sim. É o Gabriel. Eu vim para cá alguns dias antes que ele para alugar uma casa aqui perto e pedi para ele me ligar quando chegasse, mas ele não ligou. No dia seguinte, recebi um telefonema, e ele estava no hospital. Disse que bebeu muito e acabou passando mal.
— Pera aí, o que? -— minha voz saiu estridente — Ele disse que passou mal? Passou mal? Melissa o atendeu no hospital! Ele estava entrando em coma alcoólico! Chegou a morrer!
— O que? — ele arregalou os olhos.— Ele morreu?
— Por alguns minutos. Melissa o salvou. No começo, ela não me deu detalhes, mas depois a obriguei a falar. O coração dele parou, ela foi a médica que o atendeu, ela salvou a vida dele. Os enfermeiros que estavam lá chegaram a escrever a hora da morte dele na ficha.
Depois disso, eu parei de falar. Nathan provavelmente precisaria de alguns minutos para processar tudo.
— Eu preciso falar com ele sobre isso. E quem é essa Melissa que você tanto fala?
— Minha prima. Ela já namorou Gabriel há uns anos... É a musa para todos os poemas, músicas e desenhos que estão aí — apontei para o caderno.
— Então é ela! Ele me contou de um namoro do passado, mas nunca me falou o nome da garota. Quando Gabriel me ligou, mais cedo, ele me pediu para pegar umas roupas na casa dele. Aí vi o caderno. Deixei as roupas no hospital e te mandei mensagem. Passei na casa dele de novo para pegar isso aqui logo antes de vir. Como conhece esse caderno?
— Melissa falou dele por muito tempo. Ela lembra os poemas de cor — pausa — Esses dois ainda tinham muita coisa para viver.
— Talvez eles ainda podem ter. Gabriel não me contou detalhes sórdidos sobre a história dele com a garota. Eu nem sabia o nome dela. Mas sei que eles terminaram na delegacia.
— Eles não. Ele. Ele terminou com ela e nessa hora eu ainda morava na Califórnia. Voltei logo depois e fiquei sabendo da gravidez de Mel.
— Então, espera aí. — ele falou mais alto — Gabriel tem um filho?!
— Filha. É uma menina. Nove anos. A cara da irmã dele.
— A que morreu...
— Sim. A que morreu. Mirella. Não conte a ele. Melissa tem que fazer isso.
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Os Opostos se Atraem? - Livro 2
RomanceDepois de conhecer Gabriel, a vida de Melissa mudou de um dia para o outro. Em menos de um ano, ela viveu sentimentos intensos, enfrentou dores que jamais imaginou suportar e descobriu que até o amor mais forte pode chegar ao fim. Ou, pelo menos, er...
