Capítulo 16 - Algo que ele nunca teve

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Sam começou a pregar a última estaca para que a barraca ficasse firme e segura. Volta e meia olhava espantado para Bobby, pelo homem conseguir se sair tão bem na montagem. Também observava Dean, querendo ter certeza que o moleque estava seguro.

Foi numa dessas que flagrou o irmão correndo com os outros meninos até que o moreninho de cabelo arrepiado tropeçou e caiu na grama. Dean, que vinha colado a ele, não desviou a tempo e espatifou-se por cima. Porém em questão de segundos os dois já estavam recompostos e voltavam a correr como se a vida dependesse daquilo, com o mais velho atrás os perseguindo. Corriam e gritavam. Muito.

– Mas que... – o moreno resmungou – Isso não cansa?

– Hn... – Bobby levantou-se batendo uma mão na outra para limpar o pó e analisou a barraca de lona, satisfeito com o resultado – Crianças têm a bateria carregadinha.

Sam estava prestes a retorquir que Dean não era criança. Calou-se a tempo, concentrando-se a terminar de ajeitar o teto que cobriria suas cabeças nas próximas noites. De hotéis baratos a barracas alugadas... quanta evolução...

– Ele está apenas compensando.

O tom pensativo fez Samuel parar o que fazia e observar o homem.

– O quê?

– Seu irmão... ele nunca teve uma infância de verdade, não é? – esperou que o rapaz comentasse algo. Diante do silêncio acabou completando – Temos que reverter isso o quanto antes, Sam, eu sei. Mas até lá deixe que seu irmão aproveite algo que ele nunca teve.

– Aproveitar...? – observou Dean mais uma vez, com a mente cheia de lembranças da infância. Sabia que, na medida do possível, seu crescimento não fora tão ruim quanto poderia ter sido. Já para o mais velho não, pois Dean desde sempre recebera um peso sobre seus ombros, mesmo quando eram pequenos demais para suportar as responsabilidades que deveriam ser carregadas apenas pelos adultos.

Primeiro, por que John estava perdido em sua dor; confuso, desesperado. Depois, por que ele sabia a verdade. A venda que protegia o restante da humanidade fora arrancada dos olhos de John Winchester e ele passou a ver todo o mundo que existia no silêncio da mais profunda escuridão, sempre disposta a pôr as garras em seus preciosos filhos ao menor descuido.

Por isso Dean tinha que ser preparado, precisava se tornar forte o bastante para cuidar de Sam e de si mesmo quando John se ausentasse.

Não havia espaço para correrias despreocupadas, ou risadas sem sentidos. Não enquanto Dean crescia.

– Acho que vou comprar mais algumas figurinhas... – o caçula sussurrou.

– Faça isso – Bobby concordou – E que demônios cuspam fogo no seu traseiro caso não cole uma a uma com seu irmão, com toda paciência que ele merece, entendeu?

Samuel riu da ameaça.

– Claro, Bobby! Meu traseiro daria um péssimo churrasco.

– Já que estamos entendidos chame Dean. Ainda dá tempo de uma primeira investigação ao redor da floresta. Temos que ver onde colocamos as... – a voz foi morrendo até sumir. O homem franziu as sobrancelhas, um tanto confuso e surpreso.

– Bobby? – Sam não entendeu nada.

O mais velho avançou e empurrou o rapaz, tirando-o da frente.

– Que raios está acontecendo ali?

O Winchester olhou em direção ao parquinho e arregalou os olhos. A irritação veio a ele de uma vez e, como um touro provocado por uma capa vermelha, Samuel ultrapassou Singer enquanto corria em direção aos brinquedos, onde um homem desconhecido ajoelhado na grama segurava Dean pelos ombros e o sacudia com força.

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