Lucas
Quando o médico finalmente permitiu a minha saída do hospital, não consegui deixar de ficar feliz com aquilo. Após algumas indicações para minha saúde, fiquei livre daquele lugar e já podia seguir minha vida normalmente.
Ao menos eu acho.
Anthony ainda estava foragido e isso amedrontava os meus pais. Eles não paravam de repetir que a segurança e o cuidado em mim seria dobrado, e queriam que eu avisasse para onde fosse. Tudo bem que eles só queriam garantir a minha segurança, mas andar amedrontado pelas ruas não é a solução. Deus está comigo e eu confio nEle, não importa o que aconteça. Aquele homem poderia estar livre e com o desejo de vingança ainda maior, mas nada é maior que o nosso Deus.
Quando cheguei em casa, fui direto para o meu quarto e percebi que tudo estava da mesma forma de quando eu havia deixado, até o meu fone de ouvido, junto com vários papéis de cifras e tarefas escolares estavam jogadas na minha cama. Franzi o cenho e vi minha mãe entrar no quarto.
- Você mal chegou e já tem trabalho a fazer. - ironizou.
- Por que meu quarto está tão bagunçado?
- Faça essa pergunta a si mesmo, filho. - respondeu com um sorriso. - Eu preferi não mexer em nada. Afinal, eu ainda tinha a esperança de te ver novamente e mandar você dá um jeito nessa bagunça inteira! - brincou e eu soltei um suspiro.
- Que maldade, mãe! - murmurei.
- Você bagunçou, então agora terá que limpar. - respondeu e saiu, deixando-me sozinho com a minha bagunça.
- É, parece que tudo voltou ao normal. - falei comigo mesmo.
Juntei todos os papéis e separei-os, deixando em cima da minha escrivaninha. Guardei meu fone, minhas roupas espalhadas pelo chão e arrumei minha cama. Quando finalmente me convenci que havia dado um jeito em tudo e havia tomado um longo banho, joguei-me na minha cama e respirei fundo, sentindo-me em casa, oficialmente.
- Lucas, você tem visita! - minha mãe avisou da sala. Choraminguei mentalmente por ter que levantar da cama, mas não demorei em ver quem era.
Quando cheguei na sala, encontrei um Nicholas visivelmente irritado ao me encarar.
- Você sabia que as pessoas hoje em dia ainda usam celulares para dar notícias? - ironizou e eu franzi o cenho, sem saber do que ele estava falando. - Você teve alta e não avisou, acabei fazendo papel de idiota indo no hospital à toa!
Ele estava mal humorado, mas eu não consegui evitar a risada. Logo fui atacado por uma almofada.
- Ei! Acabei de chegar do hospital, não pode me agredir! - retruquei e ele revirou os olhos.
- Quando coisas assim acontecem nas nossas vidas, o mínimo que devemos fazer é avisar aos amigos. - ele sentou no sofá.
- Coitado. - ironizei. - Foi mal, eu estava tão feliz de sair daquele lugar que acabei esquecendo de avisar a vocês. - respondi e ele deu de ombros.
- Dessa vez deixarei passar, mas você me deve um sorvete agora, é o mínimo que pode fazer para se desculpar. - dramatizou.
- Mas o que você queria? Não é muito normal receber essa ilustre visita, hein.
- Melissa e eu tivemos um encontro, na terça. - contou e eu o olhei.
- Até que enfim! Deve ser por isso que choveu, ontem e hoje de manhã.
- Suas brincadeirinhas não irão tirar meu bom humor!
- Você de bom humor é raro, então vamos semear essa raridade. - ele jogou outra almofada em mim.
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Confiaremos | Livro 2
SpiritualEste livro é uma sequência de "Cremos". Após um ano, Melissa, Chloe, Lucas e Nicholas voltam mais fortes do que nunca. Agora, os quatro estão no último ano escolar e novos desafios surgem para os mesmos. Junto com isso, algumas pessoas tentarão de...
