Capítulo 39: O perdão e um possível recomeço

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Melissa

Alguns meses depois...

- Você tem certeza disso? - perguntou Emma pela milésima vez.

- Sim, mãe, não posso ignorar o que sinto. - respondi e ela apenas assentiu, ainda com um olhar preocupado.

Nas últimas semanas, eu tenho lembrado constantemente de tudo que aconteceu em minha vida, mais precisamente, desde quando eu descobri ser adotada. De fato ocorreram várias mudanças e posso dizer que minha vida deu, literalmente, um giro de 360° graus. Porém no que eu tenho mais pensado é no meu pai biológico, Edgar. Eu não posso dizer que o considero um pai de verdade porque eu não seria verdadeira ao afirmar isso, porém não posso esquecer que, querendo ou não, eu carrego o sangue dele. Ele não agiu como pai, isso é fato, mas não faz bem carregar rancor por isso.

Enquanto pensava nisso nas últimas semanas, o Espirito Santo tem me incomodado, como se tivesse me dizendo que eu preciso liberar o perdão para seguir em frente. Como uma confirmação do que tenho sentido, no último culto, o pastor Henry deu uma palavra sobre as mágoas que nós guardamos em nosso coração, que nós não permitimos que Deus sare nossas feridas e que as mesmas cicatrizem. Para poder seguir em frente, eu preciso liberar o perdão para o meu pai. Como qualquer outro ser humano, ele erra e acabou escolhendo o caminho mais fácil, tornando-se um homem rancoroso e entregue ao pecado. Por mais que Edgar não tenha se arrependido do que fez, eu quero perdoa-lo, até porque eu não sei se conseguiria seguir em frente com essa mágoa em meu coração, eu não quero guardar raiva e nem rancor dele. É fato que eu não o considero como alguém próximo a mim, tampouco como pai, mas eu preciso tirar essa mágoa de meu coração, preciso perdoa-lo.

Nem um de nós, seres humanos, somos merecedores do perdão e do amor de Deus. Ainda assim, Ele nos perdoa e nos ama com um amor incondicional. Quem sou eu para ditar se alguém merece ou não ser perdoado, sendo que nem eu mereço?

Nós precisamos aprender a não julgar. Na Bíblia diz que Jesus veio ao mundo não para julga-lo, mas, sim, para salva-lo. Quem somos nós para julgar alguém, sendo que nem Jesus julgou o mundo?

Eu escolhi não julgar mais o meu pai pelos seus erros, eu escolhi perdoa-lo. Foi uma decisão difícil, isso é fato, mas foi necessário para que o meu coração fosse limpo de qualquer tipo de mágoa.

✝ = ❤

Minha mãe e eu passamos uns dez minutos esperando na delegacia, até que um policial liberasse a minha visita. Minhas mãos ficaram trêmulas e eu me senti nervosa, porém pedi para que Deus acalmasse o meu coração e eu conseguisse fazer aquilo. Sentei em uma cadeira e logo vi um policial trazer Edgar, colocando ele em frente a mim e tirando suas algemas, estávamos separados apenas por um vidro. A surpresa era nítida na expressão de Edgar, seus olhos indagavam o porquê de eu estar ali.

Ainda com as mãos trêmulas, peguei o telefone ao meu lado, que servia para que nós nos comunicássemos.

- Eu realmente pensei que havia sido esquecido. - ele esboçou um pequeno sorriso irônico.

- Talvez tenha sido, por um tempo. - falei com a voz falha. - Mas eu não posso apagar você da minha vida dessa forma.

- Acredite, seria melhor para você esquecer que eu existo. Você já tem um pai que te trata como uma filha de verdade e ainda tem um padrasto. - argumentou. - Desculpe, mas eu não tenho mais condições de exercer esse papel. - sua expressão era séria e fechada, porém, por mais que ele não estivesse arrependido, eu não iria desistir.

- Eu não estou pedindo para que você haja como um pai de verdade, eu só... - pigarreei, tentando manter minha voz mais firme. - Eu só quero te dizer algo...

Confiaremos | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora