Capítulo 18: Sentimentos incertos

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Nicholas

Eu não sinto nada por você.

Pode parecer um exagero, mas palavras nunca me machucaram tanto quanto daquela maneira. Ouvir tais palavras serem pronunciadas por Melissa, partiu o meu coração e foi como se o mesmo tivesse se dividido em pedaços. Mesmo me sentindo nublado por dentro, ainda tinha uma chama de esperança, por mais fraca que fosse, acesa em meu coração tanto que eu pedi para que a mesma repetisse, olhando em meus olhos, tais palavras. Ela parecia hesitante e pensativa, atitude que acendeu ainda mais a chama de esperança em meu coração, só que a mesma foi apagada e meu coração pisoteado quando a mesma, novamente, disse que não sentia nada por mim. Quando a vi se afastar de mim e retomar o seu caminho, deixei que as lágrimas, que tanto segurei, caíssem por meu rosto. De repente eu não soube diferenciar o que eram as lágrimas e o que era as gotas da chuva, presentes em meu rosto.

Naquela noite, cheguei encharcado e decepcionado em casa. Meus pais se preocuparam, porém não me pressionaram e não ficaram insistindo para que eu contasse o ocorrido. Agradeci aos céus por isso. Afinal, eu realmente não queria falar sobre aquilo.

No outro dia, fui para o colégio, ainda me sentindo um caco. Naquele dia eu tinha aula de Química, o que significava que eu a veria. O mau humor do Sr. Smith pareceu-me agradável ao ponto de eu conseguir me distrair, prestando atenção na sua aula e no seu jeito rabugento. Melissa sentou algumas cadeiras a frente de mim, porém procurei não me importar com sua presença, só assim eu poderia esquece-la por um tempo.

Um pouco mais tarde, na aula de Educação Física, eu não estava com ânimo para fazer aula prática, então pedi ao professor que me liberasse naquele dia. O mesmo concordou, desde que eu fizesse o teste físico em outro dia, para não perder nota.

Eu deveria me concentrar na aula e no relatório que tinha que escrever, porém meus pensamentos insistiam em ir até a loira de olhos azuis que, outrora eu tinha esperanças de me corresponder. Senti-me um idiota. Por que ficar sofrendo por uma garota que não me dá bola? Isso fazia algum sentido? Bufei e voltei a prestar atenção na aula, me desligando dos pensamentos da loira. Achei até um pouco cômico as caretas de cansaço que Lucas fazia, enquanto corria.

No final da aula, marquei o meu teste para o dia seguinte, depois da aula, e o professor disse que eu o encontrasse na quadra. Concordei com o mesmo e fui guardar alguns livros no meu armário, antes de ir para casa.

- Mil desculpas, Nicholas! - ouvi uma voz conhecida e suspirei.

- Acho que já é a milésima vez que você fala isso, Annanda. - falei e ela olhou-me, receosa.

- Eu fui uma idiota, não devia ter te beijado. - falou e sua voz acusava que, realmente, ela estava arrependida. Talvez.

- E eu devia ter te afastado. Estamos quites! Também te devo desculpas. - falei e a mesma sorriu fraco.

- Você está bem? Me pareceu um pouco distante hoje, pensei ser minha culpa.

- Não, na verdade, você não é um problema nesse momento. Eu só estou... confuso. Mas logo vai passar, obrigado por se preocupar.

- Você sabe que me preocupo de verdade. - ela olhou-me e em seus olhos pude enxergar um brilho de esperança. Eu balancei a cabeça e soltei um suspiro. Com toda minha decepção com Melissa, acabei esquecendo o que acontecera com Annanda, no dia anterior.

- É, eu sei e perdão por não saber como falar sobre isso no momento. - falei e a mesma assentiu.

- Tudo bem. Eu entendo que você precisa de um tempo e... - ela suspirou quando se atrapalhou nas próprias palavras. - Só saiba que estarei esperando, de qualquer forma.

Confiaremos | Livro 2Histórias para pegar e não largar. Descubra agora