Capítulo 10: Uma nova amizade

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Nicholas

Eu rabiscava algo em meu caderno enquanto encarava a rua. Estava no tédio e não tinha absolutamente nada mais importante para fazer. Eu pensava na reunião do Cremos de ontem e em como era importante nós amarmos ao próximo.

Amar ao próximo é um mandamento e também deve ser a nossa ação.

— Nicholas, que surpresa! — encontrei Annanda, em frente à minha casa e franzi o cenho.

— Eu moro aqui, Annanda. — falei rindo e ela também riu, revirando os olhos.

— Eu é que sou uma boba mesmo. — deixei meu caderno de lado e aproximei-me mais dela.

— O que faz por aqui?

— Estava no tédio, em casa, então decidi sair um pouco. — deu de ombros e eu assenti. — Estou indo para a casa da minha prima. Você se importaria de me acompanhar até o ponto de táxi?

Fiquei um pouco sem reação diante de sua pergunta. Meus planos não eram sair de casa, porém eu não iria ser rude e negar o pedido dela.

— Ah, claro. — respondi, com um pequeno sorriso.

Começamos a caminhar em um silêncio um tanto constrangedor. Annanda parecia ser legal, porém não tínhamos muito o que conversar.

— Então... — tentei iniciar um diálogo. — Você e Alyssa são próximas?

— Mais ou menos. — respondeu e riu com sua resposta. — Alyssa é um pouco estranha, sabe? Ela é um pouco carente, mas é como se ela também afastasse as pessoas dela. Confuso, não?

— Talvez. Espero qualquer coisa vindo de sua prima. — arrependi-me do que tinha falado e logo tentei consertar. — Ah, perdão, é que Alyssa não gosta muito de mim e nem dos meus amigos. — ela não pareceu ficar surpresa.

— Alyssa não gosta de muitas pessoas. — tentou brincar, mas logo suspirou. — Ela pode parecer um pouco arrogante...

— Um pouco? — ironizei.

— É. — falou rindo. — Mas, no fundo, só é uma maneira de se camuflar do que realmente sente.

— Tipo... A irmã dela? — perguntei e ela olhou-me, surpresa.

— Você sabe da Áurea? — indagou.

— Na verdade, não muito. Meus amigos e eu vimos ela com uma garotinha no HOP, há um tempo, então deduzimos que fosse irmã dela, por conta da aparência.

— Áurea foi diagnosticada com leucemia há mais ou menos um ano e dois meses. Meus tios decidiram internar ela no hospital de crianças com câncer, já que eles não tinham muito tempo vago. Isso foi um grande baque para Alyssa, elas eram muito próximas. — afirmou, olhando atentamente para algo aleatório.

— Sinto muito. — respondi e ela apenas sorriu fraco.

— Ela tem reagido bem aos tratamentos, mas, mesmo assim, é preocupante. — eu assenti, concordando.

— Ahn... Você gostou do Cremos? — perguntei, tentando mudar de assunto.

— Sim, vocês são bem receptivos... — falou com um sorriso. — Ficarei feliz em frequentar as reuniões.

— Também ficarei em te ver lá! — respondi com um pequeno sorriso.

Quando chegamos ao ponto de táxi, ela virou-se para me encarar.

— Obrigada por me acompanhar, Nicholas. Ficarei feliz se pudesse contar com a sua amizade! — disse com um sorriso e eu retribuí.

— Não precisa agradecer e pode contar, sim! — respondi e, antes de ir, ela depositou um beijo em minha bochecha.

Confiaremos | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora