~Melissa~
Meu queixo caiu. Definitivamente, essa não era a forma como eu gostaria que ela descobrisse.
— Bella... — falei de novo.
Novamente, eu não tinha o que falar, então, assim nomo na primeira vez, deixei a frase ser morta no meio.
Gabriel se aproximou dela devagar, e ela fez menção em se afastar, mas permaneceu onde estava, olhando desconfiada para nós.
Olhei para Gabriel, acertei os óculos no rosto e reuni todo vestígio de coragem que havia em mim:
— Está na hora daquela conversa — falei
Ele apenas assentiu e segurou minha mão. A dele estava gelada.
— Vamos, Bella. Tem umas coisas que você precisa saber.
Ao entrarmos, fechei a porta atrás de mim, cogitando em encurtar — e modificar um pouco — a história, dizendo a ela que estávamos planejando contar desde o início, que o reencontro com Gabriel havia sido proposital, que ele esteve viajando por todo esse tempo e que se aproximou agora para conhecê-la e estabelecer amizade; tudo isso com o intuito de tentar ser menos traumático para ela.
Bella era nova demais para entender tudo, mas desconsiderei a história falsa ao me lembrar de que de boba ela não tinha nada, e era mais madura que as garotas normais de 10 anos que eu já havia conhecido. Ela entendia as coisas com facilidade, o que fazia com que ela fizesse perguntas complexas demais.
Papai Noel e Coelho da Páscoa não existiam mais em seu mundo desde os 6 anos.
Mesmo assim, algumas partes iriam ficar de fora.
Puxei-a delicadamente para se sentar no sofá entre mim e Gabriel. Ela se aninhou a mim, ainda olhando desconfiada para ele.
— Bella, eu conheci sua mãe na escola — Gabriel começou, para a minha surpresa — Ela era uma cabeça dura, mas... eu me apaixonei por ela mais um menos um mês depois que nos conhecemos.
Uma coisa que Bella adorava era histórias de amor. Seu olhinhos desconfiados passaram a sustentar um olha curioso.
— E aí?
Gabriel me deu uma olhada antes de continuar:
— A gente brigava muito — ele disse — Todos os dias, praticamente. Mas não dava para simplesmente terminar com ela. — ele sorriu fraco — Até que um dia...
— Até que um dia, Gabriel teve que viajar. — falei e o olhei, evitando que contasse a parte da cadeia.
Bella voltou sua atenção para mim.
— E eu já estava grávida de você, mas não deu tempo de contar a ele antes que ele fosse embora. E eu nunca mais o vi.
— E você nunca mais voltou? — Bella perguntou a ele.
— Eu não podia voltar. Mas, quando eu pude, eu voltei. E encontrei sua mãe no hospital.
— O que você estava fazendo no hospital? — ela perguntou com uma sobrancelha arqueada. A mania escrita dele.
— Ele bebeu alguma coisa que não fez bem, e ele estava muito mal. Me chamaram de última hora, e foi aí que eu o encontrei, depois de todos esses anos.
— E aí? — ela parecia mais animada.
— Brigamos de novo -— ele respondeu, rindo e Bella soltou uma risada.
— E depois?
— Depois — continuei —, começamos a conversar de novo. Retomamos nossa amizade. E eu contei a ele sobre você.
— Quando?
— Faz meia hora. — ele respondeu.
— E você quer ser meu pai? — ela perguntou.
A sinceridade dela às vezes me assustava, assim como seu modo de falar tudo o que pensava.
— Sim — ele respondeu — Se você deixar.
Bella franziu a testa por um momento e inclinou a cabeça, analisando-o.
— Eu gosto de você.
Pressionei os lábios, segurando um sorriso e tentando evitar as lágrimas que se formavam em meus olhos.
Quando olhei para Gabriel, ele estava no mesmo estado que eu.
— Vocês vão chorar? — Bella perguntou, alternando o olhar entre eu e ele.
— Não — ele falou e suspirou.
Segurei um sorriso
— Eu não choro.
— Não... — ri e rolei os olhos.
— Ainda quer ir tomar sorvete comigo amanhã? — ele perguntou a ela.
— Sim! — um sorriso radiante se abriu em seu rosto — E você vai me contar mais coisas sobre a mamãe!
— Tipo o que?
— Se ela fazia merda.
— Bella, olha a boca!
— Qual é, claro que fazia! — Gabriel riu — Muitas.
— Claro que não! Não comece, Gabriel!
— Não comecei nada, senhorita! Só falo a verdade.
—Bella, não dê ouvidos a ele!
Bella se levantou do sofá em um pulo, em direção às escadas.
— O que foi? Onde vai, Bella? — Gabriel perguntou meio preocupado.
Será que havíamos falado algo que a chateou?
Ela se virou em nossa direção e abriu um sorriso.
— Se beijem logo.
E subiu as escadas.
Eu olhei estupefata para Gabriel.
— Nem precisa de DNA... — falei.
— Vou tomar isso como um elogio.
Então, nos beijamos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Os Opostos se Atraem? - Livro 2
RomanceDepois de conhecer Gabriel, a vida de Melissa mudou de um dia para o outro. Em menos de um ano, ela viveu sentimentos intensos, enfrentou dores que jamais imaginou suportar e descobriu que até o amor mais forte pode chegar ao fim. Ou, pelo menos, er...
