"Amor de Peso" é um romance envolvente ambientado na calorosa cidade de Manaus, no Amazonas. A história acompanha as lutas e os triunfos de Yuri, um jovem desajeitado e inseguro que se muda com a família para Manaus. Gay e constantemente alvo de jul...
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Como de costume, acordei antes das seis da manhã. O hábito de madrugar já fazia parte da minha rotina, mas, naquele dia em especial, havia uma excitação misturada com nervosismo. Era o primeiro dia de aula em uma escola nova, em um estado novo. Levantei-me da cama e fui direto ao banheiro, tentando me arrumar da melhor forma possível.
A escola exigia uniforme, mas eu ainda não tinha comprado o meu. Então, a solução foi improvisar: vesti uma calça jeans azul, uma blusa branca simples e calcei meu tênis branco, que ainda estava impecável. Olhei-me no espelho, ajeitei o cabelo e soltei um suspiro. Tudo pronto, pelo menos na aparência.
Depois do banho, chamei meus irmãos. Pela primeira vez, tive a sensação de que eles eram mais lentos do que o normal. Giovanna saiu do quarto como se estivesse desfilando em uma passarela.
— Vish, coitado — comentou com um tom divertido. — Estou acordada há duas horas. Acha que essa produção acontece sozinha? — disse, descendo as escadas e deixando no ar um perfume adocicado.
Minha casa ficava uma verdadeira bagunça nos dias de volta às aulas. A tia Olívia, que era a responsável por nós, nunca foi a pessoa mais organizada quando o assunto era coletividade. Meus irmãos iam de carona com ela, já que era caminho, e eu seguiria com meus amigos, ou seja, de ônibus.
O lado bom era que qualquer ônibus que passasse pelo centro da cidade nos servia. Encontrei-os no ponto, todos vestidos com a farda da escola. Logo, eu também estaria igual a eles.
Enquanto aguardávamos o ônibus, meus amigos me deram um verdadeiro manual de sobrevivência da Escola Dom Pedro II. Primeira regra: tomar cuidado com a tia Ray, a inspetora. Qualquer deslize e poderíamos pegar uma suspensão. Segunda regra: evitar a sopa de mocotó do refeitório, pois muitos alunos já tinham ido parar no hospital por causa dela. E, por fim, a terceira regra: nunca sentar na frente na aula de matemática. O motivo? O professor cuspia quando falava.
Depois disso, começaram a relembrar algumas das maiores confusões dos anos anteriores. Brutus, por exemplo, jogou um catolé no banheiro feminino, deixando a escola inteira em pânico. Letícia deu um beijo cinematográfico no alto da caixa d'água. Ramona montou um pequeno negócio vendendo respostas de provas. E Zedu... bem, ele quebrou uma janela do segundo ano B com uma bola de futsal.