Capítulo 38

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~Melissa~

Gabriel pegou minha mão devagar, entrelaçou nossos dedos e me deu um beijo no rosto. O frio do mês de abril arrepiava nossa pele, então ele se aconchegou em mim depois que tomamos banho e colocamos nossas roupas.

— Espere aí — falei e me levantei. 

Fui até meu guarda-roupa e abri a caixa onde havia as coisas mais importantes para mim. Tirei de lá o moletom que ele havia esquecido comigo, e o vesti.

Ao me virar para ele novamente, Gabriel estava com os olhos arregalados.

 — Você tinha ficado com isso?

 — Tinha. Você me emprestou um dia, que estava frio, e eu acabei me esquecendo de te devolver. — me deitei na cama — Mas você também se esqueceu de pegar. – ri.

— Não sou materialista, sabe disso – ele riu e me abraçou, enquanto brincava com meus dedos.

Suas mãos estavam meio geladas, e algumas mechas do seu cabelo loiro caíam perto dos seus olhos azuis. Agora, finalmente, eu podia estender a mão e tirá-las de lá.

E foi o que eu fiz. Ele me olhou sorrindo e me abraçou mais forte, o que me fez soltar uma risada, foi como se ele estivesse esperando para fazer aquilo havia tempos.

Me deitei em seu peito e suspirei. 

— Sinto falta dela. – ele disse, depois de um tempo.

— De quem?

 — Minha mãe.

Eu não disse nada. Sabia que ele ia dizer mais alguma coisa.

— Queria que você e Bella pudessem conhecê-la. Bella é a cópia fiel de Mirella, sabia?

Fazia uns dias que eu estava pensando em contar ao Gabriel que conheci a mãe dele, que Bella conheceu a avó, que eu ia lá de vez em quando e que ela até já veio para cá. Mas estava hesitando, primeiro por conta da loucura que havia sido os últimos dias e segundo porque eu não sabia qual seria sua reação... Mas ao mesmo tempo, eu achava que ele tinha o direito de saber.

Respirei fundo. Era agora.

— Gabriel, nós a conhecemos...

Ele demorou uns segundos para responder.

— Como?

— Bom... A história é um pouquinho grande... Mas, bem, quando você foi preso, ela foi avisada. E também foi avisada que meu pai seria seu advogado. Ele teve que entrar em contato com ela diversas vezes e em uma dessas, ela pediu meu número para ele. E então me ligou. Queria me conhecer. Quando fui até lá, meu pai que me levou. Eu já estava grávida e ela foi uma das poucas pessoas que nunca me julgaram com o olhar quando me viu. Eu contei nossa história a ela...  E quando Bella nasceu, íamos lá toda semana. Depois, quando comecei a faculdade ficou mais difícil, então sempre conversávamos por telefone. Algumas vezes, ela vinha para cá. 

Ele ficou em silêncio.

— Mas, quando você foi solto, nos encontramos pouquíssimas vezes, apenas quando ela tirava algum dia para vir nos visitar.

— Então, era com você que ela conversava ao telefone por todos aqueles anos? E era aqui que ela vinha quando dizia que ia "visitar uma amiga"?

— Sim.

— Ela nunca me contou. Ela sabia sobre você, sobre Bella, e nunca me contou...

— Porque eu pedi para ela não fazer isso. — peguei sua mão, apertando firme — Se alguém tinha que fazer isso, esse alguém era eu, não ela. Ela me fez prometer que algum dia te contaria. E eu prometi.

Os Opostos se Atraem? - Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora