Capítulo 27: Pequeno quarto da bagunça

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Nicholas

Enquanto eu lia um livro, senti meu pai aproximar-se de mim, porém continuei olhando o livro, tentando ler. Repito, tentando, porque a minha mente não conseguia prestar atenção.

— Você anda um pouco distraído esses dias. — meu pai comentou e eu levantei o olhar para o mesmo, pela primeira vez.

— Acho que você se enganou. — dei de ombros e ele balançou a cabeça.

— Sou seu pai, Nicholas. Você pode ser bom em esconder seus sentimentos, mas nunca irá me enganar! — comentou e eu suspirei.

— É, eu sei. — dei-me por vencido.

— Conte-me o que está te incomodando. — pediu e, antes de começar a falar, soltei um suspiro.

— Por que essas coisas de amor é tão complicado? — indaguei com uma careta e ele levantou as sobrancelhas.

— Não sei porquê, mas imaginei que esse fosse o motivo. — ironizou e eu sorri fraco.

— Eu tive uma conversa com o Lucas, ontem à noite, e isso me deixou um pouco pensativo. — contei. — Ele... Ele falou sobre amor. Às vezes eu penso que o que sinto pela Melissa é amor, mas tem hora que eu acho que é apenas coisa da minha cabeça. — comecei a batucar o livro, um pouco nervoso. — Tem ideia do quanto eu estou confuso? Eu não consigo tirar ela da minha cabeça, mas não sei se posso dizer que é amor!

Meu pai apenas me encarou por um tempo, pensativo. Eu já estava ficando impaciente e, a única coisa que sofria com o meu nervosismo, era o livro no meu colo.

— Nicholas, confesso que você me deixou um pouco pensativo quanto a isso. — afirmou com um sorriso brincando em seus lábios. — Tenha a plena certeza que, quando for amor, você saberá.

— É tão óbvio assim? — indaguei e ele balançou a cabeça.

— Quando a pessoa a quem você ama for mais importante para você do que si mesmo, já pode considerar que o que você sente por essa pessoa, é amor. — iniciou. — A felicidade daquela pessoa basta para te fazer feliz. Os momentos simples juntos são capazes de ficar sempre em sua memória e, mesmo que tenha sido tão pouco tempo, basta para te fazer sorrir feito um bobo só em lembrar. O amor é o melhor sentimento que existe! O amor é benigno, tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. 1 Coríntios 13 é a melhor explicação "resumida" desse sentimento tão complexo, mas ao mesmo tempo tão simples e puro!

Assenti e fiquei um tanto pensativo com suas palavras, assim como as palavras de Lucas, na noite anterior.

— Sabe, Nicholas, eu estava querendo ter uma conversa com você. — falou e eu o olhei, assustado.

— Eu não fiz nada! — me defendi e ele riu.

— Calma, não estou te acusando de nada. — avisou e eu suspirei. — Mas estou achando você um pouco distante da igreja, há um tempo... Está tudo bem?

Suas palavras me deixaram surpreso. Como assim distante da igreja? Dificilmente eu falto aos cultos.

— Mas eu sempre te acompanho para a igreja, até quando eu nem preciso ir! — me defendi e ele suspirou.

— Nicholas, estar firme na fé não significa ir em todos os cultos sempre! Também significa estar em um relacionamento saudável com Deus e busca-lo todos os dias. Você tem ido a igreja sim, mas está um pouco disperso. Eu só quero ter certeza que você está bem! — falou olhando-me. — Diga-me, você está se sentindo... fraco ou algo do tipo?

Comecei a pensar no assunto, mas minha resposta não mudou.

— Não. Posso estar disperso, mas não estou afastado! — falei com a voz um pouco falha. — Pai, relaxa, está tudo bem.

Confiaremos | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora