Capítulo 26: Memórias

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Lucas

Eu já não estava mais aguentando os sorrisos falsos de Anthony na mesa. Minha mãe ria de qualquer coisa que ele falava, enquanto eu continuava sério, tentando fazer o possível para que minha expressão denunciasse o quanto eu não queria estar ali. Anthony sabia que eu não o suportava, ao mesmo tempo que ele também não gostava de mim. É certo que nós não devemos julgar o nosso próximo, afinal, nem Jesus Cristo, que era o filho de Deus, veio ao mundo para julgar as pessoas, mas sim, para salva-las. Porém não era questão de julga-lo, pois eu sabia bem que Anthony escondia algo, eu só precisava saber o quê.

— A comida está ótima! — elogiou Anthony, com um sorriso. Forçado, porém só eu sabia disso!

— Obrigada, fico feliz em saber que gostou! — disse minha mãe. Doía pensar que ela estava se iludindo tanto!

Quando minha mãe disse que seu namorado viria jantar conosco, eu tentei disfarçar minha insatisfação com um sorriso amarelo. Sabendo que eu não gosto dele, minha mãe faz o possível para estabelecer um certo nível de "amizade" entre ele e eu, mas eu sei que isso nunca irá acontecer. Anthony não gostava de mim e nem fazia por onde gostar, posso dizer o mesmo de mim, afinal, eu nunca gostaria do cara que, supostamente, estava fazendo mal ao meu pai.

— Conte-me um pouco de seu trabalho, você nunca comenta sobre ele comigo. — pediu mamãe e Anthony deu uma rápida olhada em minha direção.

— Dou aulas para jovens e adolescentes, acredite, não é algo muito agradável. Muitos são rebeldes e não respeitam o professor como deve ser respeitado. — deu de ombros e eu revirei os olhos, discretamente.

— Entendo. — minha mãe falou. — Mas sempre há um motivo para eles serem dessa forma, afinal, não são todos assim.

— Mas apesar de tudo, gosto de trabalhar com a Química, por mais que tenha que ensinar jovens que querem saber mais do que o próprio professor! — ele deu um risinho e eu respirei fundo. Quer saber? Por que ficar guardando o que quero dizer? Ele vai ter que me ouvir!

Quando eu já ia abrir a boca para protestar, ouvi a campainha tocar e minha mãe olhou-me confusa. Suspirei. Finalmente fui salvo!

— Ahn... Deve ser para mim. É uma pena ter que deixá-los, mas eu preciso atender as visitas, não é mesmo? — falei e tive uma leve sensação que eles perceberam minha ironia. — Com licença e aproveitem a refeição! — dei um sorriso amarelo e saí da sala de jantar, soltando um longo suspiro logo em seguida.

Caminhei até a porta e, ao abrir, fiquei surpreso em ver quem era.

— Você está ocupado? — indagou Nicholas.

— Não. Na verdade, muito obrigado, você me livrou de ter que aguentar mais alguns minutos naquela mesa, com o meu querido padrasto! — ironizei, revirando os olhos.

— Quando a gente precisa de celular, não estamos com ele! Eu precisava gravar esse momento em que você me agradece por existir! — disse Nicholas. — Mas eu não vim para você me agradecer por ser incrível. Preciso de sua ajuda!

— Eu não disse que você era... Espera! Você está pedindo minha ajuda? — indaguei e ele balançou a cabeça, afirmativamente. — Agora quem precisa de celular sou eu! — ironizei. — A que devo essa honra?

— Melissa. — respondeu e, com apenas uma palavra, eu entendi tudo.

— Você está com saudades dela! — falei, rindo. — Que bonitinho!

— Não zoa, tá? Só faz um dia que ela foi para Nova Jersey e eu sinto que fazem meses!

— É só pensar que ela está bem e que em breve estará aqui novamente, ela não vai morar lá. — respondi e ele suspirou, sentando no batente da entrada da minha casa.

Confiaremos | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora