Depois de conhecer Gabriel, a vida de Melissa mudou de um dia para o outro. Em menos de um ano, ela viveu sentimentos intensos, enfrentou dores que jamais imaginou suportar e descobriu que até o amor mais forte pode chegar ao fim.
Ou, pelo menos, er...
Tentei fazer cara de séria e olhei bem para ele. Ele quase me fez chorar de raiva no carro, preciso dar o troco e ver sua reação.
Me levantei e andei até ele ainda séria. Parei na sua frente e cruzei os braços.
— O que foi, Mel? — ele perguntou.
— Não sei.
— Não sabe o quê? — notei um certo desespero em sua voz.
— Não sei se vou me casar com você.
Ele arregalou os olhos.
— P... Por quê?
— Por quê? Você me trata daquele jeito no carro, me deixa nervosa e depois vem e faz isso? Não é um pedido de casamento que vai me fazer desculpar você.
Ele abaixou o buquê devagar.
— Eu... J... Já estava tudo planejado.... eu inventei a briga, foi de propósito, Melissa, eu juro!
Ele estava gaguejando, será que estava realmente acreditando no que eu dizia?
Eu mordia a parte interna da bochecha, caso contrário, já teria explodido em gargalhadas. Sua expressão era a melhor. Confuso, irritado, mas ao mesmo tempo, tentando pensar no que fez de errado. E o pior de tudo: acreditando!
Seus olhos estavam começando a ficar vermelhos. Ele ia chorar.
— Olha... tudo bem, se... você não quer —ele deu de ombros — Eu só pensei que... Bom, não importa o que eu pensei. Claramente, pensei errado.
Ele foi até a cama, deixou o buquê lá e se dirigiu para a porta.
— Te vejo depois.
Quando ele deu o primeiro passo, o agarrei pelo braço e o fiz olhar para mim.
Abri o mais sincero dos sorrisos, mas a ficha dele não caiu de imediato.
— O que foi?
— Gabriel, você é a pessoa mais burra que existe no universo.
— Espera, você estava me zoando? — ele perguntou indignado.
— Estava dando o troco, é diferente.
— Mas eu fiz aquilo para te pedir em casamento!
— E eu fiz tudo isso para dizer sim!
Ele ficou em silêncio por um momento.
— Não, e preciso pensar. — ele falou sério — Amanhã a gente conversa.
— O quê?
— É sério, Melissa, me solta — e tirou seu braço de minhas mãos.
Será que ele estava me zoando para descontar?
Com certeza, sim.
— Gabriel, se você sair por essa porta, eu nunca mais olh... — e ele me beijou antes que eu pudesse terminar a frase.
Caímos a cama, ele por cima de mim, e nós dois sobre o buquê.
— Gabriel, as flores! — falei rindo e o tirando de cima de mim.
Peguei o buquê e ri ao ver algumas pétalas espalhadas pela cama.
— Ainda está apresentável. — eu falei, o analisando.
— Me dá ele aqui.
Entreguei o buquê a ele meio confusa. Gabriel limpou a garganta, fez uma pose de cavalheiro e começou:
— Melissa Simoniano Monteiro, você é a mulher que eu mais amo na vida, e eu preciso de você ao meu lado até o fim dos meus dias. Aceita ser minha esposa e passar a se chamar Melissa Simoniano Monteiro Marques?
Eu sorri. E existia alguma outra resposta nesse universo que não fosse um grande "sim"?
— Falta uma coisa.
— Eu te amo, porra.
— Eu te amo, porra.
— Falta uma coisa — ele disse.
— Sim, Gabriel, eu aceito me casar com você.
Ele soltou o ar e sorriu. Me entregou o buquê novamente e mexeu no bolso da calça jeans que usava, tirando de lá um caixinha. Abriu e tirou um anel de lá.
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— Posso?
— Pode — respondi maravilhada.
Aquele anel era um dos mais belos que eu havia visto. Bonito e delicado, do jeito que eu gostava.
— Gabriel... — falei assim que o anel estava em meu dedo — É lindo demais!
Ele me deu um beijo no pescoço e disse:
— Bruna me ajudou a escolher. — ele disse — Ela queria algo enorme e grosso, com várias pedras, uma frase clichê dentro.
— Do tipo "olhem para mim, estou noiva".
— Exatamente desse tipo — ele sorriu, estreitando um pouco os olhos, e fazendo sua aparência parecer mais jovem do que realmente era.
— Ainda bem que você não comprou.
— Até que era bonito. Mas não combinaria com você. Ficaria enorme em sua mão.
— Minha mão não é tão pequena assim.
— Ah, não? Me dê ela aqui — ele colocou minha mão aberta em cima da sua, que também estava aberta. Os dedos dele eram uns 3 centímetros maiores que os meus, e mais grossos, embora bonitos.
— Assim não vale! Você é um poste! — lhe dei um tapa de leve.
— Não tenho culpa se você é uma tampinha!
— Mas você gosta da tampinha aqui.
—Gosto mesmo.
E me beijou novamente. Como eu amava a sensação dos seus lábios nos meus.
Fomos devagar até a cama ele ficou por cima de mim, ainda me beijando com muito carinho.
—Eu te amo, minha noiva — ele disse baixo.
Bastaram essas duas palavras para me deixar arrepiada.