Chloe
- Toma cuidado com a sua irmã, ela tem apenas seis anos e todo cuidado é muito pouco. - já fazia mais de dez minutos que minha mãe repetia isso para mim. Soltei um suspiro.
- Mãe, eu não sou uma bebê, sei cuidar da minha irmã mais nova.
- Tem certeza? - indagou e eu suspirei, mais uma vez.
- Sim, mãe, fica tranquila. Não irei desgrudar o olhar da Camille em nenhum momento! - minha mãe apenas fitou-me, ainda incerta, porém assentiu.
- Tudo bem. Irei confiar em você!
Camille chegou na sala, com um sorriso de orelha a orelha e uma cestinha com algumas coisas para lancharmos, no Central Park. Ela estava bastante animada e não parava de falar o quanto seria divertido. Minha mãe iria esperar o meu pai em casa, e depois iriam nos encontrar no parque. Como Camille estava radiante e não queria perder um minuto daquela tarde, então decidi ir com ela, na frente. Minha mãe custou até concordar com a ideia, mas eu usei a desculpa que queria me distrair e que era difícil sair com minha irmã. Resumindo, Camille e eu conseguimos convence-la.
- Me sinto uma mulher feminina! - exclamou Camille e eu ri.
- Ah, é? Por que?
- Porque é a primeira vez que saio sem a mamãe e o papai. Somos adultas, Chloe! - falou e sua animação me contagiou.
- Hum... Então devemos procurar um emprego. - ironizei.
- Pensando bem, os adultos são bem complicados! - murmurou e eu ri.
Demoramos pouco mais de dez minutos, até chegar ao parque. Morávamos um pouco perto dali, então fomos caminhando mesmo. Camille reclamou, mas quando chegou ao Central Park, esqueceu totalmente de suas reclamações.
- Eu quero ir ao parquinho! - falou e nós fomos até lá.
- Cuidado, Camille, não saia dessa região.
Camille correu para o balanço e começou a se balançar, tão alto que eu me lembrava de quando tinha a idade dela. Meus pais e eu sempre íamos ao parque e eu corria, assim como Camille fez, para o balanço. Eu me balançava tão alto, que meus pais até brigavam comigo por isso e diziam que eu deveria tomar cuidado. Sorri com a lembrança e percebi que Camille e eu tínhamos mais em comum do que eu imaginava.
Foi um momento rápido, porém algo inesperado. Eu, sentada no banco em frente ao parquinho onde minha irmã brincava, não percebi ela se afastar do mesmo.
Olhei ao redor, tentando avistar minha irmã, porém não encontrei nenhum vestígio dela. Minhas mãos começaram a ficar tremulas e meu coração batia descompassado.
- Camille, não brinca comigo! - sussurrei, porém falava comigo mesma, tentando convencer-me.
Olhei mais uma vez ao meu redor e, ao perceber que ela não estava no parquinho, decidi procurar por lugares próximos dali. A cada tentativa de procura e falhas com isso, eu me desesperava e perguntava a Deus onde ela estaria, pedindo a sua direção.
- Com licença, senhora. - falei com uma mulher, que estava comprando sorvete com um garotinho. - Por um acaso viu uma garotinha, mais ou menos desse tamanho, com cabelos claros? Ela estava com um vestido verde água.
- Não, eu acabei de chegar. - falou e me olhou com pena. Certamente, já imaginara que eu havia a perdido de vista.
- Tudo bem, obrigada.
Voltei a caminhar e perguntei a algumas pessoas, porém as respostas eram sempre um não. Teve uma mulher que até me olhou feio e, literalmente, me falou com o olhar que eu era uma irresponsável. E ela tinha razão! Eu não soube cuidar da minha irmã.
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Confiaremos | Livro 2
Tâm linhEste livro é uma sequência de "Cremos". Após um ano, Melissa, Chloe, Lucas e Nicholas voltam mais fortes do que nunca. Agora, os quatro estão no último ano escolar e novos desafios surgem para os mesmos. Junto com isso, algumas pessoas tentarão de...
